Bodas de Algodão 

Hoje eu estou muito feliz!
Estou comemorando uma data muito especial: o meu aniversário de dois anos de casamento.
Vamos comemorar fazendo as coisas que mais gostamos de fazer nesse mundo: comer nossa comida favorita e ver séries na TV.
Eu voltei para casa do trabalho sorrindo sozinha na rua já antecipando a noite.
No total, eu e meu marido estamos juntos há seis anos.
É bastante tempo.
E o bom é que com o passar dos anos eu fico mais feliz com o meu relacionamento.
A sabedoria do senso comum diz que deveria ser ao contrário: que o relacionamento deveria ir se desgastando e os companheiros passando apenas a suportar um ao outro e ficar juntos por conta do que teve de bom no passado, dos filhos, dos impedimentos financeiros da separação, acomodação e por aí vai.
Isso acontece quando você se casa com uma pessoa babaca.
Eu não acredito em alma gêmea, mas eu acreito em pessoas babacas; não fique casada com uma.
Procure alguém que vale a pena amar e você será muito feliz.
Como alguém que se sente cada dia mais apaixonada eu te aconselho: não se contente com alguém que não vale a pena! Você está perdendo o quanto é bom amar verdadeiramente quem está do seu lado. O amor, quando cuidado, cresce. Se o seu está diminuindo, não é mais amor.

Erotomania 

A Erotomania ou Síndrome de Clérambault é a convicção delirante de um indivíduo de que uma outra pessoa está apaixonada por ele.
O transtorno é tema do filme “Bem me quer, mal me quer” que narra a história de uma personagem encenada por Audrey Tautou, Agélique, em sua relação amorosa com Loïc, interpretado por Samuel Le Bihan, como a direção de Laetita Colombani.
A internet está cheia de análises detalhadas do filme do ponto de vista da psicanálise lacaniana (são interpretações carregadas daquele machismo psicanalítico. Eu até tenho curiosidade de estudar a “psicanálise feminista”, mas até lá, o machismo no discurso psicanalítico me enerva. Esse é o caso dos comentários psicanalíticos sobre o filme: todos falam absurdos da psicologia da mulher e da sua posição no amor). Sendo assim, o que me interessa no filme não é a análise psicológica ou psicopatológica, mas os próprios elementos da narração da história. A maneira como o filme é construído.
A construção é genial no sentido de que ela nos faz experimentar a percepção delirante da personagem de maneira absolutamente realista. É apenas em um segundo momento que um jogo de câmeras desvela “o que estava realmente acontecendo”.
Quando ocorre essa virada da narrativa é que percebemos como aquela mulher estava “maluca”.
O fato é que, na vida real, não existe esse jogo de câmeras e estamos todos confinados, condenados à nossa percepção dos acontecimentos assim como a personagem do filme.
A loucura sempre parece essa coisa estranha e distante de nós, mas isso é uma ilusão. Todos nós, loucos e “sãos”, temos os dois pés na loucura. Alguns de nós estão socialmente bem adaptados e outros não. Só isso.
A Erotomania evidencia o fato de que amar alguém é uma loucura. Você se entrega de corpo e alma e começa a confiar em uma pessoa estranha que você conheceu em algum momento da sua vida, você passa a conviver com essa pessoa, conta para ela os seus segredos, baixa a guarda; insiste na relação ainda que, muitas vezes, ela nem seja pacífica. Os casais sofrem, brigam, terminam, voltam a ficar juntos. A gente se apaixona a primeira vista. A gente gosta de umas pessoas e não de outras. A gente ama sem ser correspondido. Mulheres são estupradas, a violência doméstica é alarmante. A gente tem o nosso coração partido. E mesmo assim nós continuamos amando e sentindo essa necessidade sempre premente de amar e ser amado. Se a gente queima a mão no fogo uma vez, a gente não põe a mão lá novamente. No amor essas regras não se aplicam. Toda a nossa lógica voa pelos ares. A gente decide que não vai se apaixonar, que vai passar um tempo sozinho e aí aparece aquela pessoa que faz nossa cabeça girar e de repente, a gente quer estar junto e não mais sozinho. A gente passa horas se perguntando o que ele quis dizer com aquilo sem chegar a conclusão nenhuma, a gente não entende por que ele não ligou ou por que ela me traiu. (Estou trocando o gênero das frases porque todas essas preocupações valem para os dois sexos. Em se tratando de amor, está todo mundo no mesmo barco).
Amar alguém é a coisa mais louca que se pode fazer nessa vida.
E, na vida real, não tem o outro lado da história. Não tem a segunda versão dos fatos. Cada um de nós fica encerrado em sua própria loucura, julgando a loucura alheia.

