Você quer que eu escreva sobre o quê? 

Quanto mais eu escrevo, mais idéias de textos eu tenho.
No início eu fiquei muito preocupada, achando que antes do primeiro mês de pastagens no Blog acabar, eu já não teria mais o que dizer. Mas não é muito bem por aí. Quanto mais a gente exercita a criatividade, mais ela comparece.
O problema tem sido o tempo para desenvolver textos e temas mais complexos. Há uns três meses eu entrei em um período de muito trabalho e tem sobrado pouco tempo para mim. Ainda estou tentando me adaptar a esse ano a rotina. Assim que eu regularizar os meus horários, vou colocar algumas idéias em prática. Tem algumas coisas cozinhando aqui na minha cabeça. 
E… Pensando em projetos futuros, posso compartilhar uma coisa louca aqui que eu fiquei pensando com você? Então, sabe esses youtubers e bloguerios cheios de seguidores que fazem enquetes para saber que tipo de vídeos ou textos o público quer? Então, se você quiser fazer alguma sugestão, fique à vontade que eu vou fazer de tudo para entregar!
Um adendo: eu já falei com o meu marido sobre algo desse tipo. Tem uma escritora que eu adoro, ela se chamava Anaïs Nin. Ela escrevia contos eróticos sob encomenda! Eu falei com ele: “Ah! Se eu pudesse viver disso! Alguém me pagar para eu escrever literatura sob encomenda!”. Que coisa, não?!
Mas enfim, no caso do blog ou de um canal no youtube, o que acontece é que a pessoa começa produzindo material sobre um determinado tipo de conteúdo e depois o público vai solicitando e/ou selecionando os conteúdos a partir das enquetes, das sugestões diretas ou dos likes. Se a gente quer se expressar tem que se expressar a partir do que a gente sente, claro, mas também é muito legal interagir com as pessoas que estão acompanhando o trabalho.
Por que não trazer isso para cá também?
Quer que eu escreva ou comente algum tema? Me fala nos comentários a qualquer momento!

Minha primeira aquarela (decente). 

Desde que voltei a escrever tenho sentido uma forte inclinação para diversas áreas artísticas. Tenho feito dança, estou com muita vontade de fazer teatro e tenho me aventurado na pintura com aquarela.
Escrevi um texto recentemente sobre uma pintura que eu gostaria de ter tido habilidade para realizar. Todas as pinturas que eu fiz nesses últimos tempos, infelizmente, me deixaram frustrada.
Com a caneta na mão eu me sinto livre. O pintor se sente livre com o pincel, imagino. Eu com o pincel na mão me sinto uma prisioneira.
Tenho uma imagem na cabeça, uma idéia, mas lá ela fica enclausurada, o pincel e as tintas não me deixam expressá-la.
Ontem, contudo, eu tive o primeiro sentimento de realização com a pintura. Fiz numa oficina com a artista Martha Guevara, a experiência foi maravilhosa!
Ela nos trouxe a proposta de um tema: liberdade. Perguntou o que cada um dos participantes pensava sobre a liberdade, que imagem representava este conceito. As respostas variaram: eu já sou livre, voar, vento, para mim, é andar à cavalo em um campo aberto.
Então, ela pediu que fizéssemos um desenho a partir do que tínhamos conversado. Nossa, meu estômago embrulhou pensando no desastre que seria o meu desenho de um cavalo.
Mas encontrei uma solução recorrendo a técnicas de escrita (que vale também para o cinema e a fotografia) que aprendi nos últimos tempos.
Eis o meu desenho:

A técnica diz respeito ao destaque que o escritor, diretor ou fotógrafo quer dar a um determinado objeto, para onde está voltado o olhar dele e para onde ele quer direcionar o olhar do leitor.

