Melhorar dói, não melhorar dói mais. 

Esses insights todos são como pequenos infartos no meu coração.
O que fazer com o conhecimento dessas minhas falhas?
Mas eu não paro de ver coisas que eu posso melhorar.
Às vezes me revolto.
Mas saber nossos pontos fracos é motivo de tristeza ou de alegria?
As tristezas pelas falhas me dilaceram com o peso da distância que ainda tem de ser percorrida.
As alegrias são pelo próprio conhecimento que eu tenho das falhas e a oportunidade de melhorar.
Imagina, minha nossa Senhora, se eu passo essa vida sem saber como ser uma pessoa melhor?! Se eu passo a vida convencida de que o problema são os outros e não eu? Que eu sou a infeliz vítima das feridas impostas? A donzela roubada pela bruxa má que só sabe fazer esperar o príncipe? Eu prefiro arregaçar as mangas e, se eu morresse no cativeiro (já pensou esse cinto de fadas?), não ia ser por falta de tentativa de escapar. Se eu fosse essa pessoa eu seria triste de qualquer jeito, pois essa maneira de ver as coisas dói. Quem coloca seus problemas apenas na conta dos outros e se sente impotente para resolvê-los, sofre. Quem acha que o mundo a persegue e é isso aí mesmo, sofre. A princesa indefesa, sofre.
Eu opto por sempre querer conhecer mais minhas limitações e assumir cada vez mais responsabilidade pelos meus sentimentos e pensamentos, sejam eles bons ou ruins.
Perfeição? Não. Esse não é meu objetivo. Isso nem sequer existe. Mas melhor do que eu era ontem? Aí sim. É isso que eu quero da vida. Ser melhor, mais feliz, mais competente, mais amiga, mais amorosa, mais boa filha.

Psicologia positiva e Coaching: sobre a dificuldade de estabelecer e alcançar metas. 

Como é esse negócio de cumprir metas? Este é um assunto extremamente atual. Todo mundo tem uma meta, seja de malhar três vezes por semana… Melhorar a alimentação… Fazer aquela faculdade ou pós-graduação… Comprar um carro ou apartamento…. E as pessoas estão falhando em cumprir suas metas.
Eu fiz formação em Psicologia Positiva aplicada ao Coaching e atualmente, uma parte importante do meu trabalho no consultório, é o de ajudar as pessoas a estabelecer e alcançar suas metas.
Mas percebemos que trabalhar com metas não é tão fácil assim para muitas pessoas. Nesse texto é justamente essa dificuldade que eu quero abordar.
Por que as pessoas têm tantas dificuldades nesse processo? Alguns dos principais fatores que interferem no alcance das metas são:

1- Mudar os planos no meio do caminho: ao estabelecer uma meta, temos que evitar mudar de idéia é ir até o final. Quando mudamos de idéia muitas vezes não vamos conseguir cumprir a meta, pois nuca vamos investir nela por tempo suficiente. Mas, se você é como eu e não consegue fazer uma coisa só de cada vez, não tem problema. Você pode acumular metas, isso não é a mesma coisa que mudar de meta e abandonar um caminho pela metade.

2- Investir em metas que vão contra seus valores, princípios, propósito: não rola mudar a meta o tempo inteiro, você não vai chegar a lugar nenhum, mas se você escolheu uma meta que está te fazendo miserável, abandone-a, pelo amor de Deus!!! Sem culpa, sem remorso!!! Parte para outra porque essa meta que te traz majoritariamente emoções negativas, vai sugar toda a sua energia e a sua vontade de viver. Então, se este for o caso, desiste. Ok?

