Dor de cabeça.
Muita.
A vida toda.
Luz:
Apaga!
Barulho:
Argh…
Pressão insuportável.
Remédios?
Todos.
Solução?
Infelizmente não.
Obrigações?
Como picaretas escavando novos sulcos no meu cérebro.
Categoria: Autobiográficos
Nesta categoria se encontram os textos que foram baseados em fatos reais.
Carta a um amigo.
Estamos todos muito preocupados com você.
Não dê esse susto na gente nunca mais.
Se você nos abandonar, com quem vamos partilhar o sofrimento? Com quem se não com você que sofre mais do que todos nós?
Sem as suas poesias, como vamos nos expressar?
É preciso que você fique.
Sem as tuas musas a nossa arte também não tem sentido.
Se não for você a me lembrar dos decassílabos, quem mais?
Nesse mundo da poesia contemporânea, ninguém as conta mais.
Sem a tua fé tremenda nas certezas matemáticas, o meu mundo se torna incerto e cínico.
Não me fale mais que cortou os pulsos. Pois toda vez os meus sangram junto com os teus.
Não me fale mais de remédios ou do absinto, pois meu estômago se revira e corrói também.
Você quer que morramos todos juntos?
Nós ainda temos muito o que viver, você e eu.
Saiba que é muito cruel o teu grito de socorro.
Mais cruel ainda é saber que você sofre tanto e que nada do que fizemos é capaz e aliviar o teu sofrimento.
Eu sei o que você vai pensar:
– É melhor que eu morra, então, assim eu não causo mais sofrimento a eles.
Eu sei que você sabe lá no fundo que não há nenhum pensamento mais equivocado do que este.
As tuas ameaças são o ferro em brasa que se aproxima e se afasta da nossa pele. A tua morte será a hora em que esse ferro finalmente nos queimará a pele que arderá durante dias e ficará mercada para sempre.
“Sair da vida para entrar na história”. Logo você, tão inteligente, não aprendeu nada com seu professor de história do ensino médio? O suicídio não é a absorção pelo esquecimento, é muito pelo contrário, a sua marca indelével na vida daqueles ao seu redor.
Nos comportamos de acordo com o que pensamos.
Nossas crenças limitantes e nossos pensamentos negativos são capazes de fazer um estrago em nossa vida.
Em 2012 eu recebi uma bolsa de estudos do instituto Goethe para passar um mês na Alemanha fazendo um curso intensivo de alemão.
Fiquei obviamente extremamente empolgada. Primeira viagem internacional, primeira vez que viajaria sozinha, havia recebido um reconhecimento importante ao conquistar a bolsa de estudos.
Eu iria aproveitar ao máximo a viagem! Só tinha um problema. Sempre fui meio anti-social, meio tímida e insegura. Corria o risco de eu viajar muda e voltar calada. Sem ter trocado uma palavra com os colegas de classe, sem fazer novos amigos, sem treinar o idioma.
Não. Não dava para deixar isso acontecer.
Como evitar esse cenário catastrófico?
Simples. Teria que conversar com as pessoas. Só que isso nunca havia sido simples para mim.
Foi uma terapia de choque. Quando eu cheguei em Freiburg, cidade na qual realizaria o curso, pensei: ok. Que desculpa eu tenho para falar com alguém neste momento? Minha consciência retrucou: mas agora? Precisa mesmo? Não dá para esperar um pouco não? Eu respondi veementemente: Não! Tem que ser agora! Virei para o lado e falei (em alemão): com licença, como eu faço para chegar ao local tal? Pronto. Consegui iniciar minha primeira conversa com um casal de alemães! Ou era isso que eu esperava.
O casal a que eu me dirige, era um casal de idosos franceses que sempre iam passar um tempo na Alemanha todos os anos. Por sorte, eu estava com o francês fresco na cabeça naquela época e pude conversar um pouco com eles. Acompanhei-os ajudando com as malas até o hotel onde se hospedariam.