Se eu desenhasse o cavalo, bem aparente, com mais detalhes, no centro do meu desenho, que foi a primeira coisa que me ocorreu, você olharia para o cavalo. O que eu fiz foi simplesmente direcionar a sua atenção para outro ponto da cena. Eu quis te mostrar o cabelo rosa da menina que cavalga voando com o vento em contraste com o céu azul e a xuxinha amarela que o prende. Assim, eu te falo mais alguma coisa da liberdade dessa menina. Ora, ela tem o cabelo rosa. Não é pouca coisa. E, nesse cabelo rosa, ela coloca uma xuxinha amarela, o que chama bastante atenção. Se eu fosse abrindo a cena, você veria o cavalo. Se eu desse para você a cena como um todo, esses detalhes ficariam todos brigando entre si pela atenção do apreciador da obra, alguma coisa importante do que eu quero dizer talvez passasse despercebida.

Bom, mesmo que eu não execute isso tão bem na pintura, fica a dica em relação à narrativa. Quando você for descrever uma cena, é você que orienta o olhar do leitor, você tem que saber o que você quer que ele veja na cena que você está decrevendo.

Ou isso sou só eu racionalizando a minha incapacidade de pintar.  

Improvisação.

Cara, eu não faço a mínima ideia a respeito do que escrever hoje.

Há dias em que tudo falha. Todas as suas estratégias e planos bem pensados e pesquisados e fundamentado… Nada disso funciona e tudo parece desabar.

Chega a hora de improvisar.

Uma voz lá no fundo da minha cabeça fala: “Não está ok improvisar o tempo inteiro”! Concordo.

Mas que fique claro que não me refiro ao improviso como um modo relapso de lidar com as obrigações.

Estou há dois dias pensando no que escrever hoje, no dia 31 de outubro de 2017, e nada me vem à cabeça. Queria escrever alguma coisa sobre Halloween. Mas a história que me veio á cabeça é meio dramática e eu não quero estragar a festa de vocês, portanto o que me resta é escrever sobre a dificuldade de escrever.

Estou surpresa que isso tenha demorado tanto a acontecer. E a minha perspectiva é a de que isso ainda aconteça muitas vezes no futuro.

Então, me resta improvisar usando todas as minhas magníficas habilidades de escrita e as minhas experiências de vida. Vamos ver no que vai dar.

Até porque essa sensação não é nova para mim.

Me lembro como se fosse ontem das incontáveis vezes que eu cheguei na escola com mochila, cadernos e apostilas e encontrei meus amigos apenas com a caneta na mão, pois havíamos adentrado a semana de provas e eu, como de costume, não sabia disso.

Quando eu estava no Colégio GPI, onde estudei todo o meu ensino médio, meus amigos sempre me zoavam quando eu chegava com o material todo na semana de provas. Eles já sabiam que eu estava completamente desinformada. Veja bem, na semana de provas, só tinha a prova mesmo, que fosse uma ou duas, e acabou. Dpois de fazer a prova a gente era liberado. A galera só levava a caneta.

Chegava eu, segunda feira pela manhã no colégio, desavisada. O que eu fazia na prova? Improvisava. Aí, ao longo da semana, eu ia tirando o atraso dos estudos.

Sentava na carteira, olhava para a prova e utilizava todo o meu charme literário e o que tinha ficado das aulas para tentar conquistar uns décimos aqui, um pontinho ali; e, é claro, contava também com um pouco de sorte nas questões de múltipla escolha.

(Até nas provas de matemática, eu descrevia literariamente o meu raciocínio sobre os problemas e as minhas soluções, com medo do professor não entender o primor super elaborado que era o cálculo que eu fazia. As provas de geometria eram as mais loucas, eu já gostava de desenhar, eu criava figuras em cima da figura que vinha na prova e ia intuindo valores para os ângulos, chegando assim, à resposta da questão de um jeito mirabolante que eu tinha que explicar com palavras. Muitas vezes, eu deixava mais de uma alternativa de resposta – uma delas estrategicamente riscada – para tentar confundir o professor. Bons tempos. Nas minhas provas de matemática, uma imagem não era equivalente a mil palavras; pelo contrário, eram necessárias mil palavras para explicar as imagens que eu desenhava).

Minha nossa! Chegava a ser divertido fazer prova. Eu dava asas à minha imaginação.

Minha improvisação, naquela época, não era muito bem fundamentada.

Você já deve ter concluído que, todos os anos, eu ia parar na recuperação.

