O sentimento de solidão e os contatos superficiais (provavelmente não é o que você está pensando).

Outro dia uma pessoa estava falando mal de uma terceira para mim.
Fiquei mais calada, na minha, só no “Uhum” para não ser grosseira, mas para também não botar lenha na fogueira.
Ok. Até aí, morriam comigo os comentários maldosos e enraivecidos e a pessoa botava para fora o que estava sentindo. Quem sabe ela até se acalmava.
Até que a pessoa manda essa:
“Quem nem você, sabe? As pessoas têm você no Facebook, todo mundo sabe que você faz poledance, você fica botando aquelas fotos suas indecentes lá, mas é a sua vida, entendeu? Ninguém tem nada a ver com isso. E o que que eu tenho a ver com isso? Você que sabe. O seu corpo?! Você bora a foto que você quiser, não im-por-ta o que as pessoas pensam. Se você que é dona do corpo resolveu postar isso, para que que eu vou ficar falando com os outros pelas suas costas ‘ah, olha lá a foto de piranha que ela colocou’? Eu hein!”
Eu fiquei dois segundos sem reação antes de murmurar o memso “Uhum”.
Aí você pode até pensar depois de ouvir essa história: “Que pessoa babaca”. “Ela te odeia e estava mandando indireta”.
Cara, mas essa pessoa realmente aparenta gostar de mim, sabe? Me procura para conversar… Desabafa comigo…
Muito louco, não é mesmo?
Eu sempre fui meio anti-social. Ultimamente, no último ano, eu comecei a me abrir mais com as pessoas.
Eu sempre fui de fazer um ou dois amigos em todos os lugares que passo e geralmente são amigos para a vida toda, mas nunca fui de ter galera sabe.
Sempre fui a pessoa dos relacionamentos logos e profundos.
Sempre foi curioso, contudo, o fato de que, mesmo com esses amigos eu, vira e mexe, me sentia meio sozinha.
Quando eu comecei a estudar psicologia positiva é que eu fui abrir a minha mente para o fato de que o ser humano é um bicho muito sociável. Muito sociável mesmo. Então, a gente precisa de muito contato humano. Muito.
Comecei a me aproximar das pessoas, sem a intenção de me tornar bff de ninguém, só para trocar dois dedos de prosa mesmo, e o sentimento de solidão quase desapareceu em pouco tempo. Sério.
Eu tenho amigos maravilhosos, perfeitos e amorosos. Mas eles têm a própria vida. Eu não tô trocando calor humano com eles o tempo todo. E isso faz falta no dia a dia. Ir para o trabalho e fazer a pausa do café sozinho sempre é péssimo, mesmo que você esteja no zap com alguma pessoa querida. Almoçar sozinho sempre é foda, memso que a noite, uma ou duas vezes por semana, você tome um chope com os amigos. Entende?
Quando você tem esses vácuos de contato na sua vida, janelas de tempo ocioso ou de tempo livre no dia a dia sem contato humano (tempo de transporte, almoço, pausa do café, etc.) esse tempo vai se acumulando e no fim das contas acabam sendo muitas horas de solidão. Não é à toa que essa sensação se expande e toma nossa vida, fazendo com que nos sintamos isolados ainda que, aparentemente, sem motivo. Pois tem motivo. Pouco contato humano.
Eu não digo que você não deva fazer nada sozinho. Você tem que ter um tempo só para si. Por isso eu disse que não é bom que isso aconteça sempre. Uma vez ou outra tudo bem. Mas os contatos superficiais servem para esses “buracos” na agenda de obrigações mesmo. Vale lembrar também que seu tempo com você memso tem que ser de qualidade. Não é um café que você toma em pé olhando no celular que vai cobrir esse anecessidade. Aí é melhor estar falando com alguém, sem dúvida.
Outra coisa, e eu ouvi isso no curso de psicologia positiva que fiz no começo do ano: “isso não é uma forma de usar as pessoas”? Não! Todo mundo precisa desses contatos! A pessoa com quem você conversa também. Você e a outra pessoa vão se beneficiar do bate papo. Além disso, eu não falei em momento algum que esses contatos não podem ou não devem evoluir para algo mais profundo. Ótimo se isso acontecer! Eu só estou dizendo que não PRECISA ser assim. Na verdade, quanto mais eu penso no assunto e vejo o resultado das minhas próprias interações, mas eu percebo que falta muito amor e contato entre os seres humanos também porque a gente bota muita expectativa em todos os míseros contatos interpessoais. Todo “oi” tem que virar namoro ou amizade. E isso é terrível. Ou seja, se não for para a pessoa virar alguém importante na nossa vida e a gente não for obrigado (por dividir o mesmo ambiente de trabalho, por exemplo), a gente não fala com ninguém! Vamos mudar isso! Uma conversa de quinze minutos pode ser ótima por ser só isso: uma conversa de quinze minutos com alguma pessoa que você não vai ver nunca mais. Ou tem aquela pessoa que você vê sempre, com quem você não quer namorar, de quem você não quer ser amigo e de quem você não precisa de nenhum favor, mas com quem você pode conversar sobre noticias de jornal, pode falar sobre assuntos da vida ou até assuntos pessoais mesmo, mas sem expectativas. E tudo bem que seja assim. Isso nos faz bem.
É de contato humano superficial mesmo que eu estou falando. Isso é bom precisamos ter mais em nossas vidas. Nem todas a nossas relações precisam ser profundas. Com compromissos, expectativas, preocupações etc.
Comecei então a colocar em prática minhas habilidades sociais e deu muuuuito certo (posso falar mais sobre isso no futuro). O que tem sido engraçado e curioso é que, eu nunca vivi isso antes, então ainda estou aprendendo a lidar… Claro que tem seus momentos difíceis.
Como o dessa pérola que eu mencionei no início do texto. Tem sido também, como vocês podem perceber, uma experiência antropológica. E eu fico pensando: “geeeeente… Que porra é essa? As pessoa são muito loucas mesmo”. Olha… Tem sido uma aprendizagem em diversos sentidos. Tem tipo seus percalços, mas tem valido a pena.

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