Ao sair do hotel eu estava ainda mais nervosa. Seria necessário puxar assunto com desconhecidos ainda mais uma vez. Fiz de novo. Sem nem pensar. Era uma moça, que era mesmo alemã dessa vez (ufa! Eu já estava ficando sem repertório de línguas estrangeiras). Ela solidarizou muito conigo, pois a filha dela tinha acabado de viajar para a França em condições muito parecidas com as minhas. Ela me ajudou com a minha mala, pagou minha passagem no trem de rua que eu tinha que pegar para chegar ao hostel, me deixou quase na porta.
Depois dessas ocasiões eu ainda puxei assunto com muita gente. Todas as vezes que eu precisava chegar a algum lugar eu pedia ajuda (como desculpa para conversar mesmo, muitas vezes eu já sabia o caminho), puxei assunto com colegas de classe, pedi isqueiro para os jovens na rua etc. Consegui conhecer bastante gente.
Nenhuma das vezes foi fácil iniciar a conversa. Eu tinha que tomar a decisão de “falar e ponto” em todas as vezes que puxei assunto. Eu pensava: se eu não tonar a iniciativa, não vou conversar com ninguém hoje. Eu evitei refletir muito ou pensar no que poderia dar errado. Só pensei no meu objetivo: praticar alemão e conhecer pessoas desse país.
Foi muito bem sucedido o meu propósito na viagem.
E a mudança do meu comportamento foi duradoura.
Eu já havia passado situações desagradáveis por não conseguir falar certas coisas ou puxar assunto com as pessoas, desde ter que jogar comida em restaurante fora porque estava ruim e eu não conseguia reclamar, até ter feito poucos amigos e colegas ao longo da vida.
Eu ainda sou um pouco anti-social e insegura (percebi que não sou tímida, eu apenas parecia tímida por conta desses dois fatores), mas, se eu quiser por qualquer motivo ou precisar falar com alguém atualmente, eu já não tenho problemas.
Esse é o poder das nossas crenças e dos nossos pensamentos negativos. Se eu tivesse dado espaço aos pensamentos que eu calei na Alemanha, não teria conhecido ninguém.
Os pensamentos, depois eu tive tempo de analisá-los com calma, eram: e se eu falar com algum neonazista que odeia sul-americanos e ele me matar? E se eu falar o alemão todo cagado? E se a pessoa me ignorar? E se ninguém gostar de mim? E se não houver nenhum assunto em comum e a situação acabar sendo constrangedora?
No lugar de ceder a estas preocupações eu apenas pensei no que eu desejava e agi de acordo com isso. Mudei o meu comportamento e a flexibilização emocional veio a reboque.
Bodas de Algodão
Hoje eu estou muito feliz!
Estou comemorando uma data muito especial: o meu aniversário de dois anos de casamento.
Vamos comemorar fazendo as coisas que mais gostamos de fazer nesse mundo: comer nossa comida favorita e ver séries na TV.
Eu voltei para casa do trabalho sorrindo sozinha na rua já antecipando a noite.
No total, eu e meu marido estamos juntos há seis anos.
É bastante tempo.
E o bom é que com o passar dos anos eu fico mais feliz com o meu relacionamento.
A sabedoria do senso comum diz que deveria ser ao contrário: que o relacionamento deveria ir se desgastando e os companheiros passando apenas a suportar um ao outro e ficar juntos por conta do que teve de bom no passado, dos filhos, dos impedimentos financeiros da separação, acomodação e por aí vai.
Isso acontece quando você se casa com uma pessoa babaca.
Eu não acredito em alma gêmea, mas eu acreito em pessoas babacas; não fique casada com uma.
Procure alguém que vale a pena amar e você será muito feliz.
Como alguém que se sente cada dia mais apaixonada eu te aconselho: não se contente com alguém que não vale a pena! Você está perdendo o quanto é bom amar verdadeiramente quem está do seu lado. O amor, quando cuidado, cresce. Se o seu está diminuindo, não é mais amor.
