Minha cabeça está como um balão, voando lá em cima, leve e balançando com o vento. presa no pescoço por um cordão bem fininho.
Meu corpo, pesado, se arrasta pelo chão, de casa para o trabalho, do trabalho para casa.
Meu corpo afunda na cama, minha cabeça viaja no tempo. Meu corpo dói, minha cabeça brilha, macia e flexível, enquanto meu corpo rígido quebra sob a pressão.
Minha cabeça pensa e pensa, mas meu corpo parece que se recusa a agir. Minha mente me diz as palavras certas, mas minha boca não se move. A cabeça sabe, aponta para onde ir, mas as pernas e os braços estão imobilizados.
As pessoas vêem o meu corpo, mas a minha mente tem mais cores, mais formas e mais vida do que eu estou conseuindo colocar para fora neste momento. Meu corpo tem censura, é depositário de expectativas frustradas e está cheio de cansaço acumulado. Mas a minha mente é livre e totalmente dona de si. Então, não pare na porta. Se você quiser verdadeiramente me conhecer vai ter que entrar aqui dentro e fazer o grand tour junto comigo pelos cantos dos meus mistérios e das minhas alegrias. Eu sei que é assim que eu gosto de conhecer as outras pessoas.
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Sobre nossos corpos e como amá-los.
Estava experimentando vestidos com duas amigas. Nada muito legal, não. Até que teve um que eu achei que ficou perfeito! Felicidade pura, o vestido não era caro… Até que uma das meninas falou: “Você pode colocar com aqueles shorinhos que comprimem”. “Ou eu posso não colocar com porra nenhuma”, queria eu ter respondido. Mas fiquei quieta e fiz que sim.
Comecei a observar as duas experimentando as roupas que tinham escolhido:
“Esse não ficou muito bom porque eu tenho isso aqui, oh! Esse culote horroroso!”
“E esse aqui? Ficou bom em mim? Não, né? Eu tinha que ser mais alta, sei lá”.
“Ah, gente, esse ficou terrível! Eu tô parecendo um saco de batatas”!
“Ah, eu tinha que ter mais peito para usar isso”.
“Nossa, e essa barriga marcando”?!
Eu poderia continuar escrevendo mais frases autodepreciativas que as mulheres falam a respeito dos próprios corpos.
Eu também tenho meus problemas. Também fui criada nessa nossa cultura doente, não fui? Pois é.
Há algum tempo eu assumi uma resolução: nunca mais falar mal do meu corpo em voz alta. E tem ido muito bem. Quando eu quero criticar alguma coisa em mim, eu a elogio no lugar de reclamar. Essa simples atitude fez coisas maravilhosas pela minha autoestima.
Coomo eu vou odiar meu corpo? É com ele que eu escrevo, desenho, pinto, danço, beijo, abraço… Não tem como não gostar de algo que só me dá alegrias.
De vez em quando meu nariz fica escorrendo e isso me irrita, é verdade, mas… Nem todo mundo é perfeito!
Conheça o Núcleo de Doenças da Beleza.
Estava de bobeira hoje navegando pela internet, quando descobri algo que vale a pena indicar.
O que eu estava fazendo de bobeira na internet? Lendo reportagens com potencial sensacionalista. A reportagem era do blog da revista Super Interessante (vale a pena ler aqui); afirmava-se no texto que os cientistas descobriram que a batata frita é mais saudável do que a batata cozida! Ora, ora… Enfim… Tudo bem que tinham algumas condições lá… Leia a reportagem para ver os pormenores. Recomendo.
Não quero nem me aprofundar neste momento na questão da loucura que está a nossa cultura alimentar… O caso é que, depois de ler esta reportagem (com sangue nos olhos) eu fiquei vendo aquelas chamadas para outros textos que a internet sempre acha que podem me interessar que eu vi outro texto intitulado “Por que achamos que ser magro é bonito?” (veja aqui). Pois é, cutuca que você acha, não é? Dê tempo à internet que você sempre vai achar algo que vai prender a sua atenção. Neste segundo texto foi citado o Núcleo de Doenças da Beleza, coordenado pela psicóloga Joana de Vilhena Novaes. Então, no fim das contas, essa peregrinação pela internet rendeu hoje frutos positivos.
O que eu quero indicar é justamente o canal do Núcleo de Doenças da Beleza no youtube.
“O sujeito que não investe tempo e dinheiro nesse projeto corporal é malvisto pelos seus pares”.
A ditadura da beleza levou o Brasil a ser o segundo país do mundo em número de cirurgias plásticas e o consumidor de metade dos medicamentos para o emagrecimento produzido no mundo. Como se explica isso?
Vale muito a pena dar uma olhada no canal (link) e se tornar mais consciente e crítico a respeito das questões contemporâneas sobre o corpo e a beleza.
“Não cuidar do corpo é entendido como uma falha de caráter”.
Link do vídeo de onde foram retiradas as citações da psicóloga Joana de Vilhena Novaes: https://www.youtube.com/watch?v=PDS_MkvKih4&t=272s.
Você prefere morrer de frio ou de calor?
As sensações térmicas corporais são coisas muito estranhas.
Parece que, pelo menos o meu corpo, não tem memória térmica nenhuma.
Quando eu estou com frio eu fico pensando: “ah, meu deus! Que coisa horrível deve ser morrer congelada. Suas extremidades ficam roxas e dormentes e, se bobear, quebram que nem copo que escorrega da mão enquanto a gente lava louça”!
Nesses momentos, me bate aquele desejo do sol forte de quarenta e cinco graus do Rio de Janeiro na minha testa.
Então, eu saio de algum lugar gelado (recentemente eu passei isso no cinema. Fiquei lá congelando durante o filme e não via a hora de ir para a rua) e vem aquele bafo quente na minha cara, mas, nos primeiros instantes, eu ainda estou tipo: “ah! Que delícia! Eu não sei como eu cheguei a pensar que eu odiava o calor”!
Ok. Só que aí eu ando dois minutos no sol e já estou suada, fedendo, morrendo de sede e me lamentando: “como deve ser algo tenebroso morrer de calor! Você morre fedido, suado, com a garganta seca de sede (infecção urinária no meu caso, porque quando eu fico sem beber água, ela ataca). Que horror! Mil vezes morrer de frio. Dizem que vai só dando sono e você morre em paz”.
Ou seja, minha vida no Rio de Janeiro é uma montanha russa de sentimentos em relação à temperatura.
Seria maravilhoso se o corpo não tivesse problema de memória: “poxa… Eu acabei de passar o maior sufoco… Duas horas nesse frio do caralho. Vou aproveitar aqui agora duas horinhas no sol tranquilo…. De boa… Sem começar a exalar fluidos e odores desagradáveis”.
