Atendendo a pedidos. “Histórias de vida não solicitadas”. 

As pessoas gostam e muito de falar de si mesmas. (Vide eu e meu Blog que versa majoritariamente sobre questões da minha vida cotidiana).
Esse é o segredo para iniciar um relacionamento com qualquer pessoa. Deixe ela falar sobre a vida dela tanto quanto ela quiser, incentive-a, compartilhe um pouco apenas, uma ou outra informação que vá ao encontro do que ela está te falando só para encorajalá-la a falar mais e pimba! Ela vai gostar de você. Se a pessoa falar sobre ela por uma hora, fale de você por um minuto. Esta é a proporção. Você vai conseguir abrir as portas do coração de quem você quiser. Somos todos desesperados para falar de nós mesmos.
E a verdade é que muitas vezes nem é necessário que ninguém pergunte nada.
Eu já perdi a conta do número de pessoas desconhecidas de quem eu sei boa parte da vida. São pessoas que falam em ônibus, em salas de espera de consultório, na mesa ao lado do restaurante.
Como encarar essa situação se não como um sinal de profunda solidão e uma tentativa de se conectar com as outras pessoas e se sentir acolhido?
E aí está a grande armadilha. Junte o nosso desejo desesperado de falar de nós mesmos, com o desejo do outro de falar de si mesmo. Você terá duas pessoas olhando uma para a cara da outra, mas elas estarão conversando cada uma com seus botões. Quem nunca ouviu esse tipo de conversa esquizofrênica? Uma pessoa fala que perdeu a mãe e a outra responde que o filho está indo para a faculdade?
Quase não há comunicação entre as pessoas.
Eu já faço experimentos para comprovar essa teoria há algum tempo. Vira e mexe puxo conversa com pessoas aleatórias na rua.
– Quente hoje, não é mesmo?
– É.
-E essa fila aqui, hein? Você está aqui há muito tempo?
– Ih, minha filha, vou te falar que isso aqui é sempre assim. Olha, eu estou aqui agoniada porque meu filho vem me pegar e ele vem de carro porque ele vai deixar a esposa dele em casa agora na hora do almoço e eu vou estar aqui presa nessa fila e ainda tem tanta coisa para eu fazer hoje que você nem imagina porque a menina que vai buscar os panos vai passar lá em casa…
E por aí vai.
Não vale só para puxar assunto com senhoras em fila de banco não.
Para paquera também serve.
– Ah, é? E como é esse esse trabalho que você faz? E deixa ele discursar pedindo, de vez em quando, que ele explique uma coisa ou outra. Não tem mistério. O outro apenas tem que se sentir especial e importante para você. Qual é o motivo que você acha que leva algumas pessoas a se apaixonarem por seu terapeutas? De quem, diga-se de passagem, elas não sabem absolutamente nada. 

Falar de si mesmo para os outros já nos faz sentir mais próximos do interlocutor. Se este, de fato, se engajar na conversa e escutar atentamente, é gerado um efeito de proximidade apaixonante para que discorre sobre si mesmo. 

Muitas pessoas sentem-se sozinhas e não sabem como iniciar esse uma conversação (tem quem sai falando de si mesmo na esperança de pescar um ouvinte e tem quem quer ouvir mesmo. No caso dos tímidos ou introvertidos geralmente existe essa dificuldade). Quer saber a técnica? Pergunte. Só isso. Como eu disse, esse é o segredo para se iniciar um relacionamento.
Voltando aos casos das histórias de vida não solicitadas, poderíamos nos perguntar se essas pessoas que se expõem tanto são loucas. Isso é falta de noção? Acho que é simplesmente em desejo de se conectar. O que a gente mais precisa na vida é fazer laços, mas somos totalmente estragados e, apesar da nossa maior necessidade ser a de estar em grupo e ter pessoas ao redor,  não sabemos nos conectar tão bem assim. Nos sentimos profundamente solitários. Então acabamos falando de nossa vida com o intuito de atrair as outras pessoas seja por meio de sua admiração, cumplicidade, inveja… Qualquer tipo de laço ainda é melhor do que nenhum laço. 

Não pensa, só vai lá e faz.

Há dois meses a minha rotina ficou tão pesada que eu parei de ir nas aulas de pole dance. Passei um mês só estudando e trabalhando. Quase pirei. Eu fiz isso por anos e anos no passado, mas de uns tempos para cá, como eu já falei com vocês, comecei a mudar muitas coisas na minha vida e hoje em dia já não saberia viver só de obrigações. Então, depois de um mês de massacre eu comecei o curso de desenho. E hoje eu fico muito feliz em dizer que voltei para o pole dance!

