Vó
E vô
Amamos muito vocês
Eu e todo mundo
Se delícia nos seus abraços
Nas gostosuras mais deliciosas do mundo
Autor: encantodoscontos
Pessoas interessantes.
Elas andam por toda parte.
Essa é a resposta para uma pergunta que li num livro dia desses: “Por onde andam as pessoas interessantes”?
Por toda parte. É a resposta.
“Conversar com uma pessoa é como ler um livro”.
Sim. Todas as pessoas têm uma história interessante. Ou talvez seja apenas por acreditar nisso que eu seja psicóloga e escritora. Sinto uma imensa curiosidade pela vida das outras pessoas. Quero ouví-las, entendê-las, conseguir compreender o que estão sentindo. Nunca ouvi uma história chata. Se você ouvir por tempo suficiente, pérolas começam a brotar dos discursos das pessoas.
Nem sempre estamos dispostos a ouvir, é claro. Eu tenho meus dias nos quais estou tão submersa em meus próprios pensamentos que não tem espaço para mais ninguém dentro da minha cabeça. Mas isso não diz nada das outras pessoas e sim do meu momento.
Então esse papo de que “fulano é realmente interessante, Beltrano, não” (comentário que normalmente expressa um preconceito cultural que você ouve muito no meio de gente cult que se acha a cerejinha do bolo das capacidades intelectuais e artísticas) me irrita e desgosta muito.
Onde estão as pessoas interessantes? Olhe para o lado. Aí está ela.
Não tem nada de mais em sentir um pouco de sono.
Ontem eu estava conversando com um amigo a respeito da dificuldade de dormir e acordar cedo. Eu falei das minhas experiências e ele das experiências dele. Sabe o que acabou funcionando para ele? Uma taça de vinho antes de dormir.
E aí? O que você acha? A partir de uma breve pesquisa, o Dr. Google se mostrou dividido. Médicos afirmando que uma taça de vinho por dia faz bem, outros dando a entender que isso era alcoolismo. Bom, vinho certamente me dá sono. Mas daí a fazer disso uma prática regular… Acho arriscado.
Sinceramente, desde o último texto que eu publiquei sobre dificuldades para dormir e experimentos para lidar com isso, eu tenho dormido bem melhor. Isso não significa que eu acertei o horário do sono. Ainda estou muito longe disso. O que eu fiz foi aliviar a pressão, tirar o peso do pensamento de que eu deveria dormir cedo, ou dormir sei lá quantas horas por noite etc. Então, eu vou dormir na hora que decido, sem pressão. O desafio? Tenho hora para levantar seis dias por semana. Mas paciência. Tem que levantar, tem que levantar e ponto. Qual é o problema de ficar com sono no fim das contas? A gente faz disso um bicho de sete cabeças também, não é? Não é nada demais ter um pouco de sono ao logo do dia. Quando isso acontecer com você, diga a si mesmo: “isso não é nada demais. Eu estou bem. Esse sono não é ameaçador para mim”. Em casos muitos raros você vai morrer por falta de sono (muito, muito, muito raros e não, provavelmente esse não é o seu caso. E se for, não se morre por falta de sono de uma hora para outra. Vão haver sinais e você vai receber tratamento adequado antes dessa catástrofe acontecer). Ok. Os prejuízos podem se acumular e ser grandes (ainda que você não venha a morrer de sono, suas funções normais de pensamento e comportamento podem ser afetadas), mas essas pessoas que sofrem com essa situação não vão realmente resolver o problema lendo textos de blogs. Esses casos mais graves requerem cuidados medicamentosos. Esse não é o caso da grande maioria das pessoas que têm dificuldades para dormir. Os maiores responsáveis por isso são o estresse e a ansiedade. E isso sim você pode entender melhor e começar a trabalhar lendo textos e compartilhando experiências com outras pessoas (ressaltando que a terapia psicológica pode ajudar muuuuito essas pessoas que sofrem com estresse, ansiedade e perturbações do sono. O psicólogo vai acompanhar o seu caso em particular e trabalhar junto com você para resolver o problema. Isso é super válido e importante).