3- Reorganize a sua vida levando a meta em consideração: não vai dar certo perseguir uma meta, por exemplo, de ficar mais tempo com a sua família, se você não terminar aquela pós-graduação primeiro. Ou seja, ou seus recursos de tempo e dinheiro são limitados, portanto, seu planejamento de metas deve levar a sua disponibilidade de recursos em consideração. Eu público no Blog todos os dias e estou investindo no meu trabalho no consultório e como professora de pós-graduação. Quero me destacar no trabalho. Essas metas na área de lazer e ocupacional (trabalho e estudo) tomam atualmente grande parte dos meus recursos. Ano que vem, eu vou focar em outras duas áreas da vida. (Só para matar a curiosidade, as áreas básicas da vida são seis: ocupacional, patrimonial, lazer, saúde, espiritualidade, afetivo-emocional). Mas não dá para focar em tudo ao mesmo tempo. Não tem recurso para isso.

4- Falta de motivação: perseguir metas exige sacrifícios e dedicação. Se você não está tão motivado assim, vai ser difícil manter o pique. Então, saber claramente o que você vai ganhar ao atingir a meta e se sentir extremamente atraído por esse resultado é fundamental. Eu quero muito, muito, muito ser reconhecida na minha área, isso me dá forças para passar por mestrado, doutorado, pós-graduação, várias monografias etc. Porque eu acredito que ser reconhecido na própria área começa com competência (e depois passa por um bom marketing pessoal, não há como negar isso). Não é fácil. Mas o que eu vou alcançar é uma das coisas mais importantes do mundo para mim. Por isso eu vou seguindo (às vezes com a força do ódio, é verdade, mas, na maioria das vezes, com imensa alegria).

Ache sua motivação, avalie seus valores e veja se suas metas estão de acordo com eles, distribua seus recursos, organize sua agenda, assim você vai aumentar significativamente a chance de obter sucesso para com suas metas!!!

Histórias positivas. 

Faça um grande favor a si mesmo (vale para mim também).
Ao longo de uma semana (sugiro que você inicie imediatamente, comece hoje) anote, todos os dias, uma história positiva a respeito de você mesmo. Não seja tímido ou modesto, não subestime as coisas positivas que você fez. Se você tiver dificuldade em pensar em alguma coisa, lembre-se: ninguém é tão mal que nunca tenha feito nada de bom e ninguém é tão bom que nunca tenha feito nada de ruim. Se esforce e encontre histórias de coisas boas que você fez. Depois, anote essas história em um caderno, uma por dia. Ao final de uma semana releia todas elas e escreva quais foram as suas qualidades pessoais que apareceram nestes relatos.

Vou fazer do meu primeiro, um exemplo público.
Recentemente o Tom, meu gato, chegou aqui em casa depois de ter sido resgatado pelo meu tio. Tom chegou há mais ou menos duas semanas. Antes dele chegar e também depois que ele chegou, eu fiz tudo que foi possível, além do que era necessário, para que ele tenha uma boa vida de gato. E tenho me empenhado para que ele viva bem e feliz.

Viu? Também não precisa ser nenhum milagre ou fato espetacular que você precisa narrar nas suas experiências. Podem ser coisas simples e boas a respeito das suas qualidades. Depois me conta!

A felicidade está nas pequenas coisas. 

Tem coisa melhor do que dormir quando se está com muito sono? Fazer xixi quando estamos apertados?
O prazer simples de satisfazer nossas necessidades biológicas.
São prazeres extremamente subestimados. Mas é bom sabermos que todo prazer vale a pena. Por menor que seja. Na verdade, os estudiosos da felicidade afirmam que um número abundante de pequenas doses de felicidade ao logo da vida fazem de nós pessoas muito mais felizes do que poucos episódios de felicidade intensa.
Claro que não se trata só de buscar satisfação na realização de simples necessidades biológicas, esse é apenas um exemplo de prazer subestimado. Aproveite cada pequeno momento de satisfação cotidiana. Aprenda, em primeiro lugar, a identificar estes momentos na sua vida e depois saboreie esses momentos. Aproveite os grandes acontecimentos sim, sem dúvida. Mas sabia que a felicidade depende muito mais das pequenas alegrias.
Busque a felicidade nas pequenas coisas da vida. Isso vai fazer diferença na sua vida.

Sexfulness

Em clima de comemoração do Dia dos namorados, texto excelente do meu amigo muito competente, Prof. Esp. Leonardo Vasconcelos.