Eu só virei CDF na universidade. (até hoje eu não tenho certeza do que significa esta sigla, mas… como estamos falando em escola… não pude deixar de lembrar dela).

Minha iluminação foi no terceiro ano do ensino médio. Imagine eu, uma adolescente de dezesseis anos fazendo canto e dança, gostando de ler e escrever. Eu nunca tinha parado par apensar em profissões. Sabe aquelas crianças que falam desde novas: “Quero ser médica!”, “Quero ser veterinária!”. Eu não me lembro de ter tido esse tipo de desejo quando. Eu via muito anime, então, quando alguém perguntava para mim, quando eu tinha dez anos de idade, o que eu queria ser quando eu crescesse eu respondia: “Quero ser andarilha no Japão” (até hoje eu amo Samurai X). E eu levava esse sonho muito a sério. Eu fiz curso de japonês dos dez aos quinze anos e fiz Kung Fu também (embora por bem menos tempo, pois a minha mãe ficava apavorada comigo, pequena e deficiente visual, na aula com todas aquelas outras pessoas enormes que me batiam na hora de lutar em duplas no final).

Eu sempre tive uns sonhos assim meio aleatórios e nunca tinha considerado a sério uma carreira.

Quando eu optei por psicologia, foi muito por influência de pessoas ao meu redor. Eu dizia que queria entender o ser humano e a galera me orientou: “Vai fazer psicologia, então”. Ok.

Nunca me arrependi dessa decisão. Amo a psicologia, mas eu demorei a perceber que ela ia ter que conviver com o amor pela escrita. Não é a pior combinação. Psicologia e escrita andam bem juntas.

De qualquer modo, era necessário passar no vestibular.

No meio do ano, quando eu me decidi pela psicologia, ou seja, quando eu estabeleci um objetivo, eu mergulhei de cabeça. Estava no GPI, tinha aula até domingo do pré-vestibular.

Me lembro de chegar na escola um certo dia e dizer aos meus amigos que eu havia decidido passar na UFRJ. É uma história foda hoje em dia porque deu certo, não é mesmo? Decidi, me dediquei e passei. Ah… que alívio.

Na faculdade eu fui ganha para o mundo intelectual acadêmico e deu no que deu: não consegui sair deste universo até hoje e me faltam ainda mais três anos de doutorado. Vida que segue. Enfim…

Hoje em dia eu ainda improviso. A diferença é que eu me forço a ser muito segura das minhas capacidades intelectuais, coisa que a escola não ajudou a construir (tendo mesmo deixado uma insegurança profunda que se transformou atualmente na Síndrome do Impostor que me aflige. É por isso, e é possível que você tenha estranhado quando eu escrevi, que eu tenho que me forçar a ser segura quanto a minha capacidade intelectual. Autoconfiança intelectual é uma característica que a educação nem de longe estimula e, se bobear, destrói).

Bom, neste novo cenário, improvisar passa a significar adaptar o conhecimento que eu possuo a uma situação inesperada.

Para você ver como isso rende… Um improviso que parte de algum lugar. Gostei dos lugares aos quais eu fui levada por estes devaneios. Acho, inclusive, que podemos ficar por aqui, pois já consegui escrever um bom texto para a postagem de hoje.

geometria.jpg

A misteriosa geração de autores e editoras que só sabem fazer sempre as mesmas críticas aos novos escritores.

São duas as principais críticas aos novos escritores – ou, como dizem os críticos, aos aspirantes a escritores – que me chegaram aos ouvidos: escrever em blogs ou no facebook não faz de ninguém um escritor e que a nova geração de escritores não gosta de ler.

Parece uma sina: o ser humano é eternamente preocupado com o que o colega do lado está fazendo.

Antes de entrar nessa discussão é até bom salientar que eu não cheguei a conhecer este espécime que é o escritor que não gosta de ler. Todos os escritores que eu conheci gostavam e muito de ler. Para ser precisa, os escritores que eu conheci, achavam que não tinham lido o suficiente ainda e não se sentiam autorizados e se autoproclamarem escritores.

