Terapia boa pra cachorro.

Todo mundo sabe que os animais são ótimos terapeutas. Eu só não imaginava que eles eram tão bons assim. Mas vê só isso que uma amiga me contou de uma conversa que ela teve com uma mulher aleatória. 
Minha amiga perguntou – Mas e aí, o que aconteceu?
E a mulher respondeu – Menina, ela falou assim para mim: vai lá na quarta gaveta e olha lá, na quarta gaveta de cima para baixo, que você vai ver a prova do que eu estou te falando.
– E o que tinha lá na gaveta?
– Não, não tinha nada na gaveta, mas esse não é o ponto!
– Como assim esse não é o ponto? Não tinha nada na gaveta?
– Não. Mas o que aconteceu foi que eu olhei na gaveta e aquilo me fez um mal que eu tava pensando em me jogar da janela.
– Que isso!
– Pois é! Mas, graças a Deus, o cachorro me impediu. Não me deixou me jogar, não.
– O cachorro?
– É! O cachorro da vizinha! Você precisa de ver! Um amor de bicho. Sabe quando o bicho é mais humano do que muita gente por aí? Então, é o cachorro da minha vizinha.
– Aí foi ele que te salvou?
– Uhum!
– Você tem que ver! Agora toda vez que eu estou chegando no meu apartamento ele fica assim atrás da porta, oh!, abanando o rabo e latindo. Pena que eu não posso ver ele não porque essa vizinha é uma velha chata e não abre a porta, mas eu sei que ele está lá porque eu sinto como ele fica, tadinho. Eu sinto muito essas coisas, sabia? Que nem naquele dia da festa, se lembra? Que o Maurício estava e eu vi na cara dele naquele dia que ele ia ser demitido. Eu não falei com ele antes, né, porque eu não gosto de brincar de Deus, mas eu já sabia.

Depois desse relato louco eu cheguei em casa pensando que eu só queria ter perguntado como o cachorro da vizinha impediu a tal mulher de se jogar da janela. Eu quero esse cachorro para ser meu terapeuta.

Vanessa, não!

Sinto-me completamente abandonada. Meu amor não quer saber de mim. Eu estou aparentemente completamente equivocada. Me sinto maltratada, mas isso é ele que se sente no meu lugar e eu devo ocupar alguma outra categoria de desamados.
Eu quero que ele ceda, ele eu já nem sei mais o que quer. Quero que ele não repita esses absurdos, ele não está nem aí.
Eu me pergunto se ele está sendo violento comigo. Será?
Ele acha que eu sou a violenta.
Ele acha que sou eu que abandono, eu que maltrato eu que não cuido; eu já estou em dúvida. Será que realmente não faço essas coisas?
Me questiono, mas isso não tem efeito nenhum na prática, o que eu quero é mostrar para ele que ele me distrata e eu já não sei mais como fazer isso.
Sempre que tem gente em volta, as pessoas parecem não perceber nada. Ou será que ignoram nosso sofrimento? Desviam os olhares desconcertadas. Aí eu me dou conta, com arrepios, que ele também me ingora. Me tornei invisível, ainda assim é ele que sofre. Tento gritar e espernear e ameaço me matar. Alguém me vê agora? Alguns cochicham: ignora. Ela está fazendo isso só para chamar atenção.
Sim!
Sim!
Por favor!
É de atenção que eu preciso!
Mais atenção, pelo amor de Deus!
Mas quanto mais eu peço atenção, mais ativamente eles me ignoram e vão todos escorregando para longe de mim.
Não! Por favor, não vão embora! Por favor, não me deixem aqui!
Te deixar aí? Mas foi você mesma que se afastou. Com esses suas vozes, essas suas dores, esses seus sofrimentos. Foi você mesma que se condenou.
Mas foram vocês, vocês! Você!
Se você estivesse aqui eu não estaria chorando. Eu não estaria gritando. Eu não estaria invisível. Eu não estaria me matando.
Aí eu fui embora.
E ficou todo mundo bobo. Nossa, eu não acredito que ela fez isso. Alguém sabe o que estava acontecendo com ela?

Pole dance e vida acadêmica.

Eu lia livros da Disney quando era bem novinha. Li muito A Bíblia Para Crianças também. Isso é o que eu me lembro de ler antes dos dez anos de idade.