Sendo assim, faz todo sentido o que eu falei. Tire a pressão do sono e você já vai dormir melhor. Além disso, busque recursos! Se você está lendo esse texto já é um bom sinal. O próximo passo é dar um pulo no youtube. Tem quinhentos mil vídeos para ajudar as pessoas a dormir. Algum vai funcionar para você, eu tenho certeza. Acredite: você apenas ainda não achou o recurso certo para você. Mas ele existe. Continue procurando. Você vai encontrar.
O efeito dos estresses da vida.
Que loucura isso.
Eu já escrevi cinco textos hoje. E não gostei de nenhum deles para postar.
Comecei a me perguntar “que porcaria é essa que está acontecendo? Por que eu não consigo postar”?
Me ocorrem duas possibilidades de resposta para essa pergunta. Uma: eu estou muito estressada nesses últimos dias. Dormindo pouco, trabalhando muito, comecei a escrever a tese do doutorado (o que vai render ainda muita sofrência)… Enfim, uma série de coisas que me geram muita ansiedade se concentraram nesses últimos dias e isso está me afetando em diversos níveis. Ok. Acho que isso daria conta sim de explicar a minha dificuldade. Você já sentiu isso? Tem dias que, mesmo as coisas que você está acostumado a fazer simplesmente não dão certo. Tipo aquela roupa que você já usou várias vezes, mas um belo dia você acorda se sentindo meio inchada e aquela mesma roupa que você já usou tanto fica terrível e desconfortável em você? Pois então.
Mas aí temos também a segunda explicação. O tempo que eu me comprometi a escrever no logo está acabando e eu já estou sentindo os efeitos da minha “síndrome do ninho vazio”. Algo com que eu estou muito acostumada está prestes a me deixar. Pois é. Eu poderia renovar o compromisso, mas, por algum motivo, estou com medo de fazer isso. Talvez não medo exatamente…. Medo sim, na verdade. Sabe medo de que? De me decepcionar. Mesmo escrevendo todos os dias por um ano tem várias idéias que eu tive que não coloquei em prática no papel. Se eu interromper o processo ao final desse um ano eu vou poder pensar: não houve tempo suficiente. Mas e se eu continuar e nunca realizar os tais projetos? Aí eu vou ter fracassado. Essa estratégia você conhece? Nunca dar tudo de si, procrastinar, nem tentar para começo de conversa. São todas estratégias que nos protegem dos nossos fracassos e incompetências (sejam eles reais ou imaginados ou catastrofisados por nós).
Bom, eu ainda tenho algum tempo para pensar nisso. Por hoje eu não estou muito bem e vou ficar por aqui mesmo.
Histórias positivas.
Faça um grande favor a si mesmo (vale para mim também).
Ao longo de uma semana (sugiro que você inicie imediatamente, comece hoje) anote, todos os dias, uma história positiva a respeito de você mesmo. Não seja tímido ou modesto, não subestime as coisas positivas que você fez. Se você tiver dificuldade em pensar em alguma coisa, lembre-se: ninguém é tão mal que nunca tenha feito nada de bom e ninguém é tão bom que nunca tenha feito nada de ruim. Se esforce e encontre histórias de coisas boas que você fez. Depois, anote essas história em um caderno, uma por dia. Ao final de uma semana releia todas elas e escreva quais foram as suas qualidades pessoais que apareceram nestes relatos.
Vou fazer do meu primeiro, um exemplo público.
Recentemente o Tom, meu gato, chegou aqui em casa depois de ter sido resgatado pelo meu tio. Tom chegou há mais ou menos duas semanas. Antes dele chegar e também depois que ele chegou, eu fiz tudo que foi possível, além do que era necessário, para que ele tenha uma boa vida de gato. E tenho me empenhado para que ele viva bem e feliz.
Viu? Também não precisa ser nenhum milagre ou fato espetacular que você precisa narrar nas suas experiências. Podem ser coisas simples e boas a respeito das suas qualidades. Depois me conta!