Bom, em primeiro lugar, a galera que está por aí escrevendo em blogs e no facebook – sim, eu inclusive – estão quebrando barreiras de vergonha e autocrítica e compartilhando os sentimentos que nos ensinaram a esconder ou negar, que nos disseram que eram errados ou vergonhosos. Isso é muito libertador e unificador também. Isso não faz de ninguém um escritor? Quem tem a fórmula que faz de alguém um escritor? Não estou falando de prática ou técnica, estou falando dessa sensação de que se você não escrever vai explodir, vai ser infeliz para sempre ou murchar até morrer. Da onde vem essa sensação? Muitas vezes, como eu já disse antes, seria até menos sofrido se livrar desse tipo de desejo.

Você pode me dizer: “Tem gente que quer ser escritor por modinha”. Muito mais fácil que essa galera que já é famosa se torne escritor por modinha, do que o cara que rala 40 horas semanais para se sustentar e, no tempo que sobra, escreve por que não pode escolher outra coisa senão escrever.

Na realidade o que tem de sobra é o contrário: gente que escreve para caralho, mas se sente incapaz e desestimulado – não estou falando de mim, quem me dera. Eu estou perseguindo o sonho, mas já esbarrei com muita gente que foi engolido pelo desânimo pelo meio do caminho que, inclusive, escrevia muito melhor do que muita gente sendo publicada por aí.

Há uma escassez de leitores, é verdade. Precisamos todos ler mais, é verdade. Mas no lugar de ficarem ressentidas com o povo, as editoras, especialmente as grandes editoras, deveriam investir muito, muito, muito mais na divulgação da leitura e nos vários, vários e vários novos e bons escritores que estão por aí.

Interessante também o fato de que essa crítica eu sempre ouço de escritores – os consagrados em alguma medida ou os próprios “aspirantes” – ou através de canais ligados a editoras.

Dizem que está difícil achar gente boa para publicar.

A vida do escritor é bastante complicada. Quando você se torna psicólogo, por exemplo, você recebe desde o início, ainda que pouco, e vai praticando e melhorando ao longo do tempo. Vem da sua profissão o seu sustento.

Quando você quer ser escritor não é assim que as coisas funcionam. É um trabalho raramente reconhecido pelo qual você não é remunerado e que demanda bastante.

Mas o que eles querem é que o meio literário seja elitista. Que vigorem as panelinhas intelectuais. Eles querem nos dizer o que ler, quem pode escrever, o que escrever e quem são os escritores de verdade.

O que é reconfortante é que a literatura sempre encontrou um jeito de se marginalizar e vai continuar encontrando enquanto existirem rebeldes que vão ouvir que escrevem mal e vão mandar um foda-se e vão continuar escrevendo ainda que para o público invisível que mora dentro da nossa cabeça.

Enfim, estou com muita raiva agora.  Estou insatisfeita com este texto e não sei se cheguei ao ponto que queria. Mas, como forma de protesto, vou publicá-lo mesmo assim.

O hábito de escrever diariamente. 

Quando decidi escrever diariamente no blog, um dos meus principais objetivos era criar o hábito da escrita.
O que eu queria com esse novo hábito, era conseguir ter a disciplina necessária para escrever um livro.
A princípio fiquei com medo do blog dominar toda a minha dedicação à escrita. Ou seja, eu temia que todo o tempo do qual eu dispunha para escrever seria necessário para produzir o material do blog.
E no início foi assim mesmo que aconteceu.
Tudo que eu escrevia no primeiro mês era para o blog. Não sobrava tempo para escrever nem no meu diário.
Mas esta situação já está começando a mudar.
Logo no segundo mês eu já estava escrevendo mais do que venho publicando diariamente.
Algumas vezes, atualmente, eu começo a escrever um texto e penso: este texto não é do blog, ele vai para o meu livro. Ou: este tema eu vou guardar e trabalhar um pouco mais.
Muito importante observar que eu era aquela pessoa que não estava tendo tempo para nada antes de começar o blog.
Eu vinha me virando em mil pra dar conta do meu trabalho no consultório, as aulas que eu dou de psicologia para a área da saúde, o doutorado e uma pós-graduação em TCC – terapia cognitivo-comportamenal.
Então, eu estava vendo a escrita escapar novamente pelo meio dos dedos no meio desse turbilhão de responsabilidades e compromissos.
Tomar a decisão de transformar a escrita em hábito foi, portanto, fundamental.
O hábito, de fato, tem um poder impressionante.
É difícil de criá-lo e de gerar adaptações na sua rotina, mas quando você decide se comprometer com algo que te faz bem a coisa funciona.
O segredo?
Tomada de decisão, planejamento, implementação e manutenção do novo hábito (e, os ingredientes mais importantes na minha opinião: tolerância consigo mesmo para aceitar suas dificuldades e limitações, uma boa dose de confiança, que você pode conquistar aos poucos, e apoio das pessoas que te amam).
Não afirmo que já passei da fase de ter crises com a escrita. Provavelmente muitas mais virão. Mas eu estarei preparada para enfrentá-las!
E aguardem meu livro!

