Estamos todos falando de mulheres.

Eu acompanho, em termos de redes sociais, apenas o Facebook e o Instagram. E bom, é carnaval.
O que eu mais tenho visto esses dias? Peito e bunda de mulher.
O assunto está em alta. Os peitos da Bruna Marquezine, a bunda da Viviane Araújo e ainda os caracteres sexuais secundários de muitas outras musas.
Tem homens criticando, homens elogiando, mulheres defendendo as musas daqueles que querem encontrar defeitos nelas.
Sinto muito por duvidar, mas nessas horas eu me pergunto se o nosso feminismo está indo para o lugar certo.
Ainda sinto que as discussões têm sido dominadas por homens e estão sempre a serviço do prazer deles.
Mesmo as mulheres que estão defendendo o poder das musas são excludentes em seus discursos. A defesa das musa por muitas mulheres, passa por atacar as mulheres machistas (que existem sim, não discordo), atacando aquelas que fazem alguma alteração cirúrgica em seus corpos.

As mulheres que se submeteram a plásticas e procedimentos de beleza de qualquer ordem ainda são muitas e merecem mais nossa solidariedade do que nossos ataques. 
Muito superficialmente nos contrapomos ao discurso masculino e continuamos atacando umas às outras. Sim, concordamos que existem mulheres machistas, mas usar esse argumento na discussão pública contra homens machistas não é uma boa estratégia. A gente mira no homem e acerta outras companheiras.
Parece que mesmo na hora de atacá-los temos que alfinetar a nós mesmas.
E estamos todos presos na imagem do corpo da mulher. O assunto ainda é o mesmo. As fotos são as mesmas. Muitas mulheres a minha volta ainda estão infelizes com seus corpos, ainda sentem ciúmes de seus namorados e ainda recorrem a procedimentos de beleza de todos os tipos, minhas amigas continuam sofrendo com os babacas do Tinder, continuam querendo um relacionamento e continuam infelizes quando estão solteiras. Mesmo que já saibam que está tudo bem ter celulite.
Parece que racionalmente já sabemos muitas coisas a respeito da libertação feminina, mas ainda não conseguimos agir de acordo, os sentimentos não acompanham os avanços no discurso.
E ainda, parece que se multiplicaram as discordâncias entre as próprias mulheres.
Estou um pouco confusa com o rumo das coisas, sabe?
Parece que nossos esforços não são de união, mas de ataques pontuais a críticas masculinas em relação ao nosso corpo, nosso comportamento sexual. Até onde conseguiremos chegar com essas estratégias. Não estou dizendo que não são estratégias válidas estas, mas elas me parecem muito insuficientes.
O carnaval é um indício de que o capitalismo e o machismo estão conseguindo resistir sem grandes problemas a estes ataques.

Tem muito mais em jogo nessa luta e não temos tempo de falar delas porque ainda continuamos focados naquilo em que sempre estivemos focados: o corpo da mulher.
Por outro lado, a família ainda não está em discussão. A religião não está em discussão. O cuidado das crianças e a maternidade não estão em discussão.
Principalmente, os esforços de união não estão presentes no meu dia a dia.
Recentemente eu me meti em uma briga de casal na rua. Uma cara estava agredindo uma menina. Depois da intromissão minha e do meu marido na briga a menina falou: “Obrigada. Eu sei que você quer ajudar (falando comigo), você deve ser feminista que nem eu, eu sei que o que ele está fazendo está errado, eu conheço a lei Maria da Penha, eu sei de tudo isso. Mas fui eu que fiz merda mesmo aqui, está bem. Fica tranquila”. Nessa hora não tinha mais nada que meu feminismo pudesse fazer e nem o dela fez muita coisa por ela naquele momento. Eu me consolei pelo fato dela já ter ouvido falar na luta, mas falta alguma coisa para o feminismo sair da mente e entrar nos corações.
Eu sei que esse não é o discurso de vitória que tem muita gente cantando por aí. Mas o meu momento é de desesperança.

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