O lado bom de pagar mico.
Se fosse para cantar bem, eu ia para o The Voice, se é para cantar no karaokê, é para pagar mico mesmo.
As pessoas geralmente têm muito medo de pagar mico. Eu não mais. Acho que é porque eu sofria bullying na escola. Me incomodava muito quando riam de mim e eu tinha dificuldade de fazer amigos. Quando eu comecei a superar toda essa situação escrota, comecei a lidar melhor com as futuras ocasiões nas quais as pessoas riam de mim. Como assim? Quando pessoas que não gostam de você riem de você, isso machuca. Quando pessoas que gostam de você riem de você, você fica feliz por vê-las felizes e você sabe que elas não estam rindo por mal. As pessoas riem da gente porque às vezes fazemos coisas estúpidas e engraçadas mesmo. Eu meio que comecei a fazer graça propositalmente em algumas situações. Então, quando eu saio para cantar no karaokê, eu faço isso com vontade e sem vergonha. Claro que, com o passar do tempo, eu passei a cagar também para os babacas que riem de mim com maldade no coração. E ei comecei a perceber uma diferença entre esses dois tipos de pessoas que riem de nós: as que nos amam e as que não nos amam. As que nos amam riem de coisas realmente engraçadas que nós fazemos. Aquelas que não nos querem bem riem de coisas que não são engraçadas. Elas riem das coisas que nos magoam, das nossas fraquezas. Então, não ligue para esses babacas que querem nos fazer sofrer, mas não se reprima. As risadas daqueles que estão ao nosso redor nos fazem bem. Não tenha medo de pagar mico na frente de quem ama você.
Projeto Dados Poéticos: Dormir.
Dormir
Para sempre
Dormir sem sonhar
E nunca mais acordar
Triste? Sim e muito maior
Do que qualquer outro medo meu
“Negro não tem cara de quem gosta de ler”.
Com muito orgulho, mais um post fenomenal de convidados do Encanto (minibio do autor no final).
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Esses dias eu levei meu irmão ao shopping de minha cidade para dar um rolê. Ele tá de férias e eu também, aí quis aproveitar um dia com ele.
Até aí tudo bem, a gente foi ao shopping com alguns planos do que fazer, pensamos em ir ao cinema e depois comer alguma coisa por lá.
Quando chegamos no shopping, demos algumas voltas, fomos ver os filmes que estavam em cartaz, mas ele não quis assistir nenhum. Eu achei estranho, porque ele tinha dito que queria assistir “Os Incríveis”, questionei ele sobre o motivo de não querer assistir e ele me disse que não queria assistir filme nenhum, nisso não restou muito o que fazer lá, daí fomos naquele lugar que tem uma par de fliperamas, ele também não quis jogar nada. Aí perguntei o que ele queria fazer, porque eu já estava ficando entediado e ele também. Aí falei para ele que queria ver uns livros e se ele quisesse poderia comprar algum para ele. Quando chegamos na livraria, eu olhei alguns livros, mas nenhum me interessou, foi aí que notei o olhar estranho de algumas pessoas para gente(estranho, mas para mim já é comum ver as pessoas me olhando torto dentro de uma loja), mas nem dei moral, porque não queria que nada estragasse o dia para o meu irmão e para mim. Foi aí que meu irmão me chamou e falou que queria um livro de uma coleção chamada “A Hora do Espanto”, é tipo uma Coleção Vagalume. Eu falei pra ele que tudo bem e perguntei se ele só ia querer aquele, ele me disse que iria procurar outro. Nisso, eu vejo um homem comentar algo com a esposa dele, eu acho que era a esposa, daí os dois ficaram seguindo com o olhar a gente enquanto meu irmão escolhia outro livro. Aí quando eu achei um livro que me interessou, peguei o livro e dei umas folheadas, o cara que tava olhando a gente começou a andar atrás do meu irmão, mas meio que disfarçando. Quando meu irmão foi pegar outro livro, ele colocou o livro que ele tinha escolhido antes em cima de outros para poder alcançar o livro que ele queria, aí o cara foi lá e pegou o livro que ele tinha deixado em cima dos outros e guardou em outra pilha de livros, notei isso e peguei o livro de novo. Meu irmão pegou o segundo livro e me perguntou se poderia pegar um terceiro, eu falei que sim, pq além de incentivar meu irmão a ler, os livros que ele queria estavam na faixa de R$5,00. Quando ele foi pegar o terceiro livro, ele deixou o livro que tinha escolhido em cima de outros livros de novo, aí mais uma vez o cara foi lá e guardou o livro que ele tinha escolhido. Eu olhei bem para a loja para ver se tinha algum vendedor além da moça que tinha me atendido quando entrei na loja e percebi que ela era a única funcionária trabalhando no momento, cheguei no cara e perguntei: Moço, por favor, você trabalha aqui?