Sabe o que me fez sair em primeiro lugar? O horário. Com meus novos compromissos, eu só conseguiria ir na dança oito da manhã! E eu tenho aquela dificuldade para dormir.

Hoje o despertador tocou… Eu cochilei mais dez minutos… Ele tocou de novo e eu fiquei pensando… ponderando… ponderando… os prós e contras de fazer aula de dança considerando como estou sobrecarregada… eu assumiria um compromisso oito horas da manhã… e se eu não conseguir dormir direito ainda por cima…

Aí eu resolvi não ir para a aula.

Imediatamente, contudo, eu pulei da cama. Lembrei do meu marido falando: “Não pensa! Só levanta e vai!” E foi isso que eu fiz. Estavam na minha cabeça as imagens de mim zumbizando (semi-morta de sono) no trabalho, do esforço físico que teria que fazer na aula, das obrigações que eu talvez não conseguisse cumprir depois, mas eu fiquei cantando em voz alta como uma estratégias par anão me prender a nenhum desses pensamentos. Eles estavam ali pairando, mas eu não estava pensando ativamente em nenhum deles. É como quando uma pessoa babaca fica te enchendo o saco e você tem que fingir que ela não existe, sabe? Uma hora ela desiste. É assim que temos que tratar nossos pensamentos quando eles querem nos atrapalhar. Quando tem algo que você tem que fazer, que você sabe que é bom para você, seja levantar para fazer exercícios, seja se declarar para aquela pessoa que você está afim, simplesmente não pense! Só vai lá e faz. Você já está preparada, certamente já pensou o suficiente sobre o assunto, o que falta é fazer. E na hora do “vamos ver” os pensamentos, muitas vezes, nos paralisam.

Muita saudade. 

Eu chorei horrores depois de escrever o texto de ontem. Essa dor de perder alguém que a gente ama é intensa demais. Já fazem quase quinze anos que o meu pai faleceu e eu estou aqui chorando como um bebê.
Eu não quero perder ninguém mais. Ninguém.
Me lembro do filme Lovely Bones. É um filme pavoroso sobre uma menina que realiza um ato heróico de bondade e é assassinada pouco tempo depois. Desmorona a idéia de que quem faz o bem recebe o bem nessa vida. Faço uma analogia com a idéia de que quem já perdeu uma pessoa especial, não deveria ter que passar por isso nunca mais. Mas não é bem assim que as coisas funcionam, não é? Disso eu tenho medo. Pode ser que a vida ainda queira me tirar mais gente. Não, eu digo. Eu não quero que isso aconteça jamais. Que eu morra antes. Mas eu não tenho realmente essa escolha, tenho?

Curtindo um forró.

Minha mãe, quando gosta de um CD, passa uns cinco anos ouvindo exatamente o mesmo CD no carro.
Até a última vez que eu andei com ela, estávamos no Eric Clapton. Às vezes no repeat da música Pretendig.
Hoje eu percebi que, além de passar cinco anos ouvindo o mesmo CD, existe uma outra questão: são só uns quatro ou cinco CDs diferentes que se alternam. Depois de um ciclo, inicia-se outro. Como eu tenho ainda vinte e oito anos, eu não tinha percebido isso.
Tudo começou lá atrás, quando eu tinha uns treze anos. Ouvíamos Fala Mansa. Depois veio a Alcione, lá pelos meus dezoito anos. Passamos para Light House Family, dos meus dezoito aos vinte e três. Por fim, Eric Clapton, dos vinte e três aos vinte e oito.
Qual não foi a minha surpresa quando eu entrei no carro hoje e começou a tocar… Tchan, Tchan, Tchan, Tchan… Fala Mansa!!! Aí eu entendi tudo e muita coisa na minha vida fez sentido!
Eu também escutei sempre as mesmas músicas a vida inteira! E quando eu gosto de una comida, por exemplo, eu como ela uma semana seguida! Se eu pudesse, eu usaria a mesma roupa todo dia.
Não tenho essa questão de enjoar das coisas e querer sempre novidades. Sou bem apegada. Gosto de coisas familiares e repetidas. Entendi hoje o porquê. É de família.

Então, quando eu tiver trinta e três anos lá vai vir de novo:

“Ou ela ou eeeeeeeeeeuuu
É a resposta que eu mais gostaria de ter
Só não faço a pergunta
Pelo medo da falta que voceeeeeeeeeee vai fazeeeeeeeer”.

Era uma vez… Só que não. 

