UM PONTO FORA DA CURVA  

O post de hoje é o relato político, parindo do corpo e da alma de uma mulher que nos fala de experiências e violências muito séries sofrida por milhões de mulheres na atualidade.

Texto extremamente necessário. Que ele nos ajude a refletir e lutar pelas liberdades de todas!

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“Sempre quando questionada, eu digo que não posso comparar minha vivência com a da maioria das mulheres trans no país pois – devido ao meu processo de transição física de gênero ser tardio (iniciado aos 40 anos), pude ter um convívio familiar, concluir o ensino fundamental e médio, estudar e me graduar em uma das melhores Universidades do país, pós graduar em instituição privada reconhecida e me inserir no mercado de trabalho formal, sendo hoje uma profissional bem sucedida.


De acordo com a Ong Transgender Europe, o Brasil é o país onde mais se mata pessoas trans no mundo, no qual aproximadamente 90% das mulheres trans vivem em situação de vulnerabilidade socioeconômica e estão jogadas na prostituição, quase sempre único recurso para poderem sobreviver, pois o mercado de trabalho formal – via de regra, lhes fecha as portas e quem deveria acolher e proteger – a família, costuma ser o primeiro lugar onde as violências se iniciam e, em boa parte das vezes, culmina com expulsão de casa. Sem suporte familiar, a mulher trans dificilmente terá condições de estudar (ambiente escolar é muito hostil), tampouco chegar à Universidade (ambiente não muito amistoso também). Abandonada pela família, sem estudos nem formação acadêmica e levando muita porta na cara do mercado de trabalho, só lhes resta a prostituição, onde são alvo de vários tipos de violências, desde agressões e escárnios verbais até assassinato.


Por ter formação acadêmica e ser uma profissional bem sucedida, sou considerada uma exceção. Claro que não estou imune à tratamento transfóbico, porém – esse tratamento sempre vem de pessoas de meus círculos sociais; até o momento, não tenho registro de transfobia pesada partindo de desconhecidos, salvo um ou outro deboche quando estou de cabelo curto, ocorrência inclusive relatada por amigas e conhecidas mulheres cisgêneras”.
Alexia é graduada em Biblioteconomia pela Universidade Estadual Paulista – Unesp, campus de Marília, Pós-Graduada em Gestão de Marketing pelo Senac-SP, atualmente Bibliotecária Chefe de um Centro Educacional Tecnológico Federal no estado do Rio de Janeiro e transexual.

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