 

Eu me lembro de já ser, desde cedo, fascinada por livros grossos. Eu cheguei a surrupiar E O Vento Levou da estante da minha mãe e leva-lo para a escola quando eu estava na terceira série (já dá para ter noção de que eu sofri muito bullying quando eu era criança, não é?).

 

Mas, naquela ocasião, eu não cheguei, de fato, a ler o livro, eu só o carregava para cima e para baixo.

 

Comecei a ler livros de mais de vinte páginas ou com mais de quatro linhas em cada página, com dez para onze anos. Foi quando saiu o primeiro livro do Harry Potter. Minha mãe começou lendo para mim de noite, mas ela acabava dormindo rápido algumas vezes e eu ficava morrendo de curiosidade. Comecei a ler sozinha. Não que eu dispensasse as histórias da minha mãe, mas eu até preferia as inventadas do que as lidas de algum livro.

 

Ela inventava histórias do tipo: a formiguinha estava andando pela estrada – aí ela começava a dormir e eu a cutucava, mas não com tanta força para que ela não acordasse completamente e ela continuava – aí o chefe dela chamou ela na sala dele…

 

Eu morria de rir.

 

Enfim, fui do Harry Potter para os livros do Tolkien, daí para as Brumas de Avalon e assim por diante.

 

Não parei de ler até a faculdade. Mas isso eu acho que já contei para vocês.

 

O que ficou de fora é que tinha outra atividade que me acompanhava desde sempre: a dança. Ou o que eu considerava dança.

 

Minha mãe queria que eu fizesse balé e eu não quis de jeito nenhum, até hoje não é o que mais me encanta na dança.

 

Mas eu aceitei fazer jazz e não parei nunca mais de fazer coisas com o corpo até… Adivinha quando… Isso mesmo! Até entrar para a faculdade.

 

Do jazz eu fui para a GRD (ginástica rítmica desportiva), depois para a dança do ventre e a dança cigana, estas últimas eu fiz ao mesmo tempo dos treze aos dezessete anos.

 

Então, quando eu passei para a faculdade de psicologia, não deixei apenas a paixão pela literatura de lado, mas também o meu amor pela dança.

 

Não foi uma morte rápida. Foi uma morte lenta e eu fui insensível a ela. Eu fui sentindo como se a minha antiga vida estivesse se tornando obsoleta, eu fui abraçando um novo estilo de ser e de me comportar como se alguma mudança positiva estivesse acontecendo.

 

Eu me lembro de ter lido O Morro dos Ventos Uivantes durante as aulas de Estatística no terceiro período da faculdade e esse foi um dos últimos livros que eu tinha lido até recentemente, quando este quadro mudou. Eu não me lembro quando foram as minhas últimas apresentações de dança, mas devem ter ocorrido mais ou menos nessa época.

 

Quando eu comecei a me dedicar à escrita e à leitura novamente, a necessidade da dança veio junto.

 

Atualmente eu estou lutando contra a culpa para poder dar conta do meu trabalho, da literatura, da dança e do doutorado em filosofia sem achar que eu estou fazendo pouco em cada uma dessas áreas.

 

É uma loucura isso. Eu ainda tenho que lidar com a mesma armadilha que me prendeu na graduação. “Se a sua vida não se resume única e exclusivamente à academia você não deveria estar no meio acadêmico”.

 

Esta, além de ser uma exigência que nunca vai ser satisfeita (mesmo as pessoas que mais se dedicam aos estudos que eu já conheci estão insatisfeitas e acham que deveriam estudar mais), é uma exigência falsa.

 

Não é verdade que você não pode ter uma vida fora da academia para ser alguém intelectualmente. Para fazer algum tipo de trabalho que importe.

 

O livro da Carolina de Jesus vale muito, muito, muito mais do que muita tese que está por aí mofando nos porões das bibliotecas acadêmicas.

 

Atualmente eu estou fazendo dança do ventre e pole dance (que é muito difícil e maravilhoso!) e isso me faz mais bem do que qualquer livro do Kant que eu já tenha lido. E olha que ele foi um dos dois principais autores que eu estudei no mestrado. Eu sinto que ele deveria ser mais importante na minha vida, mas ele, infelizmente, não é.

 

A vida acadêmica tem um alto potência para ser massacrante, com chances de se tornar um relacionamento abusivo.