Coloca no piloto automático.

Criar hábitos e cumprir tarefas exige de nós, em grande medida, que sejamos capazes de nos colocarmos em uma espécie de piloto automático.

Eu sei que atualmente tem todo esse papo de “Não viva sua vida no piloto automático” e isso está certo. Não é para viver desse jeito mesmo.

Veja bem. Quando dizem que devemos parar de viver nossa vida no piloto automático, estão nos dizendo que devemos parar para pensar o que queremos da nossa própria vida. Não devemos nos deixar levar pelos valores e estilos de vida previamente estabelecidos. Devemos encontrar o nosso próprio caminho. Pode ser que o tradicional “se formar na faculdade, casar e ter filhos” sirva para você, pode ser que não. Em segundo lugar, devemos parar e apreciar, saborear, desfrutar a vida. Prestar atenção aos caminhos que percorremos todos os dias (aos nossos pés), à paisagem da cidade e por aí vai. Devemos encher o nosso dia a dia de mais cores, texturas e sabores!

Saia desse piloto automático que te impede de apreciar a vida e que a domina!

Quando eu digo que para cumprir certas tarefas e criar hábitos devemos ligar o piloto automático, eu falo de outro tipo de experiência. Talvez haja um nome melhor do que piloto automático para ela, mas não me ocorre nenhum agora. Eu me refiro à experiência de fazer as coisas sem pensar.

Quando eu preciso acordar cedo, por exemplo, eu sei que se eu ficar pensando muito, vou me atrasar ou faltar ao compromisso. Quantas aulas eu já não matei de manhã por causa disso. Quando tenho que escrever o trabalho final de uma disciplina a mesma coisa. Se eu ficar pensando muito bate o desespero e eu não escrevo nada. Eu também passo geralmente o dia inteiro pensando no que escrever no blog e nenhuma das ideias que eu tenho me parecem boas, quando chega de noite eu tenho que simplesmente escrever e pronto. Quando tenho que levantar para ir para a aula de poledance, se eu começar a pensar que vou ficar cansada depois da aula, com o corpo doendo etc., eu acabo desistindo de ir.

A primeira pessoa que me alertou para isso foi meu marido. Eu ficava reclamando com ele que eu não conseguia me determinar a levantar da cama de manhã e também não conseguia me determinar a fazer algumas outras atividades. E aí ele me disse que o meu problema era que eu pensava muito. Que eu tinha que simplesmente fazer a coisa e ponto final. Eu achei um ótimo conselho. Pouco tempo depois do meu marido me dizer isso, uma psicóloga amiga minha, que trabalha com propósito de vida e metas, me disse a mesma coisa.

Claro que não é tão simples assim simplesmente parar de pensar e fazer as coisas. E as pessoas normalmente não sabem dar instruções muito detalhadas nessas horas, não é verdade? Mas, enfim, eu já tinha o objetivo, só precisava descobrir os meios para alcançá-lo.

Era necessário então que: quando eu me pegasse pensando muito antes de uma atividade, eu tentasse parar de pensar e fazer a atividade.

Comecei a observar as minhas manhãs.

O despertador toca. Eu já sei que eu tenho a soneca programada para daí a dez minutos. Eu começo a fazer contas: “se eu levantar agora eu vou ter X de tempo antes de sair de casa. Com a soneca, vai ser Y. Eu levo 10 minutos para tomar banho, 10 para comer e mais 10 para terminar de me arrumar. Então dá para esperar a soneca”. Aí o despertador toca de novo e eu volto a fazer contas: “bom, eu ainda estou com muito sono. E se eu pular o café da manhã? Afinal, eu nem estou com tanta fome assim. O que eu ia comer no fim das contas? Uma torrada com café e leite? Isso nem é saudável! Se eu ainda fosse comer uma fruta, talvez eu devesse levantar agora, mas já que eu vou comer besteira. Pão. Nem era para estar comendo pão. Ah, mas eu amo pão. Então, se eu pular o café, eu posso ficar mais dez minutos”.