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Quão satisfeito(a) você está com sua vida sexual? Essa pergunta consta no Instrumento de Avaliação de Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde, o que nos faz lembrar uma questão óbvia, mas muitas vezes negligenciada: a satisfação sexual é importante para a qualidade de vida.

Como observado pela psicóloga Olivia Klem Dias no III Simpósio Latino Americano de Psicologia Positiva, a pesquisa acadêmica em sexualidade ainda é muito focada sobre o sexo disfuncional. Em contraposição a isso, Dias apresentou um panorama do estudo da sexóloga Peggy Kleinplatz sobre os componentes para o sexo ótimo. Estar presente, focado e imerso na experiência sexual foi a condição mais relatada por quem diz experimentar um sexo excelente.

De fato, em um artigo de Gilbert e Killingsworth publicado na Science¸ constatou-se que em cerca de 47% do tempo as pessoas estavam pensando em algo diferente do que estavam fazendo. E das 22 duas atividades listadas na pesquisa, “fazer sexo” era a que exibia o menor índice de divagação.

Podemos citar três maneiras de estar presente, focado e imerso na experiência sexual: flow, savoring e mindfulness.

O termo flow foi cunhado por Mihaly Csikszentmihalyi e se refere a um estado de imersão total enquanto se pratica uma atividade. O flow vem de uma intensa concentração em torno de suas próprias ações e de seu feedback imediato. Como metáfora, pense no flow sexual como dois amantes dançando que estão tão envolvidos com a atividade deixam de ser dois dançarinos para se tornarem a própria dança.

A atenção consciente voltada para uma experiência de prazer com o objetivo de aumentar a duração, a intensidade e/ou a apreciação da mesma é uma condição relacionada ao conceito de savoring. Embora o savoring também permita saborear as memórias de experiências positivas passadas, e através da imaginação antecipar as experiências positivas futuras. É o ato de saborear o prazer do aqui e agora que mais condiz com o tema em questão.

A definição operacional dada pelo precursor do movimento mindfulness no Ocidente Jon Kabat-Zin é: “um foco de atenção deliberadamente voltado ao momento presente e livre de julgamentos”.  Para a pesquisadora Laurie Mintz, o sexo mindful acontece quando você está total e completamente imerso nas sensações físicas do seu corpo.

Dessa forma, definimos sexfulness como a capacidade de estar presente, focado e imerso na experiência sexual através da alternância de estados de flow, savoring e mindfulness.

3 Práticas para exercitar o sexfulness:

1) Toques Suave com Meditação de Escaneamento Corporal.

A meditação de escaneamento corporal faz parte de muitos programas de mindfulness e consiste em focar nas sensações corporais ao longo do corpo. Escolham um áudio de meditação guiada de escaneamento Corporal (Body Scan). Enquanto um dos parceiros faz a meditação o outro desliza suavemente a ponta dos dedos nas áreas correspondentes ao foco de atenção.

2) Fluxo de Carícias.

“King out” que literalmente significa “deixar o rei fora” é uma prática de alcançar o máximo de prazer, mas sem consumar a penetração. Explorem ao limite o poder dos beijos e carícias não com o objetivo de servirem como “preliminares”, mas como um fim em si mesmas.

3) Respiração PC.

A musculatura pubococcígea (PC) é encontrada em ambos os sexos e se estende desde o osso púbico até o cóccix. A respiração PC é um dos exercícios recomendados pela terapeuta sexual Helena Nista e consiste em combinar uma respiração abdominal profunda associada com contrações dos músculos PC, os mesmos usados quando se quer prender a urina.

Passos para Respiração PC:

– Faça respirações abdominais profundas.

– Ao inalar contraia os músculos PC.

– Ao exalar relaxe os músculos PC.

Repita esse procedimento quantas vezes se sentir confortável tanto durante a masturbação quanto durante o sexo com o parceiro(a).

Apesar do interesse generalizado pelo sexo em nossa sociedade, o assunto ainda é cercado de tabus e preconceitos. Como nos lembra o psicólogo Todd B. Kashdan: “Qualquer exame sério da vida boa deve examinar cuidadosamente o que os seres humanos pensam, se preocupam e fazem. A sexualidade não pode ser ignorada. Vá em frente e aproveite.”


