Dança! E valores. 

Minha primeira apresentação de dança do ventre depois de muito tempo aconteceu hoje de noite.

Eu cheguei no teatro atrasada.

Pois é. Tinha um monte de coisas para fazer durante o dia e eu não queria (nem podia muuuuito também) abrir mão de nenhuma delas… Aí fui me enrolando… Senti que estava fazendo tudo meio que pela metade.

O ponto é que eu estava pegando o ônibus na hora em que deveria estar chegando no local da apresentação. Dinheiro para uber não tinha, então, fazer o que? Tinha que esperar o trânsito colaborar (porque o motorista a gente sabe que mete o pé).

Tô no ônibus, um calor da porra, brigando com o meu marido.

Trágico.

A gente cai nessas armadilhas, não é mesmo? De se estressar com coisas que não têm solução.

Eu sei que esse tipo de sensação é infrutífera e prejudicial. Mas fala comigo isso na hora que eu estou estressada! Sério. Fala memso.

Eu tenho feito o esforço super consciente de, quando alguém me fala que eu estou estressada, tentar me acalmar. Ou quando eu mesma percebo que estou repetindo o mesmo padrão, tento segurar a onda. E tenho conseguido bons resultados. Então, quando eu estiver estressada, me fala, que eu vou tentar me controlar.

Como fazer isso? A parte difícil não é ter consciência de que se estressar não faz bem e que devemos tentar nos manter calmos mesmo na adversidade. Isso todo muito sabe. O difícil é saber como fazer isso. E digo mais! É difícil encontrar motivação para colocar em prática aquela respiraçãozinha anti-estresse que a galera aprende por aí.

Qual é o segredo então? O que funciona para mim é pensar nos meus valores.

Quando você sabe o que é importante para você, tudo que cruza seu caminho aparece através da perspectiva dos seus valores.

O que são valores? Valores são características das pessoas que fundamentam o modo como elas interagem consigo mesmas, com os outros e com o mundo.

Quando a sua vida ou as suas atitudes não estão aliadas com os seus valores você sofre e sente que alguma coisa está errada com a sua vida.

Se uma pessoa tem como valor central a liberdade, é possível que ela fique muito mal em um emprego que exige que ela fique dez horas do seu dia dentro de um escritório sem ver a luz do sol.

Há pessoas que se submetem às maiores atrocidades para evitar o divórcio por terem o valor família como central.

Nem sempre é óbvio para nós quais são os nossos valores. Por isso, segue uma dica:

Se imagine no alto de um prédio bem bem bem alto que há dez metro de distância de outro tão alto quanto. Você está no telhado de um desses prédios e há uma ponte de madeira que leva ao telhado do prédio ao lado. Está vetando muito. O que faria com que você atravessasse a ponte?

Esse exercício pode te dar uma dica de quais são os seus valores.

Bom, dois dos meus principais valores são: amor e prazer.

Tendo isso em vista, tem cabimento brigar com meu marido e me estressar a caminho de uma apresentação de dança (que me dá muito prazer)?

Não!

Ao me dar conta disso eu comecei a tentar ficar clama. Hoje foi fácil. Mas sobre esse processo de como eu faço para ficar mais calma em situações estressantes eu falo em outro momento.

O mais importante é que eu cheguei a atrasada, mas deu tudo certo no fim das contas. Quando eu parei de me estressar pude recalcular o tempo que eu teria e me programar para fazer o que precisava nesse tempo.

E quer saber? Se não tivesse dado certo estaria tudo bem também. Eu apenas  teria que me desculpar com as minhas colegas e dançar em outra oportunidade!

Um mês de postagens diárias.

 

Eu não pude deixar de reparar que hoje faz um mês que eu mergulhei de cabeça no projeto de escrever um post por dia no blog.

 

Muita coisa aconteceu na minha vida neste último mês.

 

Acredito que esta nova experiência está me trazendo muitos resultados positivos.

 

E muitas crises também.

 

O que eu posso dizer é que ainda está valendo muito a pena.

 

Fiquei pensando hoje no que me levou a começar a escrever.

 

Eu me lembro de ter começado a escrever as minhas primeiras histórias lá… Nos tempos imemoriáveis do CA.

 

Eu tinha uma amiga chamada Caroline Oliveira de Sá (se vocês a conhecerem, me mandem o facebook dela. Eu já cansei de procurar e nunca encontrei). Eu e ela dividíamos um diário. Cada dia uma levava o diário para casa, escrevia e, no dia seguinte, nós trocávamos.