E assim vai, até eu estar dez minutos atrasada para a obrigação.

É uma ladainha mental que eu comecei a perceber que rolava na minha cabeça. Era preciso dar um basta nisso.

A primeira coisa que eu fiz foi mudar a música do despertador para uma música mais agitada que eu goste de cantar. Acordar prestando atenção na música e saindo de dentro da minha cabeça (não ficar mergulhada nos meus pensamentos negativos, focar na música). Em segundo lugar, precisei prestar atenção aos meus pensamentos e comecei a escrever os diálogos internos que eu tinha nessas horas (como eu demonstrei para vocês ali em cima), para que eu pudesse ter maior consciência deles. Na hora que eles aparecem, eu já consigo identificar e dizer para mim mesma: “você está pensando demais de novo! Só para de pensar e faz. Quer ver, oh, fica cantando essa música aqui”. Aí eu começo a cantar uma música na minha cabeça, para parar de pensar, e vou fazer o que tem que ser feito.

Ainda estou no início do processo. E, por conta do meu ritmo biológico, fazer isso pela manhã é mais difícil. Mas, ao longo do dia, já tem funcionado bem!

Se você é como eu e fica enrolando e procrastinado, cara, só para de pensa. São as coisas que a gente pensa que fazem a gente desanimar. “Eu não vou conseguir tirar uma boa nota nesse trabalho”. Pronto. Você vai enrolar até o último minuto para fazê-lo. “Se eu levantar agora vou ficar com sono o dia inteiro”. Pensando assim, você vai levantar atrasado. E por aí vai.

Tente controlar seus pensamentos. Coloca a tarefa no piloto automático (o bom sentido do piloto automático), vai lá e faz o que você tem que fazer.

 

Cumprindo metas. 

Hoje eu estou passando muito mal. Febre, dor de cabeça, dor no corpo e na garganta e por aí vai. Toda estragada.
Trabalhei o dia inteiro. Sai de casa 07:40 da manhã e cheguei 20h.
Quando cheguei em casa, fiz minha janta, comi e me joguei na cama. Dormi.
Há cinco minutos atrás, acordei desesperada pensando no Blog após sonhar que não tinha postado hoje.
Olha… Poderia ter dado errado. Eu poderia ter dormido direto. Mas meu corpo foi muito sábio.
Sabe quando você dorme no ônibus e acorda na esquina da rua que tem que descer? Pois é.
Por mais este dia, a meta está cumprida.

10 camisinhas e uma explicação. 