 

Mas eu estou desviando novamente do que eu consigo falar hoje, que é a minha história com a dança.

 

Eu ainda estou cozinhando mentalmente um post sobre a academia além dos dois que eu já postei de que você pode acessar aqui e aqui.

 

Mas agora eu estou um pouco deprê por ter entrado neste assunto.

 

Texto louco esse, não é mesmo? Às vezes é ruim escrever desse modo: imaginando que eu estou em diálogo com alguma pessoa sem programar o texto (eu vou escrevendo e imaginando um interlocutor que responde e comenta o cada tópico). Isso acontece porque eu estou escrevendo todo dia e às vezes não tenho tempo para preparar os textos como eu gostaria. Uma das desvantagens de ter como meta a publicação de um post por dia.

 

Acho, então, que vou simplesmente encerrar por aqui deixando vocês com o vídeo da minha primeira apresentação no pole dance.

 

Conversão.

Roberto recebeu o sagrado corpo de Cristo das mãos do padre. Voltou em silencio até o banco onde estava sentado. A hóstia colada no céu da boca começava a se desmanchar, aos poucos, soltava pedacinho por pedacinho. Fazia cócegas na garganta, pensou, mas se conteve, imaginando que deveria ser pecado pensar uma coisa dessas. O resto da missa correu como sempre, demorada. Roberto foi embora depois da bênção final que ouviu já da porta da igreja, empurrando outros fiéis que disputavam o lugar mais abaixo no início da escada, mas também não tão baixo a ponto da bênção não o alcançar.

Enquanto isso, Jesus Cristo começava a penetrar lentamente em sua carne, a ser absorvido pelo seu corpo. Pele dura, pouco porosa, mas o santo homem persevera.

Jesus Cristo foi direto ao coração de Roberto.

E lá o encontrou assistindo Game of Thrones.

O coração das pessoas, sob o olhar do filho de Deus, não bate nem está cheio de sangue. Quando Jesus entra nos corações ele vê o dono da casa, que geralmente é pego de surpresa, fazendo o que mais aprecia fazer. Um pouco mais adianta de onde se encontra o anfitrião, estende-se um grande corredor, tanto maior quanto aspectos significativos possui o anfitrião em sua vida. Todas as paredes são vermelhas, essa é a única semelhança com o coração tal como nós o conhecemos.

Roberto, como era de se esperar, levou um susto quando viu o visitante e desligou imediatamente a televisão. Lembrava-se que o padre de sua igreja o havia aconselhado a parar de ver a série, por ser pecaminosa; desde então, Roberto passou a se confessar em uma igreja um pouco mais distante, mas para o padre de lá, nunca havia confessado assistir a série. Acreditava que isso minimizava o peso do pecado. Sentia culpa, mas sentia mais desejo.

Jesus vai andando, passa por Roberto, e chega a primeira porta à direita no corredor. Roberto apenas o observa. A presença mágica do filho de Deus o paralisa.

Jesus abriu todas as seis portas, uma a uma, demorou-se, olhou, olhou… em alguma ele chegou a entrar por alguns instantes. Roberto acreditava ver um certo ar de desapontamento na face do mestre. Nas duas faces. Quem me dera fosse numa só! Recriminou-se pela piada, puro efeito do nervosismo.

Roberto ouviu ao longe a voz de Jesus cumprimentado Natália. Na outra porta estava Carolina. E a voz de Jesus ressoa novamente. Olá, Carolina. Havia sido muito difícil para Roberto traçar a linha divisória entre as duas. Antes elas ficavam na mesma porta. Mas com os anos pegou prática.

Estavam acabando as portas.

Jesus não demorou muito mais para voltar ao pequeno hall onde Roberto se encontrava. Se olhássemos toda essa estrutura de cima, identificaríamos uma forma parecida com o buraco das fechaduras onde enfiamos as chaves, desenhado caricaturalmente.

Jesus voltava segurando um pequeno pé de abacate. O que é isso, Jesus? Roberto ficou curioso. Isto é o único fruto bom das suas últimas ações. Este brotinho aqui nasceu do abacate que você comprou e levou junto com algumas outras compras para a casa de sua mãe. O caroço foi plantado no quintal dela.