Leonardo Vasconcelos é Físico, Analista de TI, Professor e Especialista em Psicologia Positiva. Um amante apaixonado pelo aprendizado nos mais diversos campos, das mais curiosas formas. Curte metal e cervejas artesanais, de preferência IPAs.

Referências:

BRYANT, Fred B.; VEROFF, Joseph. Savoring: A new model of positive experience. Psychology Press, 2017.

CSIKSZENTMIHALYI, Mihaly; LARSON, R. Flow and the foundations of positive psychology. Dordrecht: Springer, 2014.

KASHDAN, Todd B. For a Profound Sense of Meaning in Life, Have Sex. Psychology Today, 2017. Disponível em: <https://www.psychologytoday.com/us/blog/curious/201706/profound-sense-meaning-in-life-have-sex?page=1&gt;. Acesso em: 05 jun. 2018.

KILLINGSWORTH, Matthew A.; GILBERT, Daniel T. A wandering mind is an unhappy mind. Science, v. 330, n. 6006, p. 932-932, 2010.

KLEINPLATZ, Peggy J. et al. The components of optimal sexuality: A portrait of” great sex”. The Canadian Journal of Human Sexuality, v. 18, n. 1/2, p. 1, 2009.

MINTZ, Laurie. Mindful Sex Is Mind Blowing Sex. Psychology Today, 2017. Disponível em: <https://www.psychologytoday.com/us/blog/curious/201706/profound-sense-meaning-in-life-have-sex?page=1&gt;. Acesso em: 05 jun. 2018.

A ciência na qual você acredita e os livros de autoajuda. 

Hoje eu vi todo os livros da sessão de autoajuda de uma livraria no Centro da Cidade. Vocês não tem idéia da quantidade de livros que se chamam “Cure sua Vida”. Tinha uns dez, pelo menos. E também, toda a bancada dos mais vendidos das livrarias são Best Sellers do The New York Times!! Quantos Best Sellers o New York escolhe por ano?! Que coisa…!!!
Cara, que doideira. Eu comprei quatro livros sobre os quais pretendo comentar em breve. Todos os temas eram de Psicologia Positiva: Resiliência; Autoestima; Propósito; e Talentos.
Resiliência é a nossa capacidade de aprender lições positivas com as adversidades da vida.
Autoestima é a capacidade de nos sentirmos amados.
Propósito é aquilo que buscamos em nossa vida, que deixarmos depois como nosso legado.
E talentos são os nossos potenciais inatos que precisam ser desenvolvidos ao longo da vida.
Todos na seção de autoajuda, mas todos muito bons e importantes. Eu sei… Eu também tinha (talvez ainda tenha) um pouco de preconceito com a idéia de autoajuda. Mas eu tenho percebido que eu estava errada por ter esse preconceito (assim como todo preconceito, este se mostrou extremamente negativo). Temos que ter cuidado com toda informação que chega até nós. Temos que desenvolver capacidade crítica. Mas, no fundo, estamos fadados a consumir a ciência na qual acreditamos. Por exemplo, hoje eu vi um livro chamado (alguma coisa do tipo) “Porque diminuir o colesterol não reduz o risco de doenças cardíacas”. Isso vai contra tudo que o Bem Estar vem nos dizendo!! Mas tá lá na prateleira dos mais vendidos da livraria.
Acredite no que te faz feliz! No que te faz viver bem! Escolha aquilo no que você acredita a partir dos critérios que fazem sentido na sua vida!

Sexualidade na Perspectiva da Psicologia Positiva.

No último sábado, dia 19 de maio, eu apresentei um trabalho no III Simpósio Internacional de Psicologia Positiva sobre sexualidade. O simpósio foi sensacional e eu fiquei extremamente feliz com o convite para falar sobre este tema.