Ele me disse que não, aí apontou para a moça que eu sabia que era a vendedora e disse que a moça era a vendedora. Então eu perguntei para ele: Então por que você tá guardando os livros que meu irmão tá escolhendo?
Ele me responde: Eu pensei que ele só estivesse tirando do lugar para ver, porque ele não tem muita cara de quem gosta de ler.
Eu: Ah, mas não! Ele tá escolhendo os livros que nós vamos comprar! E me fala uma coisa, qual é a cara de quem gosta de ler? Porque assim, eu curso letras e não aprendi isso na faculdade…
Nisso, o cara ficou meio em choque e meu irmão falou pra mim que só queria os dois livros que ele tinha escolhido mesmo. Dei 10 conto e ele foi no caixa pagar.
Aí virei para o cara e falei: Viu, manda um email para reitoria da Unesp e pede para eles colocarem essa matéria de leitura de fisionomia na grade curricular do curso de letras, porque aí a gente aprende a ver quem tem cara de que gosta de ler ou não.
Saí da loja com o meu irmão e fomos comer. Perguntei para o meu irmão o motivo dele não querer jogar nos fliperamas, porque ele vive em função de jogos de computador e videogame. Ele me respondeu: Pra quê eu vou gastar dinheiro jogando, sendo que eu posso jogar em casa sem gastar nada? Preferi gastar dinheiro com os livros, porque ao menos eu posso ler e guardar eles comigo, igual você faz.
Gente, eu tava tão puto com o cara da loja, mas quando eu vi que ao menos para o meu irmão, eu sou um bom exemplo, toda a raiva que eu sentia se misturou com orgulho e alegria. Voltei para casa com um sentimento muito louco e meu irmão com dois livros novos.
Desculpa o textão, mas eu queria muito compartilhar isso com os outros, porque a gente vive em uma sociedade onde o preto não tem cara de ler, onde a criança preta não tem que ler, onde a criança pobre tem que crescer sem aprendizado para poder trabalhar como mão de obra do rico. Eu juro que isso reforçou todos os motivos para eu querer ser professor. E quem não gostou, só lamento!!!
Rafael é graduando em Letras pela Universidade Estadual Paulista – Unesp campus de Assis.
Que cérebro é esse?