É Jesus, é assim mesmo. A vida está difícil. Muito trabalho, todo mundo perdendo o emprego, está tudo caro… E, com todo respeito, senhor, o senhor não tem ajudado muito, não é?! Jesus conteve o desapontamento. Do que você está falando, meu filho? Estou falando, Jesus, de todas as orações que eu tenho feito ultimamente. Roberto, eu não ouvi oração nenhuma sua! Faça agora o seu pedido que eu te atenderei. É meu filho, senhor. Que tem ele? Jesus, é claro, já sabia como aquela história acabaria. Mas se deleitava com a vivência de suas predições. O que te preocupa é a solidão que seu filho está sentindo, Roberto? Não é exatamente isso, Jesus. O senhor sabe que estou muito desapontado com ele. É bom que ele pense nas escolhas que ele está fazendo. O que eu queria era que não houvesse necessidade para nada disso, entende? Roberto, isso que você pediu não é oração que se faça! Ignorei, solenemente. Roberto… Não, Jesus, não diga mais nada. Vou resolver as coisas do meu jeito então. Ah…! Isso você não vai! Disse Jesus em toda a sua tirania de Deus do antigo testamento. Empurrou Roberto com tanta força, que ele cruzou a parede do coração, desceu pelo finalzinho do esôfago até o estômago, passou aos intestinos, uma parte sua saio nas fezes, o que ainda dava para aproveitar deu uma circulada pelo corpo e saiu depois pela urina.

Só Jesus restou no corpo do pecador.

Roberto estava terminando de almoçar a essa altura. Dalí em diante ele mudou. Radicalmente. Obra do demônio aos olhas de sua família e sua comunidade.

Roberto virou militante comunista, feminista, LGBT e do movimento negro. E passou a defender o uso da violência contra a repressão das forças do Estado.

 

“A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”.

Claro. Qualquer texto sobre vingança tem que começar com esta frase. Se não, não se trata de um texto sério.

Estou fazendo alguma piada? Não.

Eu ouvi o Seu Madruga repreender o Chaves por querer dar uma martelada na cabeça do Quico afirmando que: “a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”.

Mas… em outras trocentas vezes, o Chaves fazia merda, o Quico reclamava, a Dona Florinda acudia e achava que a culpa só podia ser da “gentalha”, ela batia no Seu Madruga – a gentalha – e este ia atrás do Chaves e dava um cascudo nele enquanto vociferava: “é tudo culpa de quem?!”. E eu ficava: “whaaaaat?”.

Eu recebi mensagens confusas do Chaves durante a minha infância em relação a essa história de vingança. Afinal, é bom ou ruim?

Fiquei anos me debatendo, em crise de consciência, por conta dos desejos de vingança que me assolavam e os perdões que eu não conseguia emitir.

Eu realizei vários tipos de vingança ao longo da vida:

– eu já escrevi coisas horríveis a respeito de certas pessoas nos meus diários;

– eu já escrevi o nome da pessoa que eu não gostava em uma folha de papel e queimei a folha;

– eu já surrupiei pequenos objetos de lojas para me vingar do sistema capitalista;

– eu já falei mal de alguém pelas costas;

– eu já esfreguei mentalmente os meus feitos na cara de outras pessoas, imaginando;

– eu já escrevi textos com finais horríveis para pessoas horríveis.

– eu traí meu “companheiro” em relacionamentos pretensamente amorosos.

Bom, essas dentre outras coisas. E depois de cada uma delas eu me sentia um pouco mal e um pouco bem.

Várias lições de moral ficavam ecoando na minha cabeça e me deixando tonta e com mais raiva.

Já tentei perdoar também. Repetir mantras positivos, desejar o bem a quem me fez o mal. Me prometeram que perdoar significava se livrar dos sentimentos negativos e seguir adiante com a própria vida, quem sabe até esquecer. Foi então que eu aprendi que perdoar é difícil para caralho, ou eu tenho uma mega de uma falha moral de nascença que me impede de conseguir perdoar.

Com o tempo, contudo, o que eu pensava sobre perdão e sobre vingança mudou completamente.

Existem vários graus diferentes de intensidade e de repercussão do comportamento vingativo e do perdão também.