Trata-se de um tema ainda muito pouco estudado. A área da Psicologia Positiva por si só já é bastante nova, nasceu em 1998 com os trabalhos de M. Seligman. Um estudo da sexualidade dentro desta perspectiva então nem se fala. Mas é bastante interessante e vale a pena conhecer.

O que eu queria com partilhar com vocês hoje, portanto, é um resumo da minha apresentação.

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O estudo da sexualidade do ponto de vista da psicologia positiva vai abordar os aspectos positivos da sexualidade humana, permitindo-nos compreender o que é o funcionamento sexual excelente. A partir dos estudos de Kleinplatz (2009), apresentaremos, então, os oitos aspectos que fazem com que a relação sexual seja excelente.

O pai da sexologia foi o médico psiquiatra Kraffit-Ebing que, no século XIX, escreveu o livro Psychopathia Sexualis, no qual narrava casos clínicos de pacientes com desvios e patologias sexuais.

Alguns anos mais tarde, por volta da metade do século XX, outros grandes teóricos da sexualidade, como Kinsey (1949, 1954), Masters e Johnson (1976, 1981), Kaplan (1977) e Hite (1982), contribuíram enormemente para o conhecimento que possuímos atualmente das patologias sexuais e também contribuíram com o conhecimento dos aspectos fisiológicos e psicológicos do funcionamento sexual normal.

Nenhum desses conhecimentos, contudo, nos ajudou a compreender o funcionamento sexual ótimo, que poderia fazer com que a terapia sexual ajudasse os seus clientes não apenas a ter um sexo funcional, mas um sexo de qualidade.

A partir a quebra de paradigma realizada pela psicologia positiva com Seligman (2003; 2011), vem tornando-se cada vez maior o interesse em compreender os aspectos positivos do ser humano e as formas de potencializar seu desenvolvimento. Isto ocorreu também no campo da sexologia. Os pesquisadores começaram a procurar compreender os aspectos e as caraterísticas que estão para além do sexo meramente funcional, livre de de patologias, que poderiam fazer com que a sexualidade fosse vivida em seu pleno potencial.

Os oito aspectos que fazem com que a relação sexual seja excelente de acordo com Kleinplatz (2009), portanto, são:

  1. Estar presente: pode ser entendido como o estado de flow (CSIKSZENTMIHALYI , 1999) que pode ser experimentado durante o ato sexual. Um estado no qual a pessoa se encontra completamente absorvida no momento presente. “You’re not a person in a situation. You are the situation” (KLEINPLATZ, 2009).
  2. Conexão: refere-se ao modo profundo como as pessoas se conectam durante o ato sexual. Depende de uma ligação intensa entre os parceiros para ocorrer. Podemos utilizar a metáfora shakespeareana da besta de duas costas para imaginar esta forma de ligação entre duas pessoas. “I am one, sir, that comes to tell you your daughter and the Moor are now making the beast with two backs” (SHAKESPEARE, 1993). Esse tipo de intimidade entre os parceiros que experimentam um sexo excelente faz com que eles sintam que estão em sintonia um com o outro. Não importa que o relacionamento já dure anos ou que tenha durado apenas algumas horas, trata-se de uma ligação sentida como um forte alinhamento entre os amantes.
  3. Intimidade sexual e erótica: os parceiros devem experimentar respeito mútuo, carinho, admiração e profunda aceitação antes de iniciarem uma relação sexual excelente. Não é possível ter esse tipo de relacionamento íntimo de qualidade sem se sentir cuidado e sem cuidar do outro. Confiança é a palavra chave aqui.
  4. Comunicação e empatia: o sexo excelente requer excelente comunicação tanto verbal quanto não verbal. Os parceiros têm que ser capazes de se comunicar através do toque e de compreender os sinais que o outro emite. Ao mesmo tempo, devem ser capazes de expressar verbalmente seus desejos e necessidade um para o outro de forma, clara, aberta e desinibida.
  5. Transparência, autenticidade e desinibição: essa característica pode ser entendida como uma espécie de “nudez emocional”. É o fato de se colocar aberto diante do outro, expondo a si mesmo como se é verdadeiramente. É a possibilidade de se revelar inteiramente para o outro.
  6. Transcendência: Maslow afirmava que “There are many paths to heaven, and sex is one of them” (1971). Isso que dizer que o sexo apresenta uma dimensão epifânica, que nos faz ver as coisas sob uma nova luz. Não se trata necessariamente de uma experiência de cunho religioso, mas de uma experiência que nos transporta para além de nós mesmo e que nos faz experimentar as coisas de uma nova maneira. Uma dimensão de paz, cura, transformação, benção, que podem conferir um caráter transcendente para a experiência da relação sexual.
  7. Explorar, assumir riscos e se divertir: o sexo pode ser extremamente engraçado e essa característica é uma das que o torna excelente. Quando estamos experimentando algo novo, quebrando a rotina, nos aventurando com o parceiro, em todos esses momentos o sexo se apresenta como uma oportunidade de descobrir e experimentar coisas novas. Essa exploração conjunta, esse desbravamento de novos horizontes, é um importante elemento da sexualidade humana.
  8. Entrega: vulnerabilidade e rendilção são os aspectos essenciais neste último tópico. Depois de passar por todos os aspectos anteriores, resta apenas mergulhar de cabeça nessa experiência incrível, expondo-se de maneira completa e autêntica e se rendendo às sensações do momento. Nesse sentido, “Sex is a leap of faith” (KLEINPLATZ, 2009).