Coloca no piloto automático.
Criar hábitos e cumprir tarefas exige de nós, em grande medida, que sejamos capazes de nos colocarmos em uma espécie de piloto automático.
Eu sei que atualmente tem todo esse papo de “Não viva sua vida no piloto automático” e isso está certo. Não é para viver desse jeito mesmo.
Veja bem. Quando dizem que devemos parar de viver nossa vida no piloto automático, estão nos dizendo que devemos parar para pensar o que queremos da nossa própria vida. Não devemos nos deixar levar pelos valores e estilos de vida previamente estabelecidos. Devemos encontrar o nosso próprio caminho. Pode ser que o tradicional “se formar na faculdade, casar e ter filhos” sirva para você, pode ser que não. Em segundo lugar, devemos parar e apreciar, saborear, desfrutar a vida. Prestar atenção aos caminhos que percorremos todos os dias (aos nossos pés), à paisagem da cidade e por aí vai. Devemos encher o nosso dia a dia de mais cores, texturas e sabores!
Saia desse piloto automático que te impede de apreciar a vida e que a domina!
Quando eu digo que para cumprir certas tarefas e criar hábitos devemos ligar o piloto automático, eu falo de outro tipo de experiência. Talvez haja um nome melhor do que piloto automático para ela, mas não me ocorre nenhum agora. Eu me refiro à experiência de fazer as coisas sem pensar.
Quando eu preciso acordar cedo, por exemplo, eu sei que se eu ficar pensando muito, vou me atrasar ou faltar ao compromisso. Quantas aulas eu já não matei de manhã por causa disso. Quando tenho que escrever o trabalho final de uma disciplina a mesma coisa. Se eu ficar pensando muito bate o desespero e eu não escrevo nada. Eu também passo geralmente o dia inteiro pensando no que escrever no blog e nenhuma das ideias que eu tenho me parecem boas, quando chega de noite eu tenho que simplesmente escrever e pronto. Quando tenho que levantar para ir para a aula de poledance, se eu começar a pensar que vou ficar cansada depois da aula, com o corpo doendo etc., eu acabo desistindo de ir.
A primeira pessoa que me alertou para isso foi meu marido. Eu ficava reclamando com ele que eu não conseguia me determinar a levantar da cama de manhã e também não conseguia me determinar a fazer algumas outras atividades. E aí ele me disse que o meu problema era que eu pensava muito. Que eu tinha que simplesmente fazer a coisa e ponto final. Eu achei um ótimo conselho. Pouco tempo depois do meu marido me dizer isso, uma psicóloga amiga minha, que trabalha com propósito de vida e metas, me disse a mesma coisa.
Claro que não é tão simples assim simplesmente parar de pensar e fazer as coisas. E as pessoas normalmente não sabem dar instruções muito detalhadas nessas horas, não é verdade? Mas, enfim, eu já tinha o objetivo, só precisava descobrir os meios para alcançá-lo.
Era necessário então que: quando eu me pegasse pensando muito antes de uma atividade, eu tentasse parar de pensar e fazer a atividade.
Comecei a observar as minhas manhãs.
O despertador toca. Eu já sei que eu tenho a soneca programada para daí a dez minutos. Eu começo a fazer contas: “se eu levantar agora eu vou ter X de tempo antes de sair de casa. Com a soneca, vai ser Y. Eu levo 10 minutos para tomar banho, 10 para comer e mais 10 para terminar de me arrumar. Então dá para esperar a soneca”. Aí o despertador toca de novo e eu volto a fazer contas: “bom, eu ainda estou com muito sono. E se eu pular o café da manhã? Afinal, eu nem estou com tanta fome assim. O que eu ia comer no fim das contas? Uma torrada com café e leite? Isso nem é saudável! Se eu ainda fosse comer uma fruta, talvez eu devesse levantar agora, mas já que eu vou comer besteira. Pão. Nem era para estar comendo pão. Ah, mas eu amo pão. Então, se eu pular o café, eu posso ficar mais dez minutos”.