Eu sei que eu já me vinguei muito nessa vida e eu me lembro mais das vinganças em si – que foram prazerosas ou emocionantes – do que do acontecimento ou da pessoa de quem eu estava me vingando. Simplesmente não é verdade que a vingança consome a pessoa que quer se vingar. Às vezes ela alivia a sua frustração e o seu sentimento e você pode seguir em frente com a sua vida. E quanto ao perdão, algumas vezes é tão difícil perdoar, é necessário fazer tanto esforço para conseguir perdoar, que você acaba se sentindo consumido pelo fato que não sai da sua cabeça, além de se sentir incapaz e essencialmente mau por falhar na tarefa de perdoar quem te ofendeu.

Categorizar tanto a vingança quanto o perdão como algo simplesmente bom ou ruim é um erro. Nada nesse mundo é tão preto no branco. (Se a sua mente já foi parar nos psicopatas, segura! Eu não vou falar sobre isso neste texto. Prometo um para o futuro).

A vingança pode ser positiva e o perdão pode acabar sendo negativo.

Sim!

O problema é que quando pensamos em vingança logo imaginamos algo bastante sanguinário e violento. A vingança, na maioria das vezes não é assim. A vingança pode ser simples e libertadora.

Primeiro podemos dividi-la entre pública ou privada.

A vingança pública ocorre quando nossa ação vingativa tem efeitos diretos ou indiretos sobre outras pessoas: por exemplo, quando você fala mal de outra pessoa ou quando você dá um soco em alguém.

A vingança privada ocorre quando você realiza algum tipo de ritual privado que satisfaz o seu desejo de vingança: por exemplo, falar mal de uma pessoa em seu diário.

Afirmo que a vingança privada é saudável e tem um potencial para desencadear algum efeito maléfico próximo do zero.

Quanto ao primeiro tipo de vingança ao qual me referi, a vingança pública, precisamos ainda categorizá-la quanto ao grau de impacto que ela causa.

Acredito que ela tem cinco graus de impacto no que diz respeito a publicização em si da vingança. De mais leve para o mais grave esses graus seriam: a sua ação afeta a pessoa que é alvo da sua vingança, mas ninguém jamais descobre ou fica sabendo, nem mesmo a própria pessoa (por exemplo, aquela vingança mítica em filmes de Hollywood de cuspir no copo de outra pessoa. A pessoa foi afetada, pois vai beber o seu cuspe, mas ela nunca vai saber. Nem ela nem ninguém). No segundo grau, outras pessoas ficam sabendo da vingança, mas não aquela que é alvo da ação (quando se fala mal de alguém pelas costas). No terceiro grau, a pessoa fica sabendo da vingança de que foi alvo, mas as outras pessoas não (quando você xinga uma pessoa em particular). No quarto grau, a pessoa que é alvo da vingança, bem como terceiros ficam sabendo do que aconteceu (quando você faz um post maldoso no facebook jogando merda no ventilador e dando nome aos bois). Finalmente, no quinto grau, há violência física envolvida na vingança (não importa se se trate de um soco ou de um assassinato).

O quinto grau que eu descrevi acima acredito ser essencialmente mau. Independentemente da gravidade da agressão. Eu sou contra a agressão física na vida real. (Não precisa dizer o óbvio, não é? Lógico que euzinha mesma prefiro levar um soco do que ser assassinada, mas esse é um tipo de relativização que tem a vida como termo de comparação. E não valores morais, como é o caso na discussão sobre a vingança).

A exceção deste quinto item e do caso da violência privada, acho que não é tão fácil dizer que a vingança é essencialmente boa ou ruim.

Eu sei, eu sei. Eu apenas desloquei a relação maniqueísta para outro lugar. Isso mesmo. Mas eu acho que assim está certo e do jeito que a gente aprende normalmente está errado.

Mas ainda é necessário, para encerrar o capítulo sobre a vingança, fazer mais uma distinção. As consequências da vingança para a pessoa que a sofre.

Nesse caso eu faria quatro distinções: a pessoa pode defecar e caminhar para a vingança; pode reagir e procurar se vingar da vingança que sofreu; pode sofrer com as consequências da vingança experimentando sentimentos negativos, situação que culminaria no suicídio.

Vale ressaltar que essa distinção se aplica quando se trata de vingança pública, dos graus 3, 4 ou 5.

Nenhuma dessas distinções sobre as consequências para a pessoa que sofre a vingança eu incluiria confortavelmente no meu novo maniqueísmo.