Tendo em vista os oito componentes citados, Kleinplatz (2009) afirma que o futuro da terapia sexual vai requerer que os profissionais se ocupem cada vez mais das vivencias sexuais saudáveis não apenas como forma de auxiliar os clientes na promoção de vidas intimas muito mais prazerosas, com relações sexuais excelentes, mas também a prevenir o próprio adoecimento sexual.

 

As principais referências bibliográficas que eu utilizei neste trabalho foram:

ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA, Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais. Tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento … [et al.]. Revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli… [et al.].Porto Alegre: Artmed, 2014.

 

CARVALHO, Antonio, SARDINHA, Aline. Terapia Cognitiva Sexual: uma proposta integrativa na psicoterapia da sexualidade. Rio de Janeiro: Editora Cognitiva, 2017.

 

CSIKSZENTMIHALYI, M. A descoberta do fluxo: a psicologia do envolvimento com a vida cotidiana (1997). Tradução de Pedro Ribeiro – Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

 

HITE, Shere. O Relatório Hite: um profundo estudo sobre a sexualidade feminina. Tradução de Ana Cristina Cesar. São Paulo: Difusão editorial, 1982.

 

KAPLAN, Helen Singer. A Nova Terapia do Sexo: tratamento dinâmico das disfunções sexuais. Tradução de Oswaldo Barreto e Silva. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1977.

 

KINSEY, Alfred; POMEROY, Wardell & MARTIN, Clyde. Conducta sexual del Varón. México: Editorial Interamericana, 1949.

 

KINSEY, Alfred; POMEROY, Wardell; MARTIN, Clyde; GEBHARD, Paul. A Conduta sexual da mulher. Rio de Janeiro: Atheneu, 1954.

 

KLEINPLATZ, P. J. Transforming Sex Therapy: integrating erotic potential. The Humanistic Psychologist. 24, 190-202. Ano: 1996.

 

KLEINPLATZ, P. J.; MÉNARD, A. D.; PAQUET, M-P.; PARADIS, N.; CAMPBELL, M.; ZUCCARINO, D.; MEHAK, L. The components of optimal sexuality: A portrait of “great sex”. The Canadian Journal of Human Sexuality, Vol. 18 (1-2), ano 2009. Disponível em; <http://juliacolwell.com/wp-content/uploads/2017/05/The-components-of-optimal-sexuality-Kleinplatz-et-al.-2009.pdf&gt;. Acessado em 01/05/2018.

 

KLEINPLATZ, P. J. Lessons from Great Lovers. In S. Levine, S. Althof, & C. Risen (eds.), Handbook of Adult Sexuality for Mental Health Professionals. 2ª edição. Nova Iorque: Brunner-Routledge, 2010.