E assim vai, até eu estar dez minutos atrasada para a obrigação.
É uma ladainha mental que eu comecei a perceber que rolava na minha cabeça. Era preciso dar um basta nisso.
A primeira coisa que eu fiz foi mudar a música do despertador para uma música mais agitada que eu goste de cantar. Acordar prestando atenção na música e saindo de dentro da minha cabeça (não ficar mergulhada nos meus pensamentos negativos, focar na música). Em segundo lugar, precisei prestar atenção aos meus pensamentos e comecei a escrever os diálogos internos que eu tinha nessas horas (como eu demonstrei para vocês ali em cima), para que eu pudesse ter maior consciência deles. Na hora que eles aparecem, eu já consigo identificar e dizer para mim mesma: “você está pensando demais de novo! Só para de pensar e faz. Quer ver, oh, fica cantando essa música aqui”. Aí eu começo a cantar uma música na minha cabeça, para parar de pensar, e vou fazer o que tem que ser feito.
Ainda estou no início do processo. E, por conta do meu ritmo biológico, fazer isso pela manhã é mais difícil. Mas, ao longo do dia, já tem funcionado bem!
Se você é como eu e fica enrolando e procrastinado, cara, só para de pensa. São as coisas que a gente pensa que fazem a gente desanimar. “Eu não vou conseguir tirar uma boa nota nesse trabalho”. Pronto. Você vai enrolar até o último minuto para fazê-lo. “Se eu levantar agora vou ficar com sono o dia inteiro”. Pensando assim, você vai levantar atrasado. E por aí vai.
Tente controlar seus pensamentos. Coloca a tarefa no piloto automático (o bom sentido do piloto automático), vai lá e faz o que você tem que fazer.
Cumprindo metas.
Hoje eu estou passando muito mal. Febre, dor de cabeça, dor no corpo e na garganta e por aí vai. Toda estragada.
Trabalhei o dia inteiro. Sai de casa 07:40 da manhã e cheguei 20h.
Quando cheguei em casa, fiz minha janta, comi e me joguei na cama. Dormi.
Há cinco minutos atrás, acordei desesperada pensando no Blog após sonhar que não tinha postado hoje.
Olha… Poderia ter dado errado. Eu poderia ter dormido direto. Mas meu corpo foi muito sábio.
Sabe quando você dorme no ônibus e acorda na esquina da rua que tem que descer? Pois é.
Por mais este dia, a meta está cumprida.
Nada feito. Ou a falha do método de virar a noite para acertar o sono.
Nada feito. No texto de ontem eu disse que iria testar isso de virar a noite acordada para acertar o sono. E nada feito.
O que eu descobri é que, se você fizer uma pesquisa sobre esse método no Google, vai encontrar várias matérias dando dicas de como conseguir virar a noite acordado – para propósitos de estudo ou trabalho – e opiniões controversas a respeito da validade do método para ajustar o clico de sono.
Achei bizarro essa questão das dicas para virar a noite. Na internet tem todo tipo de dica para todo tipo de coisa idiota.
Seria bom se esses textos fossem políticos: se seu trabalho ou estudo estão te exigindo tanto que você está tendo que virar noites para cumprí-las tem algo errado com seu emprego, sua escola ou sua faculdade.
Eu não estou falando que eu tenho problemas para dormir porque minhas obrigações tem me mantido acordada. Eu faço de tudo durante a madrugada: vejo filmes, séries, exercícios, leio, estudo, refeições etc. Eu tenho toda uma vida de madrugada.
Bom, tentei virar a noite para acertar o horário de sono na esperança, mais uma vez, de que esse fosse o ponta pé inicial para que eu pudesse normalizar a minha rotina, ou seja, adequá-la às exigências sociais de viver durante o dia e dormir durante a noite.