Era uma vez um rei muito rico, belo e poderoso. Seu reinado foi muito logo e próspero, mas seus súditos e os nobres da corte se preocupavam, pois o rei ainda não havia se casado e não tinha herdeiros.
O rei finalmente resolveu se casar com uma jovem princesa de um reinado além-mar.
No entanto, uma feiticeira maligna amaldiçoou a união e, toda vez que a princesa tentava embarcar para encontrar seu amor, uma tempestade terrível impedia sua viajem. Ele resolveu então viajar com seus homens mais valentes para resgatá-la.
Após duras penas, o rei e rainha sentaram-se em seus tronos.
Mas antes que pudessem viver felizes para sempre, o rei foi em busca da bruxa que havia ameaçado a vida de sua amada, para que jamais precisassem se preocupar novamente.
O rei, então, descobriu que cem bruxas malignas se reunião em suas terras para realizar rituais satânicos matando criancinhas e bebendo seu sangue, realizando estes rituais malignos para atrapalhar a felicidade de homens e mulheres tementes a Deus.
Com a ajuda dos anjos o corajoso rei matou noventa e nove bruxas de uma só vez. A centésima ele levou para o seu castelo para servir de exemplo. Lá, ele envios ferros em brasa em sua língua e depois queixou-a viva. E todos os bons cristãos viveram felizes para sempre.

Só que não.

Esse seria mais um conto de fadas bizarro se não fosse uma história real. A história do Rei Jaime IV da Escócia e I da Inglaterra.

Fiquei sabendo dessa história a partir do livro “O Lado Sombrio dos Contos de Fadas”, de Karin Hueck. 

O livro é extremamente interessante, trazendo as versões originais de diversos contos e realizando uma análise de seus conteúdos  a partir dos significados simbólicos e de possíveis relações com eventos históricos reais. 

O fato real narrado no início deste texto, por exemplo,  ilustrativa o modo como os contos de fadas passaram a ser povoados por tantas mulheres malvadas trabalhando sob a influência do demônio. As bruxas começam a se tornar uma ameaça real e constante na vida das pessoas a partir do século XVI, período do reinado de Jaiminho justiceiro. 

Assustador. 

Mas vale muito a pena a leitura. 

Que dia, meu deus, que dia!

Hoje o meu dia começou terrivelmente! Eu saí de manhã para trabalhar com muita antecedência! Eu ia chegar mais ou menos vinte minutos ou meia hora mais cedo. Como eu ia trabalhar hoje dando aula, essa antecedência é perfeita porque eu ligo o computador para passar os slides com calma, tomo um café, respiro profundamente uma ou duas vezes e começo.
Bom, o lugar onde moro fica a uma distância mais ou menos equivalente entre os metrôs da Afonso Pena, Cidade Nova e Estácio. Para Cidade Nova eu geralmente pego um ônibus e desço no ponto seguinte, para a Afonso Pena eu geralmente pego um táxi e dá uns oito reais, para a Estácio o caminho de carro ou ônibus é escroto, então só da para ir a pé mesmo. Como eu vou trabalhar muitas vezes de salto (e hoje era esse o caso), era optar entre as duas primeiras. Bom, vou para a Cidade Nova, pensei, economizar uns trocados. Lá fui eu. Para chegar nesse metrô, tem que subir umas escadas, mas beleza, com peso e salto lá fui eu. São as escadas de uma passarela que passa por cima das pistas da Presidente Vargas no Centro da cidade do Rio que eu tenho que atravessar de um lado a outro para chegar na entrada do metrô. Quando eu chego lá finalmente dou de cara com o metrô FECHADO. Sabe quando passa aquele filme na sua cabeça com uma música melancólica de fundo e você fica ali contemplando a cagada que acabou de fazer? Eu SABIA que a estação fechava nos finais de semana, mas eu havia me esquecido. Fiquei muito, muito, muito enfezada. Voltei já pensando em qual seria a estratégia. Só que me distrai pensando e acabei descendo da passarela na pista errada! Tive que subir as escadas novamente, peso, salto, sol, suor. O terror. Chegando na pista certa, bom pensei em pegar o ônibus e descer na próxima estação de metrô que cruzasse meu caminho (de ônibus direto eu jamais chegaria a tempo). Demorou, mas peguei o ônibus. Desci na primeira estação de metrô que passou. Eu só não me dei conta de que era uma das estações de metrô mais lotadas da face da terra: Central do Brasil. Passaram dois metrôs e eu não consegui entrar. É muuuuita gente. Nessa hora eu ainda comecei a ficar politicamente indignada. O metrô passava de seis em seis minutos! Um intervalo muito grande! E as pessoas, ao invés de xingar as companhias de transporte, o prefeito, governador, presidente, xingam umas às outras e se empurram para fora do metrô com raiva para poder ter a vantagem de não ficar tão tremendamente esmagado por dez ou vinte minutos. E quem tá fora quase soca a pessoa que está dentro para ela abrir espaço. E aí quem sofre é só quem já está ali se fudendo. Enfim… Cheguei para dar aula e, no meio da aula, o computador pifou! Alunos sem slide fica igual a cego em tiroteio. Bom, eu sabia a matéria de cabeça e segui com a aula até a monitora resolver o problema. Passou meia hora mais ou menos. Aí retomei a aula, pulando uns quinze slides que já haviam sido comentados. No final da aula, eu pedi o feedback da turma, e uma garota falou que eu havia pulado uma matéria. Esta matéria havia sido dada sem o apoio dos slides. O resto da turma confirmou que a matéria havia sido dada e a matéria ainda estava no quadro (eu usei o quadro para ir anotando os temas enquanto não tinha o slide como apoio, sinceramente, até prefiro o quadro)! Então, estava tudo lá, matéria no quadro e a turma confirmando que a matéria havia sido dada. Eu fui falar com a menina no final para perguntar se ela queria que eu explicasse só para ela e ela disse que não. Que depois pegava com alguém mas fez questão de completar: “Para mim, você não deu isso”. Argh! O pior é que eu fico me sentindo culpada por ela ter se perdido no conteúdo. Finalmente sai de lá, viva ainda, com a autoestima um pouco abalada, mas inteira.
O que me animou? Eu tinha duas festas de aniversário para ir hoje! Uhu! No almoço eu comi uma comida deliciosa e agora a noite eu já estou na segunda taça de vinho!
Carpe diem!