 

MASLOW, A. H. On the Farther Reaches of Human Nature. Nova Iorque: Viking, 1971.

 

MASTERS, William; JOHNSON, Virginia. A incompetência sexual: suas causas seu tratamento. 2. ed. Tradução de Edmond Jorge. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1976.

 

MASTERS, William & JOHNSON, Virginia. A Conduta Sexual Humana. São Paulo. 4ª ed. Civilização Brasileira, 1981.

 

SELIGMAN, M. E. P. Felicidade Autêntica. Rio de Janeiro: Ponto de Leitura, 2003.

 

SELIGMAN, M. E. P. Florescer: uma nova e visionária interpretação da felicidade e do bem-estar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.

 

SHAKESPEARE, W. Othello. M.R. Ridley (ed.) The Arden Edition of the works of William Shakespeare. London and New York: Routledge, 1993.

Não precisa começar pelo começo, apenas comece de algum lugar. 

Com o passar do tempo eu venho reunindo confiança e força de vontade para colocar em prática alguns desejos que eu possuía já há algum tempo, mas que eu não tinha coragem ou disposição para executar.
Como vocês já sabem, o Blog foi um primeiro passo nessa direção e depois eu fui abrindo caminho. Não sozinha, é claro. Teve o apoio da minha família, meu marido e minha mãe, e o apoio dos meus amigos, sempre disponíveis para jogar conversa fora e dar bons conselhos.
E eu fico feliz em dizer que estou aqui me programando para gravar amanhã mais alguns vídeos para um canal no youtube que idealizei como forma de divulgação da instituição onde dou aulas! Trata-se de uma instituição de cursos de formação e pós-graduação em Terapia Cognitivo-comportamenal e Psicologia Positiva, são duas instituições, na verdade, CPAF-RJ e IIPsi+. Estou muito feliz lá e o trabalho realizado é fantástico e de excelente qualidade (eu me esforço muito e meus colegas professores também!) e eu estou com os dois pés dentro! Com um trabalho potente em equipe e a colaboração e apoio de professores e alunos, o canal está ficando lindo! Visitem, assistam os vídeos e se inscrevam no canal! Este é o link: https://www.youtube.com/channel/UCvGSZ0Ro2tB6dcyHjgC_l7g

Fazer um canal no youtube é um desejo antigo que eu tenho. Desde que começou essa onda dos youtubers. Claro, no início eu tinha vergonha disso, mas o lema é “A vida é curta demais para termos vergonha daquilo que a gente gosta”. Eu estou me preparando inclusive para, no futuro, lançar um canal falando sobre psicologia e artes e do meu próprio envolvimento com as artes. Aguardem (é bom tornar o desejo público porque aí a galera pode me cobrar)!
O importante dessa história toda é perceber que para transformar a sua vida você não precisa abraçar o mundo de uma vez só. Eu comecei com o Blog e ele foi abrindo caminho para diversas outras coisas boas na minha vida! Eu não sei se eu comecei do lugar certo, ou pelo que era mais eficiente, do lugar que me levaria mais longe, mas eu estou muito feliz por ter começado. Projetos grandes de mudança ou reorganização da vida assustam e nos paralisam. Mas se você começar, simplesmente começar, por algum lugar, vai dar certo!

Você pode substituir ações negativas e destrutivas por ações positivas e construtivas. 

“É uma loucura fazer sempre as mesmas coisas e esperar obter resultados diferentes”.

