Pinte sua dor de azul. 

O que é a raiva e o que são frases bonitas se não coisas que colorem a vida neste meio tempo em que estamos aqui.
Dizer que a vida é uma merda, não é a mesma coisa que dizer que viver é ruim. Em outras palavras: a vida é uma merda, viver é uma maravilha.
Olhe em volta. Há muita injustiça, fome, guerra, violência, preconceito, ódio. A gente vai morrer, certamente, e, ainda assim, ninguém fala sobre a morte e consideram-se anormais, patológicas e doentias a ansiedade e a tristeza profundas, quando não há nada de mais humano que sofrer pelas nossas misérias. Ainda assim, não vale a pena passar a vida se lamentando. Temos que aproveitar com todas as forças. Alegria ou tristeza, isso é o que colore a vida. Então, pinte sua dor de azul para que ela fique bonita e sorria sempre que não estiver chorando.

Uma alma atrás da outra.

Uma estrela com coração partido
Passeando pelo céu
Desnorteada
Com olhos suplicantes em seu encalço
Estamos reduzidos e esses choros estranhos
Causados por coisas que não nos emocionam
E aquilo que verdadeiramente comove
Nem cócegas faz na nossa alma
Ainda assim há um brilho nos olhos de todos aqueles que olham para a televisão ligada
Que inflama amargas palavras de orações bolsonarianas
Atos de um amor fraco e uma crença forte na desesperança

Uma estrela com o coração partido não tem olhos para se guiar
Ela vaga no céu desnorteada
Mas arrasta todos que cruzaram suas almas com a dos outros
Que suplicamo pedidos bobos com os quais ninguém se importa
E não é a primeira vez que isso acontece. Eu sei que não vai ser a última, embora estejamos todos dispostos a morrer lutando para que seja.

Poesia de Facebook. 

Meia noite eu começo a escrever o texto.
Primeiro dia depois de um ano que eu virei meia noite sem escrever. Eu ainda não dormi, portanto, para mim, não acabou o dia, mas eu virei as 24h sem escrever, sem publicar.
O mundo não caiu. Nada de catastrófico aconteceu.
Preciso de um tempo para digerir esse meu novo processo. Entender qual é o próximo passo na escrita.
Por isso hoje vou publicar uma bobagem leve para relaxar!

Quero compartilhar o que eu considerei uma ótimo poesia que veio de uma brincadeira do Facebook. Você digita “Eu sou” e depois deixa a sugestão do seu celular terminar a frase para você. O meu ficou assim:

“Eu sou o único e exclusivo propósito
de que o ser humano é um bicho muito sociável
mesmo que você esteja no zap
com alguma pessoa querida amiga”.

Se hoje fosse meu último dia.

Se hoje fosse meu último dia,
Eu não faria nada extravagante.
Você a essa altura sabe tudo que eu iria querer para as horas derradeiras.
Se esse fosse meu último dia,
Eu ficaria amorosanente enrolada com você no sofá. E falaria até estrelas saírem da garganta das maravilhas que diríamos. E abraçaram forte até virar pó e quem sabe viraríamos um diamante com a pressão do aperto.
Ainda bem, meu amor, que esse não é nosso último dia e que temos uma vida inteira pela frente para vivermos todos esses magníficos momentos. Não percamos mais sequer nem um segundo de amor.

Impotência (não do tipo que você está pensando).

Eu estou em um pedestal feito de açúcar. E um milhão de pequeninas formigas se aproximam e começam a comer este açúcar. E eu grito lá de cima desesperada: “Vão embora formigas! Vão embora”!. Mas é inútil. Elas continuam chegando.
É como se eu estivesse sentada em um trono de gelo debaixo do sol de verão. E eu fico gritando: “Vai embora sol! Vai embora!”. Mas meio dia se aproxima e o sol brilha cada vez mais alto no céu.
Eu me olho em casa no espelho e saio nua no carnaval. Mas estou mais feia do que a peste e os homens passam longe de mim.
É como se eu tivesse feito faxina na casa, mas o meu próprio corpo soltasse sujeira.
São todos poderes mais fortes e mais esmagadoras do que eu. Eu grito: “Me dêem amor! Olhem como eu sou bonita! Eu acabei de tomar banho, essa podridão não vai descer pelo ralo?”.
Defeitos incorrigíveis. E eu orgulhosa por um instante. Até o espelho da vida se colocar diante de mim e me mostrar o meu lugar. Até o dedo divino apontar aquilo que eu estou escondendo debaixo do tapete, mas que, a despeito dos meus maiores esforços, deixa o rabo de fora. Eu ajoelho no chão, chorando, e empurro tudo para fora, mas numa lufada de vento que mais parece um furacão, volta tudo para dentro de casa e para dentro de mim com uma força cortante. Eu tento proteger os olhos pelo menos, mas não adianta, nada adianta. Entre pelo nariz, pela boca, pelas orelhas, pela pele.
Eu fico parada, imóvel, me fingindo de morta. Mas é um urubu que me persegue. Quando eu acho que o engano, na verdade lhe sirvo um banquete.
E a dor acaba, e a felicidade acaba, a vida acaba. Agora sim não sobrou nada. Os ossos jogados pelos cantos, um fêmur deve ter voado pela janela, não tem importância. Só deixe os que sobraram por aí. Eu só espero que eles não se sintam tristes e sozinhos separados das carnes e do pensamento que antes eles sustentaram com tanta luta, mas agora já não há o que fazer mesmo. Só resta seguir em frente. O trabalho de decomposição só acaba no pó. Será que então eu vou conseguir voar até o céu? Ou vou acabar numa caixa de gato grudadinha no cocô?