Sobre a desistência.

 

Desistir é a coisa mais prática que eu poderia fazer neste momento.

Prática. Note que eu não disse fácil.

Às vezes parece que desistir das coisas é a saída mais fácil. Eu não sei como essa ideia nasceu e se solidificou no imaginário popular. As pessoas tendem a dizer que desistir das coisas é fácil. De chamar as pessoas que desistem de fracas. Mas isso não é nem de longe uma verdade absoluta.

Essa ideia perniciosa mantém pessoas que já deveriam ter se separados há muito tempo em péssimas relações interpessoais, pois elas acham que desistir não é a saída. Desistir de fazer uma relação fracassada funcionar é, muitas vezes a melhor saída. Pode impedir que uma mulher apanhe de seu marido algumas vezes.

Desistir de uma graduação que não está te fazendo bem e que não é o que você deseja para o seu futuro para seguir outro rumo pode ser uma decisão muito saudável.

Pode ser que desistir, de fato, não seja uma opção viável em muitas situações (“Como eu vou alimentar meus filhos se eu me separar do meu marido?” ou “Eu não tenho dinheiro para pagar uma nova faculdade”), mas isso não quer dizer que desistir não seria a melhor saída em algumas situações.

Por outro lado, desistir pode sim ser muito ruim. Quando você desiste de perseguir um sonho porque você se sente incapaz de realizá-lo, quando você desiste de lutar pela sociedade que na qual você acredita por falta de esperança de que as coisas vão mudar, quando você desiste de si mesmo porque se acha uma merda.

É esse sentimento de impotência e de falta de confiança em nós mesmos e nas pessoas que temos que conseguir mudar. E não a desistência em si. Temos que continuar desistindo das coisas que nos fazem mal.

Quando desistimos das coisas que amamos, das coisas que nos são caras, o ato de desistir não causa alívio, causa dor. Causa muita dor.

Desistir de coisas que são realmente importantes para você deixa uma sensação de amargo no peito. É um peso enorme carregar a sensação de que você desistiu de uma coisa que era importante para você.

Você, contudo, não é um fracassado, ou fraco, por causa disso, você só nunca foi ensinado a confiar e acreditar em si mesmo. Quase nenhum de nós foi.

Portanto, se você vier me dizer que desistir é fácil; discordo. Mas quanto a ser prático… essa é a maior verdade.

Estou eu aqui, escrevendo, sábado à noite. Nada me impede de simplesmente não escrever.

Certamente seria muito mais prático do que ficar aqui sentada pensando no que escrever, me perguntando se alguém vai ler, me perguntando se as pessoas vão gostar, me perguntando se vão odiar, o que vão pensar de mim, será que isso pode afetar minha carreira profissional etc.

Mas será mesmo que isso é verdade? Será que é mais prático desistir?

Se eu não estivesse escrevendo eu estaria me perguntando que tipo de texto eu poderia estar escrevendo, que universos e personagens eu poderia ter criado, que tipo de escritora eu poderia ter sido.