Eu tinha tido uma idéia fodaaa para o texto de hoje. Aí pensei: não vou esquecer isso de jeito nenhum. Tranquilo. Não preciso nem anotar. Claro que eu esqueci qual era a tal da grande idéia. Estou aqui sentada há umas duas horas tentado me lembrar o que era. Não consegui. Mas esse processo me rendeu um pensamento estranho… Como é engraçado esse negócio de “fazer esforço para lembrar” de alguma coisa. Eu não sei se esse tipo de esforço mental existe. Quando a gente tenta levantar algo pesado, por exemplo, sentimos os músculos dos braços sendo tensionados. Sentimos claramente o tal esforço. Por outro lado, quando eu pelo menos, vou fazer um esforço mental, eu, sinceramente, não sinto nada. Não sinto meu cérebro tensionado, não sinto a musculatura do corpo retesada, não dá para ver nem sentir o esforço de modo algum. Quase dá para duvidar que a gente tem um órgão tão importante dentro da cabeça. De um certo modo é até reconfortante ter uma dor de cabeça porque aí você tem mais consciência do dito cujo. Dizem que isso é um grande problema. Não é? Sentir os próprios órgãos. Quando você não sente que tem coração, está tudo bem. O problema é quando você começa a sentir o coração por algum motivo. Aí significa que tem algo errado (isso é quase um ditado popular. Como psicóloga eu tenho que fazer uma observação importante. A ansiedade se manifesta no corpo da gente. Portanto, quando sofremos com ansiedade, sentimos o coração e também outras partes do corpo que normalmente não sentimos, mas isso se trata de algo psicológico. Não quer dizer que você está correndo risco de vida. Você precisa apenas ir ao psicólogo se cuidar). Bom, eu acho estranho isso de não sentir os órgãos. E isso me faz indagar que tipo de esforço estranho é esse que fazemos para raciocinar. Talvez o nosso cérebro pense o que ele quer, na hora que ele quer, não o que a gente quer que ele pense, e a nossa vida só acompanha.
Caso 1: Senhora K.
CAPÍTULO I – Próxima estação: Uruguaiana.
Katarina desceu na estação Uruguaiana do metrô super atrasada, atropelando as pessoas que andavam lentamente na sua frente.
– Licença. Com licença! – Se a pessoa não se mexesse, ela forçava passagem. – Com li-cen-ça. Obrigada.
A estação estava lotada. O que não era nem um pouco comum para aquela hora do dia. Putz… É chuva. Deve ter começado a chover… Espero que não esteja tudo alagado.
A sensação dentro da estação era terrível. Um calor abafado, muito úmido. As pessoas ao redor molhadas de água da chuva e cheirando a suor, cozinhando dentro de seus casacos e cachecóis exagerados. Karina estava com uma blusa branca bem levinha e não sentia frio. A calça que era obrigada a usar por conta da reunião para a qual estava indo estava colando nas pernas dilatadas pelo tempo quente.
Quando chegou na saída da estação, sentiu uma brisa fresca carregada de gotículas de água. Muitas pessoas na sua frente, paradas. Forçou caminho.
– Ah! Não acredito! – O Centro da Cidade já estava debaixo d’água. – E agora? Eu já estou atrasada.
Karina refletiu por cinco segundos antes de tomar uma decisão, se é que se pode dizer que ela realmente tomou uma decisão depois de um processo consciente de raciocínio. Mais parece que ela sentiu uma mistura de diversas emoções. Sentiu um senso de responsabilidade, empurrou para o fundo da mente a censura por já estar atrasada (talvez se tivesse ido mais cedo tivesse chegado no trabalho antes da chuva), sentiu algo que deve ser parecido com o que sentiam os gladiadores romanos, uma adrenalina de quem está prestes a enfrentar um inimigo monstruoso e encarar a própria morte (na ausência dos leões, nos resta o medo dos ratos que bóiam nas águas poluídas que inundam o Rio de Janeiro). Com tudo isso, ela resolveu agir. Esfiar o pé na água podre, mergulhar a perna até o joelho naquela nojeira e ir andando o mais rápido possível, ainda pegando chuva, até o trabalho. O que ela deveria ter levado em consideração para tomar essa decisão, era o fato de que a tal reunião não era nem um pouco importante. Não teria problema algum se ela não comparecesse. Ela deveria ter pensado que ia fazer um papelão chegando lá encharcada para um compromisso irrelevante. Todos olhariam para ela e falariam:
– Olha lá a maluca da Katarina. Enfiou o pé na água, cruz credo, essa mulher vai pegar uma doença. Essa água imunda aí da rua, agora ainda está lá toda molhada no ar condicionado. Eu hein… Tá doido. Será que não sabe, gente, que essa reunião não é nada demais? Deve ter pirado de vez.
Mas nada disso passou pela sua cabeça, portanto ela meteu o pé bravamente na água podre e foi.
OBS: O presente texto é de caráter puramente ficcional.