O que aconteceu foi que eu passei o dia exausta. Entre oito e dez horas da noite eu estava quase dormindo, mas segurei com medo de dormir cedo demais e acordar de madrugada. Deitei onze da noite e li um pouco (até porque minha meta de ler duas página por dia, pelo menos, já está em curso). Lá para meia noite me deu uma onda de energia. Eu fiquei na cama lendo, e lendo, e só senti que comecei a relaxar de novo em torno de duas da manhã. Fechei o livro e fui dormir pouco tempo depois disso. E, para completar, não consegui levantar cedo hoje. Estava com muito muito muito sono.
Então, método reprovado na minha opinião. Não serve nem para emergências, pois, mesmo virando a noite no dia anterior, eu não consegui ir dormir cedo e muito menos acordar cedo no dia seguinte.
A psicologia tem apontado que o melhor método para regularizar o sono é a criação de hábitos saudáveis na hora de dormir. Estabelecer uma rotina de sono e mantê-la todos os dias.
Por causa do meu ritmo biológico – eu sinto que o que me atrapalha a dormir cedo é mais do que um mal-hábito, ainda há de se reconhecer que certas pessoas têm um ciclo de sono diferente – eu ainda tenho receio de me comprometer com uma meta em relação ao sono. Acho que eu poderia acabar falhando e sofrer muito ainda por cima.
Deitar na cama e não conseguir dormir, ficar rolando de um lado para o outro, é uma experiência traumática para mim.
Muitas horas da adolescência e da vida adulta passadas desse jeito.
Eu me pergunto, de vez em quando, se é uma questão de ansiedade. Essa é a hipótese que as pessoas mais levantam também: “Será que você não está deprimida ou ansiosa?”. Isso porque dizem que as pessoas que sofrem com ansiedade são aquelas que demoram a pegar no sono, as que acordam antes da hora geralmente são as que sofrem com depressão. Junta as duas coisas, a pessoa dorme mal a noite inteira.
E realmente, quando eu estou na rotina de ir para a cama cedo, eu demoro a dormir, eu acordo durante a noite e eu acordo antes da hora.
Lembro-me de certa vez, quando eu era pequena, eu faria um passeio da escola no dia seguinte. Eu não lembro mais qual foi o passeio, mas eu me lembro de ter acordado durante a madrugada, me arrumado e dormido de novo já pronta para ir para a escola. Foi a primeira vez que eu acordei durante a noite e tive problemas para dormir da qual eu me lembro. Naquela ocasião, estava ligada à ansiedade.
Contudo, eu não me considero uma pessoa ansiosa. Quando tem algum prazo chegando ou alguma ocasião importante, eu sinto ansiedade. Então, eu sou uma ansiosa de ocasiões especiais. Nada demais. Quem não é?
Também não tenho me sentido particularmente triste. Eu sou meio pessimista em relação à condição humana (profundo, não é?), mas isso não caracteriza uma depressão.
Sem contar com o fato de que, e esse é o principal argumento na minha opinião, o meu sono fica mais delicioso quando vou dormir seis da manhã. Quando eu deito em torno das seis da manhã, eu pego no sono imediatamente, eu durmo direto e eu acordo com o despertador, super descansada oito horas de sono depois, duas da tarde. Ou seja, meus problemas de sono desaparecem. Se fosse uma depressão ou ansiedade que eu não estou sendo capaz de identificar, não desapareceria com a mudança do meu horário de sono.
Sinceramente o que me causa mais ansiedade e depressão é a necessidade de dormir cedo.
Quando eu começo a pensar que vou ter que acordar cedo no dia seguinte e que não vou conseguir dormir cedo, que vou ficar com sono o dia inteiro… Nossa! Eu fico realmente muito deprimida e ansiosa.
Ajustando o relógio biológico.
Hoje eu estou cansada demais para escrever.
O texto de ontem sobre o sono foi motivado justamente pela necessidade de começar a ir readaptando o meu horário de sono. A perspectiva de ter que acordar cedo é muito estressante para mim.
