Trogloditas machistas brasileiros na copa. 

Não sou hipócrita.
Quando eu viajei para a Alemanha para fazer um intercâmbio de estudo de língua estrangeira, fiquei hospedada no alojamento do Instituto Goethe com jovens de todos os lugares do mundo: russos, gregos, mexicanos, chineses, árabes e por aí vai.
Todos jovens curiosos, cheios de energia, reunidos em um país estrangeiro, sem supervisão, por conta própria, em alguns casos, pela primeira vez na vida, dominados por um grande desejo de aproveitar a vida e fazer muita sacanagem.
Você acha que não me pediram para sambar? Que não pediram para o rapaz indiano falar sobre sexo e o kama sutra? Que não perguntaram para a menina chinesa como se falava todo tipo de indecência em chinês? Óbvio que todas essas coisas aconteceram.
O que se passou com a menina russa e os trogloditas machistas brasileiros não foi isso. Não eram jovens curiosos aproveitando a vida e a própria sexualidade com uma misteriosa estrangeira. Eram idiotas gravando um vídeo com um tom humilhante de uma menina que parecia não saber muito bem o que estava acontecendo.
Sinceramente, quando ouvi falar sobre o conteúdo do vídeo, fiquei na dúvida se era de fato um caso de machismo ou não. O que me contaram foi: “rapazes brasileiros fizeram a menina russa repetir palavrões em português”. Eu pensei: “bom, quando eu viajei para a Alemanha fiz à beça e não teve nada de mais, pelo contrário, pedi que me ensinassem essas indecências. Foi engraçado”.
Foi apenas quando eu vi o vídeo que eu entendi o caso e o porquê da situação ser absurda.
O vídeo tem, de fato, um tom de exposição e humilhação da garota, além do fato dela parecer não entender a dimensão do que está acontecendo. No vídeo, eles dão a entender que estão fazendo um comentário sobre as partes íntimas daquela mulher especificamente; sugerindo que tinham tido algum tipo de contato sexual com ela, e estão dizendo para o mundo “peguei! Essa eu comi”. Coisa que, independentemente de ser verdade (acredito que não era), não seria motivo de vanglória para os babacas. A mulher não tem ali protagonismo nenhum da sua (suposta) experiência sexual com os caras. Ela é um troféu que, assim que é conquistado, perde seu valor. E, sinceramente, não tendo acontecido o ato sexual, eles não estão nem mesmo lidando igual babacas com algo que efetivamente aconteceu, eles estão simplesmente alardeando uma visão machista que tem o único e exclusivo propósito de rebaixar a mulher. Sim. Esse é o ponto principal. O efeito do machismo é que a mulher vale menos em situações de conotação sexual. O homem, na mesmo posição, tende a ser exaltado, a mulher é humilhada.
Ainda digo mais! Esses caras estão mais preocupados em humilhar a garota e fingirem que pegaram, do que em efetivamente desenrolar com ela e buscar a relação e o prazer sexual. Para eles é mais prazeroso e vale a pena se esforçar por uma oportunidade de aparecer para o mundo tratando-a como objeto do que transar com a menina. Isso é pura misoginia.
E fica a lição: meramente sugerir que a mulher teve algum tipo de contato sexual, na sociedade patriarcal, é diminuí-la. Esse episódio reforça essa visão.

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