Havia ali uma pessoa que jogava de nove a dez camisinhas por noite pela janela do apartamento, enchendo a calçada de vizinhos revoltados que se acumulavam para contá-las pela manhã.
Começou com sete ou oito, eles diziam, agora já são dez!
É do apartamento de fulana! Não! Vem do apartamento de ciclano, eu tenho certeza!
Os vizinhos tiravam na sorte quem ia ter de recolhê-las.
Algum tempo se passou e começaram a aparecer pedaços de frango assado no meio das camisinhas usadas.
Olha que abusado! Não tem lixo em casa, não, bastardo?
Os xingamentos pioravam. Cada vez palavras de mais baixo calão. E a revolta dos moradores crescia.
Virou assunto de assembleia extraordinária de condomínio, cuja única pauta era a solução do mistério. Apenas um terço dos condôminos estava na reunião. Não houve meio de determinar quem era o perpetrador da indecência.
Ficou acertado que deveriam se revezar para vigiar a frente do prédio durante toda a madrugada.
A vigília começou no dia seguinte. Dez moradores se voluntariaram. Eles se alternavam, faziam turnos na portaria do prédio olhando para cima. Nada de camisinhas ou pedaços de frango na primeira noite. Nem na segunda ou na terceira, muito menos nas noites seguintes.
Logo, os moradores desistiram da empreitada.
Se acovardou o imbecil!
Uma semana depois, lá estavam as camisinhas, os pedaços de frango, alguns cigarros e uma garrafa de bebida quebrada.
Dessa vez, todos ficaram assustados. Parecia agora que aquilo tudo era obra do coisa ruim. Todos ficaram amedrontados. Nenhuma ação ou revolta aconteceu.
Com o tempo, a lixarada desapareceu.
O caso virou lenda no prédio. Assombração pura e simples ou recado do sujismundo para algum pecador que morava no edifício da pacata rua do Centro da Cidade do Rio de Janeiro. Pacata, porque aos domingos as crianças jogavam bola ali na rua e até pula-pula tinha em ocasiões especiais. As mesas do bar ao lado invadiam um terço da pista e, com os carros parados irregularmente na calçada do outro lado, a rua ficava fechada.
Mesmo com toda a pacacidade local, os moradores acharam que o inimigo do homem tinha parte nas atividades ali realizadas. O mérito estava encerrado. Com o diabo não se brinca. Vamos todos orar em silêncio dentro dos nosso corações.
Depois das festas, dos jogos da final, dos churrascos de domingo… Depois desses eventos a rua pacata ficava imunda. Latinhas de cerveja, pratos descartáveis, talheres e guardanapos. Ninguém ligava.
O problema não era lixo na calçada, eu havia compreendido, é o fato desse lixo ser composto de caminhas usadas. O problema era sexo. E tinha alguém ali fazendo sexo para caramba. E era isso que incomodava a todos.
Os moradores negavam essa interpretação que eu fui comentando com um e outro a meia boca pelos corredores.
Todos discordavam e ficavam revoltados. O problema era o lixo! O planeta! O aquecimento global!
Eventualmente, eu fui acusado de ser o pervertido das camisinhas, apesar do meu apartamento ser de fundos e eu fui escorraçado do prédio.

Nada feito. Ou a falha do método de virar a noite para acertar o sono. 