Bom, falta pensar como o perdão pode acabar sendo negativo.

Eu ligo menos para o perdão, então não pensei muito sobre isso ainda. Mas, preliminarmente, o que eu penso é o seguinte: eu só me esforço por perdoar aquelas pessoas das quais eu me sinto incapaz de me vingar.

Quem são essas pessoas? Ou são pessoas que me afetaram tão imensamente que nenhum cenário possível dentro das minhas restrições morais daria conta do sentimento negativo que eu sinto (por exemplo, as pessoas que assassinaram meu pai), ou as pessoas que eu amo e por isso eu sempre quero perdoar.

Me esforçar para perdoar qualquer outra pessoa que não as que se encontram nesses dois extremos sempre me dá mais dor de cabeça do que qualquer outra coisa.

Quando a pessoa está em alguma área entre as duas que eu citei eu me vingo logo e sigo com a minha vida.

Teoria Jurassic Park.

Todo mundo tem um carinho todo especial pelas memórias da infância.

São filmes, desenhos, músicas que nós curtíamos quando éramos pequenos e que, na nossa concepção, são maravilhosos. Clássicos eternos.
Até que….
Encontramos alguém que não compartilhou das mesmas experiências que nós e, para nossa surpresa e indignação, o tal alienígena 👽 fala mal daquilo que toca nossos corações.
Exemplos das minhas paixões de infância no que diz respeito aos filmes (provavelmente todos passavam na Sessão da Tarde ou no Cinema em Casa).

1- Matilda: a menina que eu queria ser, fala sério. A garota era foda. Poderes mágicos e vingança!!! Não tinha como ser melhor.

2- A Princesinha: cara, o que é aquela cena dela atravessando de um telhado para o outro?! Eu torço mais por aquela menina do que pelo o Brasil em final de copa do mundo.

3- Jardim Secreto: duas crianças descobrindo um passado encantado através da exploração de um jardim secreto com direito a rituais impactantes. Final emocionante.

4- A Lagoa Azul: lógico. Precisa dizer alguma coisa? Eu até hoje não sei qual é o um o dois ou o três. Ou quantos filmes tem. Eu sei que são todos maravilhosos. Um é com o velho outro com a mãe… Tem mais algum, gente? Estou em dúvida. Enfim. Amo.

5- Jurassic Park: não podia faltar. Dá nome a minha teoria. Dinossauros maneiríssimos perseguindo pessoas estúpidas (e mulheres de salto, né).

O caso é que meu marido, que tem mais ou menos a minha idade, não viu Jurassic Park quando era criança. Quando eu soube dessa aberração, baixamos o filme imediatamente.
Nós falamos sobre esse assunto por ocasião do lançamento, no cinema, de mais um filme da série. Não podíamos assisti-lo sem ver pelo menos o primeiro filme.
Então eu estava assistindo pela milésima vez o Jurassic Park I super emocionadae torcendo contraditoriamente tanto para os personagens humanos quanto para os dinossauros bonzinhos (porque tem isso no filme, né, dinossauro bom e dinossauro mal). Depois que terminamos de assistir, eu olhei para o meu marido com os olhos brilhantes só para ter minha felicidade destruída: que filme horroso! – Ele falou. Mandei-o a merda. Como você se atreve a falar mal desse filme?!
Desde então, começamos a trocar experiências sobre nossas paixões infantis e ele criou a teoria Jurassic Park.
Segundo essa teoria, existem coisas às quais nos apegamos na infância e que achamos maravilhosas, mas que são, na verdade, muito ruins. De modo que, quando não há esse apego infantil, não vamos, depois de velhos, passar a gostar de certos conteúdos.
Ele conseguiu me convencer. Quando comecei a rever minhas paixões infantis, muita coisa ruim, ruim mesmo, se tornou evidente. Desde falas e personagens extremamente machistas e misóginos até músicas preconceituosas da Disney (vocês já pararam para escutar com calma a música de abertura do Aladin? Dá uma olhadinha – https://www.google.com.br/amp/s/m.vagalume.com.br/disney/aladdin-a-noite-da-arabia.html.amp).