 

(Essa experiência acabou de me dar uma ideia para uma atividade de journal therapy. Poderia ser uma técnica bacana para promover a reaproximação entre casais passando por momentos difíceis no relacionamento. Se o casal não estier morando na mesma casa, eles podem, cada uma das partes, fazer anotações em um caderno durante a semana, anotações estas que seriam o resultado de reflexões sobre o relacionamento, e os cadernos seriam trocados toda semana. Ou o casal pode ter um caderno em casa para fazer o registro de situações-problema. O registro deverá seguir um modelo: gosto do modelo de crítica XYZ. “Você faz X, que faz com que eu sinta Y e eu gostaria que você fizesse Z”. Muitos casais vão arruinando seus relacionamentos porque brigam logo nos primeiros cinco minutos que se passam depois que eles se encontram em qualquer cenário que seja. Por exemplo, o casal chega em casa do trabalho e, dentro dos cinco minutos após se encontrarem, alguém reclama de alguma coisa. Esse tipo de briga que ocorre logo assim que duas pessoas se encontram é considerado por muitos terapeutas de casais como um elemento extremamente destrutivo para o relacionamento. Fazendo o registro no caderno seria possível mudar esse quadro, aumentando o tempo que o casal demora para começar uma discussão depois de se encontrarem, o que traria efeitos muitos positivos para o casal. Mas… Voltando ao ponto do texto…).

 

Eu e Carol escrevíamos as mais loucas histórias. Até hoje eu lembro de duas. Num dos dias em que eu levei o diário para casa eu escrevi que tinha feito a máquina de escrever da minha avó voar para de baixo da cama. No dia seguinte ela escreveu que ela tinha feito a casa dela voar para a beira de um lago! A ideia era ler mesmo o que a outra escrevia. Tão bom lembrar disso. Mas depois eu comenta mais as reminiscências da infância.

 

Depois veio a fase das cartinhas. Todos aqueles papéis coloridos, canetas cheirosas e as onze ou doze páginas que escrevíamos para todos os amigos e amigas com letras de músicas, descrições do crush, juras de amizade eterna… Isso era lá para a quinta série.

 

Com treze anos eu comecei a escrever histórias de fantasia. Foi só então que eu comecei a ter a sensação de que eu estava escrevendo de fato. Foi por causa de um CD de uma banda que eu amava, chamada RHAPSODY. Eu comecei escrever inspirada pelas músicas dessa banda.

 

Continuei escrevendo durante toda a adolescência. Mais prosa do que poesia. E lendo. O amor pela leitura também já estava solidificado nessa época – mas esse é outra história.

 

Eu tinha muitos amigos que escreviam também. Alguns gostavam de mostrar o que escreviam, como eu (eu era meio estrelinha no fundo e precisava da aprovação das outras pessoas, duas das minhas principais questões emocionais), outros faziam com que você tivesse que ficar implorando uma semana para que eles mostrassem o que tinham escrito.

 

A escrita preenchia os momentos tediosos para os adolescentes presos nas salas de aula dos pré-vestibulares.

 

Ela tinha seu papel na hora de nos ajudar a expressar nossos sentimentos e compreendê-los. Às vezes, contudo, o efeito era o contrário. Eu já cometi a atrocidade de fazer uma “releitura” de uma poesia que uma amiga minha havia feito e ela olhou bem na minha cara e falou “Você não entendeu nada”. Intrigas e compartilhamento de experiências, sonhos e fantasias. Isso era a escrita na adolescência.

 

Por algum motivo, na hora do vestibular, “escritora” não me pareceu uma carreira possível. Fui para a psicologia e depois para o mestrado em filosofia.

 

Por sete anos da minha vida, e minha escrita e a leitura foram dominados pela academia. Por sete anos tudo que eu fazia com o meu corpo e com a minha mente estava a serviço da UFRJ.

 

Até que no último ano do mestrado eu não aguentei mais. Senti uma ânsia incontrolável de voltar a ler literatura sem culpa e a escrever, escrever, escrever muito.

 

Bom, já sabemos a que isso me levou, não é mesmo? Muitos cursos de escrita criativa, muitos livros sobre a arte de escrever, muita literatura e muitos novos projetos literários.

Conheça a Journal Therapy.

Journal Therapy – que significa literalmente “terapia do diário” – é uma técnica de escrita de si que possui fins terapêuticos. Está passando da hora dela ser mais conhecida e divulgada no Brasil.

Ontem eu comentei sobre a escrita no diário como algo muito positivo, mas é interessante saber que existem diversas formas diferentes de escrever no seu diário.

Normalmente, a escrita que colocamos em prática é uma escrita livre que não possui grandes pretensões. Contudo, o diário pode ser um grande aliado no caminho para a cura e o autoconhecimento.