Talvez essas inquietações e frustrações estivessem diminuindo muito mais a minha qualidade de vida e atrapalhando a execução das minhas tarefas cotidianas. Quando eu estou me sentindo deprimida e frustrada eu não funciono muito bem.

Eu já fiz isso de não escrever por muito tempo (como eu bem já contei para vocês aqui). Agora tenho a impressão de que não posso fazer outra coisa que não escrever. Mesmo quando eu não sei o que dizer, mesmo quando eu estou sem paciência, mesmo quando me dizem que escrever em blog não ajuda ninguém a se tornar um escritor (principalmente se você quiser ser “louvado na academia”).

A vida sem esses grandes propósitos de se tornar alguém admirável seria muito mais agradável e menos estressante.

Alguém que não desiste, alguém que consegue fazer tudo na vida funcionar, estudos, trabalho, família, amigos, yoga, salada, exercícios, lazer, cultura, vida emocional. Foda-se! Essa pessoa não existe.

E está tudo bem com o fato de ela não existir. Essa é a pessoa ideal de uma ideologia de merda. O jovem-adulto, geração saúde, bem-sucedido e inteligente no sentido tradicional e emocional. E, não se esqueça, o ponto fundamental é que você tem que livremente escolher ser todas essas coisas. Você precisa se conscientizar da importância de ser assim. É aí que começa o seu sucesso.

Nesse universo desistir é sinal de derrota.

Qual é a sua desculpa? Se lembra desse slogan?

Parece que “ser alguém na vida” e “ser notado” são os únicos propósitos contemporâneos. Os órgãos de fomento devem pensar assim para nos obrigar a colocar nossos nomes em tantos artigos.

Eu quero que a escrita ocupe outro lugar na minha vida.

Escrevo porque quero escrever e escolho fazer isso no lugar de fazer outra coisa. Essa é uma escolha que eu tenho tido que fazer todos os dias. Às vezes me pergunto no que isso vai dar, quando eu vou parar, em um ano? Dois? Às vezes eu relaxo e sigo o fluxo dos meus desejos.

Essa tem sido uma sensação cada vez mais recorrente para mim. Com o trabalho… Com o doutorado… Com as minhas pendências emocionais.

Resumindo, as únicas coisas que você precisa saber são as seguintes: você tem que desenvolver confiança em si mesmo (essa é, sem dúvida, a lição mais importante); você pode e deve desistir do que estiver te fazendo mal; e não tem problema nenhum no fato de você ser um jovem-adulto, geração saúde, bem-sucedido e inteligente no sentido tradicional e emocional, contanto que você saiba que o seu coleguinha do lado não está errado se ele não fizer essa mesma opção, porque você não é o dono da verdade, você apenas possui certos valores, que não são eternos nem imutáveis, dos quais nem todas as pessoas compartilham.

 

A dificuldade de desabafar na internet.

Eu gostaria que o texto de hoje funcionasse como um desabafo. Mas enfrento dois problemas sérios.

 

Em primeiro lugar, desabafos para anônimos na internet já são mais do que clichês. Não que eu seja a priori contra os clichês, mas, neste caso específico, não vou conseguir trabalhar esse clichê de uma forma legal. Usar clichês requer do escritor que ele esteja com a cabeça no lugar para raciocinar a respeito do modo como aquele clichê o afeta em particular, ou como a situação que ele viveu ou vive no momento é clichê ao mesmo tempo em que retém suas particularidades, o que a torna interessante. Assim, ele pode falar do clichê de uma maneira minimamente singular (como a releitura de Édipo Rei no filme Incêndios. Vocês viram? Vale muito a pena). Mas esse não é o meu caso agora. Minha cabeça está pesada demais, eu estou irritada demais, cansada demais.

 

Em segundo lugar, eu já tentei fazer esses desabafos na forma de narrativas que eu vomito no papel. Mas eu tenho o péssimo hábito de me envergonhar delas depois. E, apesar de um dos objetivos de escrever no blog seja perder o medo de me expor, eu ainda não me sinto totalmente preparada para isso. Já recebi críticas negativas a respeito do blog e pensei seriamente em desistir (outra coisa que eu preciso desabafar no futuro). Um exemplo de um texto do qual eu me envergonho, que foi feito em um momento de muita raiva, você pode ver aqui.