Coloque a caneta no papel e deixe a magia acontecer. 

Eu não posso negar que escrever me faz extremamente feliz. Escrever qualquer coisa. Colocar idéias no papel. Tidos os tipos de idéias; sonhos, mistérios, tesouros, unicórnios, tristezas e alegrias. Ou mesmo simples palavras. Palavras puras que fazem uma dança nova na nossa cabeça cada vez que as lemos. Palavras pequenas ou compridas, bonitas ou feias, dicionarizadas ou não. Toda palavra escrita me faz sorrir.
Quando eu começo a pensar em alguma coisa, não passa muito tempo, eu já estou com a caneta no papel, pois até pensar, eu penso escrevendo e falando alto.
Uma escrita espontânea, livre de qualquer tipo de preocupação. Desinibida e sem rodeios. Ultimamente não tão secreta quanto na época da adolescência quando eu escrevia em códigos na últimas páginas do caderno, pois muito disso vem sendo compartilhado aqui no Blog, mas tão significativa e profunda quanto. Uma escrita que me dá um frio na barriga maior do que andar em montanha-russa. 
É impressionante o fato de uma atividade tão simples dar tanto prazer. Eu fico boba. Assim como a leitura, a escrita é uma atividade que eu recomendo para todo mundo. Não importa o que você vai escrever, apenas coloque a caneta no papel e deixe a magia acontecer.

O rumo da vida. 

Todos esses dias iguais de trabalho.
Toda essa vontade de fazer as coisas de um modo diferente.
Como fazer a vida ser do jeito que a gente quer?
Como é que a gente quer a vida?
Na época da escola, eu só queria férias, mas nas férias eu sentida falta da rotina de estudos.
Como criar equilíbrio entre estes diferentes aspectos?
A vida precisa ser do jeito que a gente quer para que sejamos felizes?
Eu cresci assistindo filmes da Disney nos quais o príncipe e a princesa viviam felizes para sempre no final, aparentemente com uma fortuna que os sustentasse a eles e aos seus filhos e netos até a décima geração. O trabalho geralmente era a punição da mocinha antes dela ser resgatada. Minhas fantasias a respeito da vida perfeita definitivamente não são reias.
Como então querer algo real e bom?
No fim das contas, eu não conheço uma vida que seja feliz e equilibrada. Todos a minha volta então querendo algo, na vida deles também está faltando qualquer coisa.
Como confiar no que eu sinto e sentir o que é verdadeiramente importante para mim?
Eu olho para a parede e penso pesadamente sobre cada uma da palavras que escrevo. Isso quebra o ritmo desse texto de insatisfação por tempo suficiente para meu marido passar pela sala, meu gato pular na janela. Eu lembro que amanhã eu não vou acordar cedo e avalio que minha saúde não está tão mal assim. De algum modo meus pensamentos parecem encarar o abismo, mas nenhum sentimento de profunda e real insatisfação me castiga agora. Como continuar essa reflexão? É melhor apagar o texto e começar de novo? Não.
Eu preciso me cuidar mais? Sim. Eu quero trabalhar menos? Sim. Seria bom viajar qualquer dia desses? Certamente.
Quando eu estou na rua sentindo saudades de casa eu choro? Muito. Quando o dinheiro aperta eu me desespero? Terrivelmente. Quando eu erro, sofro? Horrores.
Esses altos e baixos, ainda assim, parecem bonitos a distância. Como a cordilheira impenetrável do meu passado, cheia de mistérios. Uma travessia que me deixa boquiaberta. Majestosa. Me dá prazer contemplá-la e, de algum modo, tanto a alegria extrema quanto o desespero se dissipam e eu aprecio uma calmaria agradável e confiável. Depois eu respiro, olho para frente, e atravesso mais uma de muitas montanhas. No fundo do vale a noite é densa e o sentimento é obscuro, nas planícies, a visão é ampla e eu posso correr e descansar, nos cumes há muita excitação e um deslumbramento inigualáveis. Depois que acaba começa tudo de novo, só que diferente. E tudo parece novo, lindo e delicioso de novo. Os pensamentos sempre profundos, mas a vida boa e sempre valendo a pena.