Na journal therapy o foco não está na descrição de eventos externos, ou no mero registro dos fatos cotidianos. É essencial que a escrita tenha um propósito, que ela seja orientada para um fim e que o ponto central da escrita sejam os pensamentos, sentimentos, reações e percepções do autor, ou seja, as experiências internas do autor de um modo geral estão no centro da journal therapy.

Existem inúmeras técnicas de journal therapy:

 

1-      Método das cartas não enviadas.

Eu já utilizei este método com um paciente no consultório. Meu objetivo. Era uma pessoa que guardava muitas mágoas, ao mesmo tempo em que se sentia desconectado do mundo e distante das outras pessoas.

Em um primeiro momento, pedi que ele fizesse uma lista de todas as pessoas que ele conhece. Todas mesmo. Mesmo que ele não soubesse o nome delas (poderia estar escrito na lista “o homem que passa toda manhã debaixo da minha janela andando de bicicleta). Essa técnica por si mesma tem um nome, trata-se do “caderno dos seres”. É um caderno no qual você lista exaustivamente todas as pessoas que você tem ou já teve contato e depois analisa a ordem na qual as pessoas apareceram. Mas o meu objetivo não era trabalhar com o caderno dos seres, então, depois que o paciente fez a lista, eu pedi que ele escrevesse uma carta para cada uma das dez primeiras pessoas que apareceram na lista. Passamos um tempo trabalhando nas cartas, até porque inicialmente ele não sabia o que escrever. Mas no fim das contas foi um bom exercício. O resultado foi que ele começou a ter mais ideias a respeito do que poderia conversar com as pessoas, além dele ter compreendido melhor o que sentia por cada uma daquelas pessoas. Mas o poder da escrita das cartas não enviadas não termina por aí. Essa técnica pode ser usada para outros objetivos. Como, por exemplo, para ajudar pessoas passando pelo luto. Escrever cartas para pessoas que já faleceram é uma maneira muito boa e reconfortante de lidar com o sentimento de perda e com as histórias que sentimos inacabadas.

 

2-      Diálogo.

Escrever diálogos é ótimo para pessoas como eu, que possuem dificuldade em serem assertivas. É muito útil construir diálogos (o que eu faço mentalmente e na escrita com muita frequência), com o objetivo de realizar uma reflexão sobre a forma como falamos e nos colocamos perante outras pessoas. Se quiserem uma dica, imagine, para uma situação qualquer que você queria trabalhar, três tipos de diálogos – um no qual o seu posicionamento seja assertivo, um com um posicionamento agressivo e um com um exemplo de passividade.

 

3-      Classificação das áreas da vida por cores.

Este é o diário que eu uso com mais frequência. Eu tenho um caderno com três cores diferentes e, em cada uma das cores eu escrevo sobre uma área da minha vida. Isso me ajuda a separas as coisas que, às vezes, eu misturo indevidamente. Por outro lado, podem aparecer também conexões entre diferentes áreas da minha vida que eu não estava enxergando. Essa técnica também é a que me ajuda mais com a minha organização (juntamente com a técnica de fazer listas), pois ela me permite entender melhor, visualizar melhor, todas as coisas que estão acontecendo na minha vida e o que cada uma das áreas está exigindo de mim.

 

4-      Listas.

Essa é uma técnica muita subutilizada. Fazemos apenas listas de compras e afazeres, mas existem muitas listas interessantes que podemos construir. Algumas sugestões: listas de coisas difíceis que aconteceram comigo; lista de todos os desafios que eu já encarei; lista de todas as coisas que eu aprendi quando tinha treze anos (juro que eu já fiz essa! E foi já quando eu tinha vinte e poucos anos! Foi bem legal, esse tipo de coisa me ensina a respeitar e entender melhor as crianças e os adolescentes); lista de todas as coisas que eu já tive medo de fazer; e por aí vai. Escolha uma um tema para a sua lista e redescubra a sua vida!

 

5      Escrita cronometrada.

Essa ideia de usar um cronômetro é ótima para um trilhão de coisas, inclusive para a escrita terapêutica. Ela pode ser usada, por exemplo, para quando você está com dificuldade de escrever sobre algum tema. Não se condene a ficar olhando eternamente para uma folha em branco. Isso é uma tortura. Quando estiver com dificuldade em algum tema coloque um tempo para escrever sobre ele. Três minutos por dia. Não pense, só escreva.

 

Como eu disse: muitas técnicas. Conforme eu for selecionando coisas legais, vou colocando aqui para vocês!