Nada feito. No texto de ontem eu disse que iria testar isso de virar a noite acordada para acertar o sono. E nada feito.
O que eu descobri é que, se você fizer uma pesquisa sobre esse método no Google, vai encontrar várias matérias dando dicas de como conseguir virar a noite acordado – para propósitos de estudo ou trabalho – e opiniões controversas a respeito da validade do método para ajustar o clico de sono.
Achei bizarro essa questão das dicas para virar a noite. Na internet tem todo tipo de dica para todo tipo de coisa idiota.
Seria bom se esses textos fossem políticos: se seu trabalho ou estudo estão te exigindo tanto que você está tendo que virar noites para cumprí-las tem algo errado com seu emprego, sua escola ou sua faculdade.
Eu não estou falando que eu tenho problemas para dormir porque minhas obrigações tem me mantido acordada. Eu faço de tudo durante a madrugada: vejo filmes, séries, exercícios, leio, estudo, refeições etc. Eu tenho toda uma vida de madrugada.
Bom, tentei virar a noite para acertar o horário de sono na esperança, mais uma vez, de que esse fosse o ponta pé inicial para que eu pudesse normalizar a minha rotina, ou seja, adequá-la às exigências sociais de viver durante o dia e dormir durante a noite.
O que aconteceu foi que eu passei o dia exausta. Entre oito e dez horas da noite eu estava quase dormindo, mas segurei com medo de dormir cedo demais e acordar de madrugada. Deitei onze da noite e li um pouco (até porque minha meta de ler duas página por dia, pelo menos, já está em curso). Lá para meia noite me deu uma onda de energia. Eu fiquei na cama lendo, e lendo, e só senti que comecei a relaxar de novo em torno de duas da manhã. Fechei o livro e fui dormir pouco tempo depois disso. E, para completar, não consegui levantar cedo hoje. Estava com muito muito muito sono.
Então, método reprovado na minha opinião. Não serve nem para emergências, pois, mesmo virando a noite no dia anterior, eu não consegui ir dormir cedo e muito menos acordar cedo no dia seguinte.
A psicologia tem apontado que o melhor método para regularizar o sono é a criação de hábitos saudáveis na hora de dormir. Estabelecer uma rotina de sono e mantê-la todos os dias.
Por causa do meu ritmo biológico – eu sinto que o que me atrapalha a dormir cedo é mais do que um mal-hábito, ainda há de se reconhecer que certas pessoas têm um ciclo de sono diferente – eu ainda tenho receio de me comprometer com uma meta em relação ao sono. Acho que eu poderia acabar falhando e sofrer muito ainda por cima.
Deitar na cama e não conseguir dormir, ficar rolando de um lado para o outro, é uma experiência traumática para mim.
Muitas horas da adolescência e da vida adulta passadas desse jeito.
Eu me pergunto, de vez em quando, se é uma questão de ansiedade. Essa é a hipótese que as pessoas mais levantam também: “Será que você não está deprimida ou ansiosa?”. Isso porque dizem que as pessoas que sofrem com ansiedade são aquelas que demoram a pegar no sono, as que acordam antes da hora geralmente são as que sofrem com depressão. Junta as duas coisas, a pessoa dorme mal a noite inteira.
E realmente, quando eu estou na rotina de ir para a cama cedo, eu demoro a dormir, eu acordo durante a noite e eu acordo antes da hora.
Lembro-me de certa vez, quando eu era pequena, eu faria um passeio da escola no dia seguinte. Eu não lembro mais qual foi o passeio, mas eu me lembro de ter acordado durante a madrugada, me arrumado e dormido de novo já pronta para ir para a escola. Foi a primeira vez que eu acordei durante a noite e tive problemas para dormir da qual eu me lembro. Naquela ocasião, estava ligada à ansiedade.
Contudo, eu não me considero uma pessoa ansiosa. Quando tem algum prazo chegando ou alguma ocasião importante, eu sinto ansiedade. Então, eu sou uma ansiosa de ocasiões especiais. Nada demais. Quem não é?
Também não tenho me sentido particularmente triste. Eu sou meio pessimista em relação à condição humana (profundo, não é?), mas isso não caracteriza uma depressão.
Sem contar com o fato de que, e esse é o principal argumento na minha opinião, o meu sono fica mais delicioso quando vou dormir seis da manhã. Quando eu deito em torno das seis da manhã, eu pego no sono imediatamente, eu durmo direto e eu acordo com o despertador, super descansada oito horas de sono depois, duas da tarde. Ou seja, meus problemas de sono desaparecem. Se fosse uma depressão ou ansiedade que eu não estou sendo capaz de identificar, não desapareceria com a mudança do meu horário de sono.
Sinceramente o que me causa mais ansiedade e depressão é a necessidade de dormir cedo.
Quando eu começo a pensar que vou ter que acordar cedo no dia seguinte e que não vou conseguir dormir cedo, que vou ficar com sono o dia inteiro… Nossa! Eu fico realmente muito deprimida e ansiosa.

Ajustando o relógio biológico. 

Hoje eu estou cansada demais para escrever.
O texto de ontem sobre o sono foi motivado justamente pela necessidade de começar a ir readaptando o meu horário de sono. A perspectiva de ter que acordar cedo é muito estressante para mim.
Eu passei esta semana inteira em casa sem compromissos e volto a trabalhar no sábado. Ou seja, eu vinha dormindo e acordando tarde e agora preciso voltar a acordar cedo.
Fui de cara no método mais catastrófico: virar a noite para tentar ajustar o relógio biológico. Por isso estou aqui, caindo pelas tabelas.
Será que vai desta vez?

Amanhã eu trago para vocês o resultado do método de virar a noite para ajustar o relógio biológico. 

Trocar o dia pela noite. 

