Café da manhã na janta.

O café da manhã é a melhor refeição do dia. Sem sombra de dúvidas.
Já temos o brunch, uma espécie de café da manhã incrementado que substitui o almoço. Mas o café da manhã é uma refeição tão maravilhosa, que, de vez em quando, eu gosto de comê-lo também na janta.
Ok. Eu ainda tenho um pouquinho de noção. Eu não chego a tomar dois cafés da manhã (ou três) em um dia, por mais que tenha vontade. Eu apenas não restrinjo a vontade de comer um pão com ovo quando ela bate simplesmente por causa da hora.
Não que eu não sofra um pouco com essa questão do café da manhã, sabe, pão, queijo, mortadela, leite e tudo isso que há de mais delicioso nesse mundo, mas que, se você acreditar no Bem Estar, vai te matar em cinco anos ou menos.
Parando para pesquisar um pouco sobre o assunto, contudo, você percebe que a nutrição é assim como a psicologia: a teoria ou a filosofia alimentar varia enormemente de autor para autor. Muito mesmo.
Varia de gente afirmando que você tem que comer muita gordura até gente querendo banir a gordura do cardápio. Alguns profissionais afirmam que devemos comer de três em três horas, outros defendem o jejum intermitente.
Enquanto os profissionais não se decidem, a gente (eu, pelo menos) fica aqui mergulhado na culpa sem saber que dieta seguir e tratando a comida como a grande vilã da saúde e felicidade verdadeiras.
Um saco isso.
Planejar a comida, gastar dinheiro com coisa cara, ter que ficar aprendendo receitas nem um pouco enraizadas na nossa vida cotidiana (como o arroz e o feijão que a gente aprendeu a cozinhar com a nossa mãe).
Revolta total.
Não que eu discordo completamente da idéia de que temos que cuidar da alimentação. Mas criou-se uma aura tão poderosa em torno desse discurso higienista da alimentação, que comer virou um pesadelo para muita gente.
Talvez a revolta das pessoas em geral lançada contra os nutricionistas seja uma revolta contra a evolução da gastronomia que foi descobrindo e cozinhando coisas cada vez mais gordas e gostosas que vão nos matar muito antes do que daria para morrer caso tivéssemos evoluído como veganos.
Enfim, já diziam na minha adolescência (e estavam errados de um modo geral, só estavam certos com relação a comida mesmo): ” tudo que é bom, faz mal”.