 

Hoje eu vou me despedir sem saber como desabafar on-line. O importante nessas horas é que eu tenho um celular com o número de um ou dois bons amigos.

Um mês de postagens diárias.

 

Eu não pude deixar de reparar que hoje faz um mês que eu mergulhei de cabeça no projeto de escrever um post por dia no blog.

 

Muita coisa aconteceu na minha vida neste último mês.

 

Acredito que esta nova experiência está me trazendo muitos resultados positivos.

 

E muitas crises também.

 

O que eu posso dizer é que ainda está valendo muito a pena.

 

Fiquei pensando hoje no que me levou a começar a escrever.

 

Eu me lembro de ter começado a escrever as minhas primeiras histórias lá… Nos tempos imemoriáveis do CA.

 

Eu tinha uma amiga chamada Caroline Oliveira de Sá (se vocês a conhecerem, me mandem o facebook dela. Eu já cansei de procurar e nunca encontrei). Eu e ela dividíamos um diário. Cada dia uma levava o diário para casa, escrevia e, no dia seguinte, nós trocávamos.

 

(Essa experiência acabou de me dar uma ideia para uma atividade de journal therapy. Poderia ser uma técnica bacana para promover a reaproximação entre casais passando por momentos difíceis no relacionamento. Se o casal não estier morando na mesma casa, eles podem, cada uma das partes, fazer anotações em um caderno durante a semana, anotações estas que seriam o resultado de reflexões sobre o relacionamento, e os cadernos seriam trocados toda semana. Ou o casal pode ter um caderno em casa para fazer o registro de situações-problema. O registro deverá seguir um modelo: gosto do modelo de crítica XYZ. “Você faz X, que faz com que eu sinta Y e eu gostaria que você fizesse Z”. Muitos casais vão arruinando seus relacionamentos porque brigam logo nos primeiros cinco minutos que se passam depois que eles se encontram em qualquer cenário que seja. Por exemplo, o casal chega em casa do trabalho e, dentro dos cinco minutos após se encontrarem, alguém reclama de alguma coisa. Esse tipo de briga que ocorre logo assim que duas pessoas se encontram é considerado por muitos terapeutas de casais como um elemento extremamente destrutivo para o relacionamento. Fazendo o registro no caderno seria possível mudar esse quadro, aumentando o tempo que o casal demora para começar uma discussão depois de se encontrarem, o que traria efeitos muitos positivos para o casal. Mas… Voltando ao ponto do texto…).

 

Eu e Carol escrevíamos as mais loucas histórias. Até hoje eu lembro de duas. Num dos dias em que eu levei o diário para casa eu escrevi que tinha feito a máquina de escrever da minha avó voar para de baixo da cama. No dia seguinte ela escreveu que ela tinha feito a casa dela voar para a beira de um lago! A ideia era ler mesmo o que a outra escrevia. Tão bom lembrar disso. Mas depois eu comenta mais as reminiscências da infância.

 

Depois veio a fase das cartinhas. Todos aqueles papéis coloridos, canetas cheirosas e as onze ou doze páginas que escrevíamos para todos os amigos e amigas com letras de músicas, descrições do crush, juras de amizade eterna… Isso era lá para a quinta série.

 

Com treze anos eu comecei a escrever histórias de fantasia. Foi só então que eu comecei a ter a sensação de que eu estava escrevendo de fato. Foi por causa de um CD de uma banda que eu amava, chamada RHAPSODY. Eu comecei escrever inspirada pelas músicas dessa banda.

 

Continuei escrevendo durante toda a adolescência. Mais prosa do que poesia. E lendo. O amor pela leitura também já estava solidificado nessa época – mas esse é outra história.

 

Eu tinha muitos amigos que escreviam também. Alguns gostavam de mostrar o que escreviam, como eu (eu era meio estrelinha no fundo e precisava da aprovação das outras pessoas, duas das minhas principais questões emocionais), outros faziam com que você tivesse que ficar implorando uma semana para que eles mostrassem o que tinham escrito.