Eu passei esta semana inteira em casa sem compromissos e volto a trabalhar no sábado. Ou seja, eu vinha dormindo e acordando tarde e agora preciso voltar a acordar cedo.
Fui de cara no método mais catastrófico: virar a noite para tentar ajustar o relógio biológico. Por isso estou aqui, caindo pelas tabelas.
Será que vai desta vez?
Amanhã eu trago para vocês o resultado do método de virar a noite para ajustar o relógio biológico.
Trocar o dia pela noite.
Meu ciclo de sono, durante as férias, fica completamente regulado.
Isso mesmo. Regulado.
Eu passei a vida inteira lutando contra a tendência de ir dormir tarde e acordar cada vez mais tarde.
Quando não tenho horários fixos e obrigações nas primeiras horas da manhã, meu sono se estabiliza quando eu vou dormir por volta das seis horas da manhã e acordo 14h.
São oito horas de sono perfeitamente bem dormidas.
Quando eu estou na rotina normal, ao longo do ano de trabalho e de estudo, e tenho que acordar cedo, eu sofro muito e os meus problemas aparecem: dificuldade para pegar no sono, sono entrecortado, eu acordo com a sensação de não estar descansada, eu fico sonolenta ao logo do dia.
Eu fico lutando para “regularizar” o meu sono. Deitar dez da noite e dormir até as seis da manhã. Mas, nesse período eu durmo mal. Muito mal. Quando eu inverto, meu pico de energia é entre dez horas da noite e duas da manhã. Quando eu estou deitada tentando dormir neste período é um desespero total!
E eu já tentei de tudo: virar 24 horas sem dormir, ir acordando cada vez mais cedo para ter sono mais cedo etc.
O que acontece é que eu consigo “regular” o sono. Por dois dias. Por mais ou menos dois dias eu durmo e acordo cedo e fico bem. No terceiro dia eu acordo cedo, mas quando chega a noite eu já vou começando a demorar mais para dormir, ou começo a acordar às três horas da madrugada, ou começo a acordar duas horas antes do relógio despertar. Pronto. Aí começa o sofrimento psicológico.
Olha que eu passei a minha vida inteira estudando pela manhã e uma boa parte da faculdade também, atualmente eu trabalho de manhã alguns dias na semana, e meu corpo não se adaptou a esse ritmo.
Quando eu entro de férias, por mais curtas que elas sejam, eu volto a trocar metade do dia (eu acho que a expressão “trocar o dia pela noite”, ou vice-versa, é exagerada, pelo menos para casos como o meu, pois eu não durmo o dia todo) pela noite. Na verdade, se eu passar dois dias da semana sem ter que acordar cedo, eu já atraso o sono e durmo de quatro até as onze horas ou meio dia.
E quando eu troco, eu me sinto ótima. Meus problemas de sono desaparecem. Eu durmo assim que bato a cabeça no travesseiro, eu durmo oito horas direto, acordo descansada e eu não fico sonolenta durante a vigília. Parece que eu tenho mais energia inclusive. Eu aguento dezesseis ou dezessete horas de atividade de boas.
O único problema é que ainda não existem tantas possibilidades, tantos modos de vida, que comportem pessoas que têm o ciclo de sono invertido assim como o meu.
Eu fiquei pensando outro dia… Como eu sou psicóloga, uma boa alternativa seria atender por Skype brasileiros que moram no Japão, por exemplo. Seria uma excelente atividade para mim. Quem sabe no futuro… É algo a se pensar.
O post do dia primeiro.
Fazer a série dos pés foi divertido. Eu ainda estou digerindo a experiência inclusive.
Como este Blog é, acima de tudo, um lugar de experimentação, já estou pensando nos projetos que vão povoá-lo em 2018.
Viramos o ano…
Lá em setembro de 2017 eu não me imaginava no finalzinho do dia primeiro de janeiro de 2018 escrevendo mais um post no Blog, rumo aos quatro meses de publicações diárias. O hábito de escrita está criado.