Dias especiais.

Hoje é um dia especial. Comemoração do aniversário de alguém que eu amo muito.

Fomos jogar boliche. Fiz um sttike logo de primeira, depois não acertei mais nada! Que jogo trágico! E arriscado. Risco de cair a bola no pé, de machucar os dedos, de deslocar o ombro… Mas ficou todo mundo bem, não se preocupe!

Foi um bom exercício, bem divertido e tinha comida! Uma ótima comemoração!

Quanto a mim, claro que a gente cumpre a meta, mas rapidinho porque estão partindo o bolo!

Fica a dica do boliche! É muito legal!

Outras violências.

Ainda no pescoço! Direto no pescoço. Era sempre onde você me atacava. Mas agora tem gente para ver e essas pessoas, essas testemunhas não vão permitir que você me convença, como você fazia quando éramos só você e eu, de que os enforcamentos, os chutes nas costas, os roxos no braço, não eram sinais de violência e agressão física. Você fez muito bem mesmo. Nunca me deu um tapa na cara e por isso conseguiu me fazer acreditar por muito tempo que eu não sofria de violência doméstica. Você se recusou a acreditar. Lá no fundo, eu sempre desconfiei. Você fingia que não existia essa minha desconfiança. Como é para você? Saber que, no fim das contas, você foi traído? Que eu te enganei e te enganei bonito? Que eu aprendi a jogar tão bem o seu jogo que eu pude me mover por entre o pântano que você criou ao meu redor e escapar e esconder um amante bem debaixo do seu nariz? Eu aposto que você se sente completamente estúpido agora. Como é para você saber que eu sou mais inteligente? Que eu tenho mais desejo? Que eu estou mais viva do que você? E, quando por tristeza eu minguava, você adorava. Adorava que eu fosse preguiçosa, adorava que eu estivesse semidesfalecida, jogada na cama enquanto você cuidava da sua vida. Você adorava ter que cuidar de mim, tão fraca, para poder reclamar depois, me punir e se sentir superior. Mas mesmo com a sua presença nociva, seus comentários devastadores, mesmo com o meu mal-estar e seu narcisismo, eu consigo ver agora que você era fraco desde o início. Tão fraco. Fraco, sozinho e amedrontado. A única força que você tinha mesmo era a força bruta dos membros masculinos. Nas pernas e nos braços, no caso, em outros departamentos você tinha a maciez de um marshmallow.

Aniversário de sete meses! (Setemesversário)?

Esta semana eu fiz duas aulas experimentais de desenho.
Meu ano tem sido bastante cansativo, como muitas atividades de trabalho e estudo. Mas eu tenho arrumado um jeito de ter tempo para fazer as coisas que eu amo. Não é fácil não. Tem dias em que estamos exaustos mesmo, eu sei. Use esses dias para relaxar, sem dó. No entanto, é necessário que façamos um esforço continuo para fazer com que as coisas que desejamos aconteçam. Mas com perseverança, elas dão certo. E é por isso que, além do fato de que eu vou encaixar as aulas de desenho na minha rotina, eu também estou comemorando o aniversário de sete meses do blog! Uhu!