Meu ciclo de sono, durante as férias, fica completamente regulado.
Isso mesmo. Regulado.
Eu passei a vida inteira lutando contra a tendência de ir dormir tarde e acordar cada vez mais tarde.
Quando não tenho horários fixos e obrigações nas primeiras horas da manhã, meu sono se estabiliza quando eu vou dormir por volta das seis horas da manhã e acordo 14h.
São oito horas de sono perfeitamente bem dormidas.
Quando eu estou na rotina normal, ao longo do ano de trabalho e de estudo, e tenho que acordar cedo, eu sofro muito e os meus problemas aparecem: dificuldade para pegar no sono, sono entrecortado, eu acordo com a sensação de não estar descansada, eu fico sonolenta ao logo do dia.
Eu fico lutando para “regularizar” o meu sono. Deitar dez da noite e dormir até as seis da manhã. Mas, nesse período eu durmo mal. Muito mal. Quando eu inverto, meu pico de energia é entre dez horas da noite e duas da manhã. Quando eu estou deitada tentando dormir neste período é um desespero total!
E eu já tentei de tudo: virar 24 horas sem dormir, ir acordando cada vez mais cedo para ter sono mais cedo etc.
O que acontece é que eu consigo “regular” o sono. Por dois dias. Por mais ou menos dois dias eu durmo e acordo cedo e fico bem. No terceiro dia eu acordo cedo, mas quando chega a noite eu já vou começando a demorar mais para dormir, ou começo a acordar às três horas da madrugada, ou começo a acordar duas horas antes do relógio despertar. Pronto. Aí começa o sofrimento psicológico.
Olha que eu passei a minha vida inteira estudando pela manhã e uma boa parte da faculdade também, atualmente eu trabalho de manhã alguns dias na semana, e meu corpo não se adaptou a esse ritmo.
Quando eu entro de férias, por mais curtas que elas sejam, eu volto a trocar metade do dia (eu acho que a expressão “trocar o dia pela noite”, ou vice-versa, é exagerada, pelo menos para casos como o meu, pois eu não durmo o dia todo) pela noite. Na verdade, se eu passar dois dias da semana sem ter que acordar cedo, eu já atraso o sono e durmo de quatro até as onze horas ou meio dia.
E quando eu troco, eu me sinto ótima. Meus problemas de sono desaparecem. Eu durmo assim que bato a cabeça no travesseiro, eu durmo oito horas direto, acordo descansada e eu não fico sonolenta durante a vigília. Parece que eu tenho mais energia inclusive. Eu aguento dezesseis ou dezessete horas de atividade de boas.
O único problema é que ainda não existem tantas possibilidades, tantos modos de vida, que comportem pessoas que têm o ciclo de sono invertido assim como o meu.
Eu fiquei pensando outro dia… Como eu sou psicóloga, uma boa alternativa seria atender por Skype brasileiros que moram no Japão, por exemplo. Seria uma excelente atividade para mim. Quem sabe no futuro… É algo a se pensar.

O post do dia primeiro. 