Então, a teoria passou a fazer muito sentido para mim é foi até terapêutico esse processo. Eu realmente passei a caçar e rever certas coisas da minha infância e reavaliá-las.
É um processo de auto-conhecimento que vale muito a pena. Tem coisas que vão te surpreender.
Só por curiosidade…
Uma coisa que meu marido gostava quando era pequeno e que eu achei estúpida é o desenho do Marsupilami. Conhecem? Amam?

O primeiro e mais importante segredo dos relacionamentos bem-sucedidos.

Tem muito conteúdo produzido por aí a respeito de como ter um relacionamento de sucesso.
E, de fato, tem muito dica boa.
Mas o que eu venho reparando é que todo texto inicia com uma ressalva: não existe receita de bolo. Cada casal vai ter que descobrir como encontrar o seu próprio caminho para a felicidade.
Eu concordo com essa ressalva até certo ponto…
Acredito que existe uma dica universal e necessária.

Você só vão conseguir ter um relacionamento bem-sucedido com alguém que vale a pena amar.

É isso aí mesmo que você leu. Tem gente que vale a pena amar e gente que não vale a pena amar. Para ter um relacionamento de sucesso você tem que estar necessariamente com alguém que vale a pena amar.

Como saber se você está com uma dessas pessoas? Tenho que admitir que aí as coisas são um pouco mais nebulosas, mas, ainda assim, é possível traçar algumas balizas bem claras e indiscutíveis.

1- Se a pessoa com quem você está te bater ou ameaçar te bater, ela não vale a pena. Você faz bem em abandoná-la agora.

2- Se o seu “amor” já te xingou ou humilhou a sós ou na frente de outras pessoas: abandone-o. Não vale a pena.

3- Se você está sempre errada nas discussões e acaba sempre pedindo desculpas e prometendo que vai mudar, adivinha?! Não vale a pena.

4- Se seu parceiro “te proíbe” de fazer coisas, termine com ele. Não vale a pena.

5- Se ele te faz se sentir inadequada, se faz você sentir como se ele estivesse fazendo um favor em “te amar”: não vale a pena.

6- Se as coisas que ele faz ou tem (estudo, trabalho, amigos ou família, objetos, planos de vida etc.) são mais importantes do que os suas, termine. Não vale a pena.

7- Se ele acha que é sua obrigação cuidar dele e fazê-lo feliz: abandone-o. Nenhuma pessoa no mundo além de nós mesmos é responsável pela nossa própria felicidade. Vocês tem que ser felizes juntos.

Bom, esses são alguns sinais de que você está com uma pessoa que não vale a pena amar. Se você estiver com uma pessoa dessas, você pode seguir todas as dicas do mundo que não vai adiantar nada, você não vai ter um relacionamento de sucesso. Você vai estar sempre presa em um relacionamento abusivo, no qual vai estar tentando satisfazer as necessidades do outro enquanto você mesma nunca vai estar satisfeita, pois vai se sentir massacrada e injustiça. O seu companheiro também nunca vai estar feliz, porque nunca vai conseguir te dominar completamente. Alguma coisa sempre escapa ao controle do outro (nem que sejam os seus pensamentos, que ele vai tentar controlar, mas vai saber no fundo no fundo que nunca vai conseguir).

“[Ela] me contou”.

Quando eu vi o meu amigo chagando acompanhado de dois amigos dele eu pensei? Meu Deus! É o menino alto! Eu comecei a ficar com medo de que ele tivesse me visto com o cara que eu estava ficando, mas ele nunca comentou nada a respeito disso.

Eu o tinha visto em um canto e ele devia estar lá justamente porque ele era muito alto. Muito, muito alto. Ele nem era tão bonito, eu acho, porque ele não estava chamando a atenção das meninas, mas chamou a minha porque eu mesma sempre fui alta e nunca tinha ficado com um rapaz mais alto do que eu, coisa que ele certamente era.

Mas eu havia tentado trocar uns olhares e ele nem me deu bola, então, quando ele chegou acompanhado do meu amigo eu pensei que aquela era a minha chance.

Nós começamos a dançar e eu me pendurava no pescoço dele e achava aquilo o máximo.