Parece óbvio, não é mesmo? Talvez ninguém discordasse dessa frase se você a dissesse assim desta maneira. Mas se você parar para observar com cuidado e atenção a vida de certas pessoas, você vai perceber que é difícil para muita gente transformar esta verdade preciosa em ações.
Algumas pessoas, se tivessem consciência de suas ações, te diriam o seguinte: “Não! Discordo! Eu acho que a gente pode ficar fazendo senpre exatamente a mesma coisa e obtendo a cada repetição um resultado diferente. Veja lá em casa, por exemplo, eu chegava da rua e brigava com a minha mulher todo dia e ela ficava falando para eu me acalmar, queria sentar conversar e entender qual era o problema, mas não adiantou de nada, eu continuei chegando em casa e brigando com ela todo dia. Até que chegou uma época em que ela no lugar de querer conversar para tentar resolver o problema, passou a brigar comigo de volta. Mas isso também não adiantou de nada, claro. Ela sabe gritar e eu sei gritar também, ora! Então eu continuei chegando em casa da rua, do trabalho, todo dia e brigando e brigando com ela até que veio o tempo em que ela simplesmente passou a me receber calada e me ouvir esbravejar sem esboçar nenhum tipo de reação e depois ir para a cozinha terminar de aprontar o jantar sem me encher a paciência. Portanto não venha você me dizer que se a gente fizer sempre a mesma coisa vai obter sempre o mesmo resultado, porque eu acabei de te provar que isso não é verdade”.
Bom, parabéns para o asno que conseguir pensar desse jeito, ele merece certamente uma medalha porque para ser estúpido assim é preciso se esforçar bastante, não é verdade?
Não.
Não é difícil encontrar quem esteja mergulhado nesse tipo de rotina sem se dar conta. A gente não pode olhar para este exemplo, para a vida do amigo, e julgar o que está acontecendo com ele como se fosse algo que nunca vai acontecer conosco, porque olhar para o outro e críticar é mole, mas olhar para a nossa própria vida e ver o que estamos fazendo de errado não é tão fácil assim. Não existe vacina contra estupidez, todos estamos sujeitos a ela.
Você nunca se pegou repetindo a mesma maneira prejudicial e doentia de lidar com alguma pessoa ao seu redor? Mesmo que se trate de uma pessoa que você ama? Adicione a isso o nosso medo da mudança e você tem a receita da miséria.
Então, se nós quiséssemos destrinchar a frase lá do início do texto para entender seu significado profundo teríamos algo do tipo: ” Se você ficar sempre repetindo as mesmas ações negativas, as coisas vão entrar num processo de mudança continua, mas sempre para pior. O que não adianta é fazer sempre a mesma coisa ruim e querer que as coisas ao seu redor comecem a melhorar”. O que tem que acontecer é que você tem que abraçar a mudança e começar a substituir as ações negativas por ações positivas e construtivas e então coisas boas poderão acontecer na sua vida.

Professora!

Hoje eu me senti realizada gravando esse vídeo :

Isso mesmo, gravei um vídeo. Ok. A novidade maior é a de que eu vou ser professora. O vídeo foi apenas um plus

(Mas, vocês sabiam que antes de pensar em ter um blog, eu queria ser youtuber! Pois é! Sem dúvida, eu sou escritora, mas o Blog costuma ser tão mal falado pelo “escritores de verdade”, que eu não tinha pensado em fazer um. Tinha medo de me queimar. E quando os youtubers começaram a fazer sucesso, me deu uma vontade imensa de gravar vídeos. Eu ia amar. Acho ótimo ficar falando besteira na internet. Ma isso é assunto para outro texto. O importante é que esse vídeo que eu gravei hoje mexeu comigo e foi muito gratificante).

No ano passado, eu iniciei uma pós-graduação em TCC (Terapia Cognitivo-Comportamenal), que estou em vias de finalizar.
Para minha grande surpresa – e felicidade – surgiu a oportunidade de dar aula na instituição Cpaf/Psi+, que eu recebi de braços abertos.
Comecei a participar, então, do programa de formação de professores da instituição.
Minha primeira aula será no sábado que vem, dia 16/12/2017, na formação em TCC.
Mesmo que esse treinamento já esteja rolando há um tempo, só hoje, com este vídeo (que vai ser publicado na rede social da instituição) e a proximidade da primeira aula, as coisas estão parecendo mais concretas para mim.
Estou muito feliz e esperançosa em relação ao futuro (e com muitas idéias fervilhando na cabeça)!
Já está na hora de elaborar minhas metas e meu planejamento para 2018! 

Agora sim eu estou sentindo que coisas novas e boas se aproximam!