 

A escrita preenchia os momentos tediosos para os adolescentes presos nas salas de aula dos pré-vestibulares.

 

Ela tinha seu papel na hora de nos ajudar a expressar nossos sentimentos e compreendê-los. Às vezes, contudo, o efeito era o contrário. Eu já cometi a atrocidade de fazer uma “releitura” de uma poesia que uma amiga minha havia feito e ela olhou bem na minha cara e falou “Você não entendeu nada”. Intrigas e compartilhamento de experiências, sonhos e fantasias. Isso era a escrita na adolescência.

 

Por algum motivo, na hora do vestibular, “escritora” não me pareceu uma carreira possível. Fui para a psicologia e depois para o mestrado em filosofia.

 

Por sete anos da minha vida, e minha escrita e a leitura foram dominados pela academia. Por sete anos tudo que eu fazia com o meu corpo e com a minha mente estava a serviço da UFRJ.

 

Até que no último ano do mestrado eu não aguentei mais. Senti uma ânsia incontrolável de voltar a ler literatura sem culpa e a escrever, escrever, escrever muito.

 

Bom, já sabemos a que isso me levou, não é mesmo? Muitos cursos de escrita criativa, muitos livros sobre a arte de escrever, muita literatura e muitos novos projetos literários.

Alquimia da Palavra 

Hoje, eu e a minha parceira de trabalho, ministramos uma oficina de escrita criativa.

Todo o processo de trabalho foi maravilhoso.

Ela, assim como eu, começou a escrever desde novinha. Acabou deixando o sonho de ser escritora de lado na hora de tomar as “decisões sérias” da vida – especialmente a decisão pela carreira. E “escritora” não era uma opção.

Há alguns anos nós duas já estávamos quase sem conseguir respirar sem a escrita na nossa vida. Começamos, então, o trabalho como escritoras com uma incrível potência, como forma de sobrevivência.

Eu sei. Você deve estar pensando: está meio épica demais essa história.
Sim! Exato! Foi super épico. Eu comecei a virar madrugadas lendo e escrevendo, a investir uma grande quantidade de dindin e de tempo nesse processo e a passar por muitos desgastes e provações emocionais para, não só para reacomodar, mas para tornar a escrita o centro da minha vida.

Hoje nós transformamos uma parte do conhecimento que adquirimos em nossa jornada em uma oficina com o objetivo de compartilhar o que aprendemos e de aprender ainda mais com os participantes maravilhosos que recebemos!

A minha amiga e escritora Natalia Avila chegou para mim com a proposta de tema: Vamos fazer uma oficina com o tema Alquimia da Palavra, Olivia. – ela me propôs há dois meses pelo telefone – Seria legal se nós fizéssemos algo juntas!
Eu topei na hora!
Então, começamos o trabalho. Pesquisa, estudo, experimentação com as técnicas que iríamos levar, preparação do material, aluguel do espaço etc. E o nosso bebê nasceu forte e saudável.

Eis o texto de apresentação/divulgação da atividade:

*** O processo alquímico consistia na tentativa de combinar certos elementos para encontrar a fórmula maravilhosa da pedra filosofal, do elixir da vida eterna e da transmutação de metais inferiores em ouro.
Devido a essas características, a alquimia é uma metáfora perfeita para o processo de escrita no qual o escritor usa o material bruto da experiência e da linguagem para criar a obra literária. A obra literária, como resultado do processo alquímico da escrita, é algo que transcende o próprio escritor e se torna universal e enriquecidor para qualquer pessoa. ***

Falamos, a partir do tema proposto, dos quatro elementos que consideramos básicos para a escrita, apresentando técnicas que auxiliam no desenvolvimento de cada um desses aspectos. Tivemos também duas dinâmicas que nos renderam uma história muito interessante no final do dia!

Agradeço ternamente a todos que participaram dessa primeira empreitada e, para os que não puderam estar presentes eu digo:

Palma, palma, não priemos cânico! (não resistiiiiiiiii!!!!)

Teremos novas edições nos próximos meses e vocês serão informados pelo Facebook 😛

Algumas fotos!