Já estou pensando nos próximos hábitos que eu quero desenvolver neste novo ano. Pensei em algumas coisas…
1- Continuar escrevendo todos os dias, pelo menos até o dia 13 de setembro, como eu havia estabelecido. Depois eu decido se continuo escrevendo diariamente no Blog ou não. Estou bem confiante de que vou conseguir cumprir este objetivo. A esta altura do campeonato, só algum imprevisto infeliz vai me impedir (como ser assaltada de noite sem ter postado ainda e não conseguir chegar em casa a tempo de escrever e postar o texto antes do dia virar, mas vamos torcer para que isso não aconteça).
2- Ler, pelo menos, duas páginas todo dia. Eu amo ler, mas eu não tenho o hábito da leitura. De vez em quando eu sou dominada pela vontade de ler e acabo um livro em um ou dois dias, outras vezes eu passo uma semana sem ler. Essa é uma coisa que eu gostaria de mexer, sabe? Uma experimentação. Eu não tenho muitos comportamentos habituais ou rotineiros (não conscientemente, pelo menos) e estou querendo desenvolver alguns. Um ótimo é este: ler, pelo menos duas páginas todos os dias. Podem ser mais de duas claro, mas não menos. Não vou colocar nenhuma condição ou restrição: qualquer tema ou área (literária ou acadêmica), qualquer hora, qualquer formato (digital ou impresso etc.).
3- Continuar com a minha rotina de exercícios e incrementá-la. Eu fiz poledance e dança do ventre, cada dança uma vez por semana, o ano passado quase inteiro. Esse ano eu vou continuar com o poledance, mas eu não estou muito satisfeita com o local onde eu estava fazendo dança do ventre, então talvez eu mude esta atividade. Estou pensando em substituí-la pela natação por enquanto. O meu objetivo é fazer exercícios três vezes por semana.
Essas as áreas que eu vou mexer primeiro, pois são acho que elas são meio basais na minha vida. Elas têm grande influência na maneira como eu me sinto em relação a mim mesma.
Já tem outras coisas que eu estou avaliando também. Mas falamos disso mais para frente.
Até porque a minha preocupação em relação às metas e o meu comprometimento com elas não tem nada a ver com o ano novo. O ano novo é sim um bom marco para começar novas atividades ou abandonar hábitos ruins, mas é só uma data simbólica, nada mais. Eu posso colocar as minhas metas em prática a qualquer momento.
A leitura das duas páginas, por exemplo, era uma meta de ano novo, mas eu fiquei empolgada e comecei logo dia 31 de dezembro de 2017!
Como eu falei, metas exigem planejamento. Eu já vinha pensando nesses três objetivos que eu descrevi nesse post há um tempo.
Quando eu decidi colocar a meta do blog em prática, por exemplo, eu já havia me reaproximado da escrita um ano antes.
Quanto a leitura, eu fiz várias experimentações e consultas antes de tomar uma decisão. Eu cronometrei o tempo que eu levo para ler uma página de um livro de literatura e uma página de um livro acadêmico (cheguei a uma média: dois minutos e dez segundos para ler uma página de livro acadêmico e um minuto e meio para um livro de literatura). Comecei a observar qual era meu momento preferido para ler (que é na cama de noite ou em algum café). Pedi opinião para meu marido e uns amigos sobre quanto eles achavam que era razoável ler por dia. Enfim. Fiquei uns três meses experimentando e me decidi pelo esquema que eu já expliquei de duas paginazinhas até porque, eu já falei isso em outros textos, é melhor começar pequeno e ser bem sucedido do que grande e falhar. Quando eu achar que dá para aumentar o número se páginas, farei isso.
Enfim, 2018 começou muito bem, mas eu não sou supersticiosa então isso não quer dizer muita coisa. Apenas que hoje foi um bom dia, e eu sou gata por isso, e que temos muito trabalho pela frente para que possamos construir mais bons dias como esse!
E você está precisando do que para ter mais bons dias?