Rebeldia e retaliação. 

Eles querem quebrar todas as nossas defesas. Arrancar a nossa pele e nos deixar em carne viva.
Eu não tenho problema nenhum em evoluir reconhecendo que eu estive errada no passado. Mas eu também não abro mão das minhas idéias de graça. Você precisa argumentar comigo, me dar exemplos que demonstrem o contrário do que eu acredito, eu estou totalmente aberta para o diálogo. Mas querer que eu simplesmente engula a sua verdade? O problema é que algumas pessoas querem ganhar no grito, usando a voz da autoridade, disfarçando-se de experiência. E quando você não abaixa a cabeça e obedece, eles querem te quebrar, te humilhar. Te chamam de rebelde sem causa e te acusam: a pessoa estúpida que não quer fazer algo que é pelo próprio bem dela. Pelo meu bem? Você só pode estar de sacanagem comigo. É você que me faz sofrer e me desrespeita em primeiro lugar.

O inferno são os outros?

Nós costumamos achar que existem vilões na vida real, bem perto de nós. Não falo do verdadeiro “psicopata que mora ao lado”, também não estou falando de pessoas que sofrem de uma patologia real e, por conta disso, acabam tendo imensos problemas de convivência ou até memso quebrando regras sociais. Falo daquela pessoa que você acha que levanta todo dia de manhã só para fazer da sua vida um inferno, daquela pessoa que subestima a sua inteligência destilando veneno disfarçado com açúcar na sua vida. Você não acha que tem pelo menos uma pessoa assim ao seu redor? Você não vive uma batalha emocional cotidiana com pessoas que você compara aos vilões de filmes, novelas ou livros? Aquela pessoa que é má até o último fio de cabelo, corrompida, que vive para espalhar a discórdia e fazer miséria na vida dos outros. Sabe? Pois eu sinto em te informar que você vem vivendo preso dentro de uma grande fantasia, pois essa pessoa que você tanto teme não existe.
Aliás, você já parou para imaginar que esse “vilão” pode ser você no olhar de quem está ao seu lado? Como eu disse, esses malvados da vida real não existem. Mas para quem se deixa levar por esse discurso, esse malvado poderia muito bem ser você. Apenas algo para refletir.
Eu sei que é emocionante achar que você tem essa grande batalha para lutar na sua vida contra esses seres humanos desprezíveis, mas precisamos abrir mão desse discurso inflamatório que divide as pessoas e precisamos nos unir e disseminar cada vez mais o amor.
Existem pessoas que são difíceis de se conviver e que não precisam ficar em nossas vidas? Sim. Infelizmente é verdade. Existem pessoas que estão em profundo sofrimento emocional, que não poderão ser ajudadas por nós. Isso está longe de significar que elas são malvadas. Que elas querem ver murchar tudo que tocam.
Enquanto nós tivermos esse olhar para o outro, somos nós que somos venenosos.

Balão preso na pedra. 

Minha cabeça está como um balão, voando lá em cima, leve e balançando com o vento. presa no pescoço por um cordão bem fininho.
Meu corpo, pesado, se arrasta pelo chão, de casa para o trabalho, do trabalho para casa.
Meu corpo afunda na cama, minha cabeça viaja no tempo. Meu corpo dói, minha cabeça brilha, macia e flexível, enquanto meu corpo rígido quebra sob a pressão.
Minha cabeça pensa e pensa, mas meu corpo parece que se recusa a agir. Minha mente me diz as palavras certas, mas minha boca não se move. A cabeça sabe, aponta para onde ir, mas as pernas e os braços estão imobilizados.
As pessoas vêem o meu corpo, mas a minha mente tem mais cores, mais formas e mais vida do que eu estou conseuindo colocar para fora neste momento. Meu corpo tem censura, é depositário de expectativas frustradas e está cheio de cansaço acumulado. Mas a minha mente é livre e totalmente dona de si. Então, não pare na porta. Se você quiser verdadeiramente me conhecer vai ter que entrar aqui dentro e fazer o grand tour junto comigo pelos cantos dos meus mistérios e das minhas alegrias. Eu sei que é assim que eu gosto de conhecer as outras pessoas.