Fazer a série dos pés foi divertido. Eu ainda estou digerindo a experiência inclusive.
Como este Blog é, acima de tudo, um lugar de experimentação, já estou pensando nos projetos que vão povoá-lo em 2018.
Viramos o ano…
Lá em setembro de 2017 eu não me imaginava no finalzinho do dia primeiro de janeiro de 2018 escrevendo mais um post no Blog, rumo aos quatro meses de publicações diárias. O hábito de escrita está criado.
Já estou pensando nos próximos hábitos que eu quero desenvolver neste novo ano. Pensei em algumas coisas…
1- Continuar escrevendo todos os dias, pelo menos até o dia 13 de setembro, como eu havia estabelecido. Depois eu decido se continuo escrevendo diariamente no Blog ou não. Estou bem confiante de que vou conseguir cumprir este objetivo. A esta altura do campeonato, só algum imprevisto infeliz vai me impedir (como ser assaltada de noite sem ter postado ainda e não conseguir chegar em casa a tempo de escrever e postar o texto antes do dia virar, mas vamos torcer para que isso não aconteça).
2- Ler, pelo menos, duas páginas todo dia. Eu amo ler, mas eu não tenho o hábito da leitura. De vez em quando eu sou dominada pela vontade de ler e acabo um livro em um ou dois dias, outras vezes eu passo uma semana sem ler. Essa é uma coisa que eu gostaria de mexer, sabe? Uma experimentação. Eu não tenho muitos comportamentos habituais ou rotineiros (não conscientemente, pelo menos) e estou querendo desenvolver alguns. Um ótimo é este: ler, pelo menos duas páginas todos os dias. Podem ser mais de duas claro, mas não menos. Não vou colocar nenhuma condição ou restrição: qualquer tema ou área (literária ou acadêmica), qualquer hora, qualquer formato (digital ou impresso etc.).
3- Continuar com a minha rotina de exercícios e incrementá-la. Eu fiz poledance e dança do ventre, cada dança uma vez por semana, o ano passado quase inteiro. Esse ano eu vou continuar com o poledance, mas eu não estou muito satisfeita com o local onde eu estava fazendo dança do ventre, então talvez eu mude esta atividade. Estou pensando em substituí-la pela natação por enquanto. O meu objetivo é fazer exercícios três vezes por semana.
Essas as áreas que eu vou mexer primeiro, pois são acho que elas são meio basais na minha vida. Elas têm grande influência na maneira como eu me sinto em relação a mim mesma.
Já tem outras coisas que eu estou avaliando também. Mas falamos disso mais para frente.
Até porque a minha preocupação em relação às metas e o meu comprometimento com elas não tem nada a ver com o ano novo. O ano novo é sim um bom marco para começar novas atividades ou abandonar hábitos ruins, mas é só uma data simbólica, nada mais. Eu posso colocar as minhas metas em prática a qualquer momento.
A leitura das duas páginas, por exemplo, era uma meta de ano novo, mas eu fiquei empolgada e comecei logo dia 31 de dezembro de 2017!
Como eu falei, metas exigem planejamento. Eu já vinha pensando nesses três objetivos que eu descrevi nesse post há um tempo.
Quando eu decidi colocar a meta do blog em prática, por exemplo, eu já havia me reaproximado da escrita um ano antes.
Quanto a leitura, eu fiz várias experimentações e consultas antes de tomar uma decisão. Eu cronometrei o tempo que eu levo para ler uma página de um livro de literatura e uma página de um livro acadêmico (cheguei a uma média: dois minutos e dez segundos para ler uma página de livro acadêmico e um minuto e meio para um livro de literatura). Comecei a observar qual era meu momento preferido para ler (que é na cama de noite ou em algum café). Pedi opinião para meu marido e uns amigos sobre quanto eles achavam que era razoável ler por dia. Enfim. Fiquei uns três meses experimentando e me decidi pelo esquema que eu já expliquei de duas paginazinhas até porque, eu já falei isso em outros textos, é melhor começar pequeno e ser bem sucedido do que grande e falhar. Quando eu achar que dá para aumentar o número se páginas, farei isso.
Enfim, 2018 começou muito bem, mas eu não sou supersticiosa então isso não quer dizer muita coisa. Apenas que hoje foi um bom dia, e eu sou gata por isso, e que temos muito trabalho pela frente para que possamos construir mais bons dias como esse!

E você está precisando do que para ter mais bons dias? 

“Por onde andam meus pés”? Dia 11.

Para o último post da série “Por onde andam meus pés”?, esta, que não é uma foto muito comum de se ver no Facebook. 

Tudo mundo reclama que no face a galera está sempre bonita e niguem tem problema nenhum. Então, aí está. A foto da minha realidade de hoje.
Esse é o pé de quem terminou um artigo científico há quatro horas, conseguiu fazer a ceia da virada do ano e está escrevendo o post da virada no Blog (e gosta de ficar descalça, claro).
Eu, meu marido e os amigos que vão virar com a gente estariam com os pés iguais aos meus se andassem descalços. Minha mãe e minha avó, a mesma coisa. Esse é o pé simbólico de quem trabalha muito e tem que dar conta de um milhão de coisas ao mesmo tempo.
Essa é sempre a lição do ano velho e a promessa do ano novo. Muito trabalho, muita coisa para fazer. Com isso a gente sempre pode contar.
Importante é saber que, independentemente do que acontecer no ano que vem, vai ficar tudo bem.
O único requisito é que você não esconda o que é feio, pelo menos das pessoas mais próximas de você, que você ama e que te amam de volta. Mostre o bonito, mas o feio também faz parte.
Se você é desses que já adora mostrar o feio, vale o contrário: mostre o feio, mas lembre-se de que o bonito também faz parte.

Os caminhos que os meus pés peecorreram neste fim de ano só me mostraram isso: quando a gente presta atenção ao que está acontecendo ao nosso redor, percebemos que a vida não é feita de grandes resoluções, mas de pequenos passos, das pessoas que estão ao nosso redor, das coisas bonitas e feias. 

Se você parar para prestar atenção, vai perceber que as coisas já etão bem do jeito que estão.