Aí a gente trocou telefone e começou a sair. Foi quando eu comecei a me dar conta de que uma das coisas mais bonitas que existe que é a batida do coração das pessoas. Com ele eu percebi como é maravilhoso simplesmente encostar a cabeça no peito do outro e ouvir o coração batendo. Antes eu era sempre obrigada a estar deitada com a pessoa ou a me curvar toda para ouvir o coração dela batendo. Com ele não é preciso nada disso. É cotidiano por causa da altura. Agora eu estou até fazendo uma pesquisa pessoal sobre o assunto. Eu tenho pedido para ouvir o coração das pessoas e eu percebi que cada pessoa tem uma batida própria. É muito lindo isso.

Semana que vem é o nosso primeiro aniversário de namoro e foi isso que eu pensei em dar para ele de presente, uma gravação com as batidas do coração dele, para que ele possa ouvir como é. Talvez isso com uma carta, falando da história do nosso relacionamento e explicando como isso é significativo para mim. 

“[Ele] me contou”.

Era a este momento que eu gostaria de trazê-lo, leitor. Por isso eu o convidei para que acompanhássemos Ana desde que ela bebeu aquela última dose de cachaça na quarta-feira.

Até agora pudemos ver Ana repetir um velho padrão. Era assim que ela estava há dois anos. Quando apareceram este novo trabalho e esta nova casa as coisas prometiam melhorar. Mas foi precisamente o caminho do novo trabalho para a nova casa que, numa quarta-feira de noite, levou Ana ao encontro da dose que a trouxe aqui, num sábado, três dias depois, a este bar e aos braços deste rapaz. Bonito, é verdade, mas sua beleza não significou nada quando um amigo de Ana se aproximou para cumprimentá-la acompanhado de dois outros homens que ele apresentou a Ana. Foi pelo da esquerda que ela se apaixonou. Será que ele viu que ela estava acompanhada?

Entenda uma coisa leitor, Ana já estava apaixonada pelo homem que chegou a esquerda de seu amigo desde antes deles serem apresentados, mas não havia percebido isso ainda. Não sabia que em breve se sentiria baixa pela primeira vez na vida enquanto se pendurava em seus ombros apenhascados, que poderia recostar a cabeça em seu peito a qualquer hora do dia ou da noite, em pé ou deitada, que ela ouviria o coração dele bater. Quando ela o vira pela primeira vez em um canto, encolhido, um rapaz alto, muito alto, mais alto do que ela própria ela não tinha ainda a mínima ideia de que estaria me contando esta história no nosso primeiro aniversário de namoro e atribuindo àquela abençoada cachaça a nossa união. Mas afirma, hoje em dia, que desde o primeiro momento em que me viu, já estava apaixonada.

Entendi. É só a sua TPM.

  • Ai, amor, não estou afim hoje não.
  • Que que foi, amor? Todo dia isso agor?! Está com dor de cabeça?
  • Da onde você tirou essa ideia? Fica sempre me perguntando isso! Pelo amor de Deus, homem, me escuta para variar! Eu nunca tive uma dor de cabeça na minha vida e você sabe disso!
  • Então qual é a desculpa, amor? Por que você não quer?
  • Parece que é novidade para você. u já falei um milhão de vezes: eu estou insatisfeita com o nosso relacionamento.
  • Como assim?
  • Como assim! Eu já venho falando com você há anos que eu estou infeliz no relacionamento. Agora eu já aturei tudo que tinha para aturar e estou cada vez mais certa de que quero me separar.
  • Lá vem você de novo com isso! Já aturou tanto assim, é? Custa nada então aturar mais um dia.
  • Você está maluco?!
  • Não… Vem cá, amor, vem! Eu estava brincando! Deita aqui. Você não está de TPM não, está? Quando você fica menstruada?
  • Cara, esse é um dos nossos mais graves problemas! Sempre que eu venho dizer algo sério para você, você descarta o meu sentimento. Fica dizendo aí que eu fico assim sempre que estou para ficar menstruada.
  • Ok. Ok. me desculpe. Vem cá deita aqui. Vamos dormir então e amanhã a gente conversa.
  • Nada vai mudar nada amanhã.
  • Eu sei, amor. Ei sei.

***************

  • Ah! Eu não falei! Olha aí! Eu sabia que você estava para ficar menstruada!
  • Uhum. Ok. Tá. Toma aqui.
  • O que é isso?
  • São os papéis do divórcio.
  • Divórcio! Você está maluca?! Desequilibrada?!
  • Querido, eu estou finalmente sã.