Esse trapo velho esconde a minha alma. 

Meu corpo olhado por mil ângulos.
Esta blusa de pano fino custou dez reais. Se eu saísse sem ela pela rua seria um escândalo, eu seria presa. Jogo ela por cima do corpo e está tudo bem.
Minha alma dizem que não tem preço, eu saio com ela nua e em pedaços pelo rua, mas parece que está tudo bem.
Queria sair com o corpo quebrado e nua e a alma inteira para ver se chamam a ambulância para cuidar de mim. Eu pegaria na mão da médica e da enfermeira e fecharia os olhos com o soro na veia. Vai ficar tudo bem.
Quero trocar este pano velho pela minha felicidade. Sair com a sensação de ser livre.
Todos esses fios finos entrelaçados formaram um nó que eu não consigo desfazer. Não é possível achar uma ponta solta sequer. Correndo pela corrente sanguínea, correndo o risco de entupir uma veia e me causar um enfarto ou um derrame.
Se eu morresse depois de amanhã teria vivido metade dos meus sonhos.
Já está bom… Não é?

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